Ultra-aprendizado - Guido Percu's Notes
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Ultra-aprendizado

📅 July 29, 2023 📁 books 🌱

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Kindle Highlights

Foco

Retorno

mais maior

Tática 4: a abordagem exagerada

Tática 2: aprendizagem imersiva

Tática 3: o método do simulador de voo

Tática 1: aprendizagem baseada em projetos

Quero discutir três tipos de em particular:

prática intercalada, limite de cartões ou palavras-chave mnemônicas.

O medo do feedback costuma ser mais desconfortável do que a experiência em si.

como você vai aprender? Sugiro dois métodos: análise comparativa e o Método da Ênfase e da Exclusão.

Uma regra de ouro é investir em pesquisa aproximadamente 10% do tempo total de aprendizagem estipulado.

ULTRA-APRENDIZADO: estratégia de aquisição de habilidades e conhecimento que é tanto autodirigida quanto intensiva.

A prática direta é aprender de maneira intimamente ligada à situação ou ao contexto em que você deseja usar a habilidade.

Mas dividir o tempo tem seus problemas. Se seu tempo de estudo se torna fragmentado demais, pode ficar difícil aprender qualquer coisa.

Ao evitar procurar na origem, a informação torna-se conhecimento armazenado dentro da mente em vez de dentro de um livro de referência.

Qual aspecto da habilidade, se aprimorado, causaria o maior progresso em sua capacidade como um todo empregando a menor quantidade de esforço?

Gendler e Montebello batizaram sua consultoria de UltraSpeaking [Ultra-Oratória], como uma referência à estratégia que tornou aquilo possível.

A segunda parte do Método da Ênfase e da Exclusão é omitir ou adiar elementos do seu currículo de referência que não se alinhem com os objetivos.

Os melhores ultra-aprendizes são aqueles que combinam motivos práticos para aprender alguma habilidade com uma inspiração que vem de algo que os empolgue.

O Método da Ênfase e da Exclusão envolve encontrar primeiramente as áreas de estudo alinhadas com os objetivos que você identificou na primeira parte da pesquisa.

A abordagem exagerada significa se enfiar em um ambiente em que as demandas sejam tão altas que é improvável que você perca qualquer lição ou avaliação importante.

Quando terminava de ler, fazia um rápido exercício de rememoração livre para me certificar de que reteria os detalhes importantes quando chegasse a hora de escrever.

“estudos aplicados usando questionários reais de sala de aula e materiais reais de estudo costumam apontar que o parecer imediato é mais eficiente do que com atraso”.

As pesquisas em geral sugerem que as pessoas retêm mais aquilo que estudam quando a prática é dividida em diversos períodos de estudo do que quando eles são amontoados.

Nas fases iniciais do aprendizado de um idioma, costumo repetir obsessivamente algumas frases-chave para que sejam incorporadas rapidamente a minha memória de longo prazo.

Prática direta: siga sempre em frente. Aprenda aquilo em que você quer ser bom fazendo. Não troque isso por outras tarefas apenas por serem mais convenientes ou confortáveis.

Projetos longos têm mais chances de sair dos trilhos e atrasar, então fazer uma boa pesquisa logo no começo pode economizar, de maneira fácil, um tempo muito maior mais tarde.

Quando aprendemos coisas novas, portanto, devemos sempre nos esforçar para conectá-las diretamente aos contextos em que queremos usá-las. Criar conhecimentos externos a partir

A ideia, portanto, é tentar encontrar o meio-termo ideal: longo o suficiente para que aquilo que for recuperado seja profundamente lembrado, mas não tanto a ponto de esquecermos tudo.

Quando está escrevendo um novo artigo, você precisa gerenciar pesquisa, narrativa, vocabulário e muitos outros aspectos ao mesmo tempo e isso torna difícil melhorar agressivamente em um único aspecto.

Além dos princípios e das táticas há um etos mais amplo do ultra-aprendizado: assumir a responsabilidade por seu próprio aprendizado, decidir o que e como se quer aprender e desenvolver seu próprio plano.

Se deseja aprender francês com a ideia de ir a Paris por duas semanas e ser capaz de se comunicar em lojas e restaurantes, eu me concentraria muito mais na pronúncia do que na capacidade de escrever corretamente.

Em outro estudo, foram feitas[ 44 ] perguntas sobre economia a pessoas com ensino superior e não houve diferença de desempenho entre aqueles que tiveram aulas sobre a área do conhecimento e aqueles que não tiveram.

A partir daí, Craig empregou um software de repetição espaçada para maximizar sua eficiência. Esse tipo de software é um algoritmo avançado de cartões de perguntas desenvolvido pelo pesquisador polonês Piotr Woźniak

Portanto, se você está tentando avaliar qual a melhor maneira de aprender francês antes de uma viagem à França, saiba que você conseguirá mais transferência (embora não perfeita) tendo aulas pelo Skype do que folheando cartões de resposta.

Eram pessoas que eu conhecera ou das quais ouvira falar depois de terem alcançado o sucesso, não antes; eu observava os resultados positivos, não os experimentos que os geravam. Desse modo, era difícil dizer exatamente o quão realista era a técnica.

Entender como uma área de conhecimento funciona, que tipos de habilidades e informações devem ser dominadas e quais métodos existem para fazer isso com mais eficácia são pontos que estão no cerne do sucesso de todos os projetos de ultra-aprendizado.

Ficou claro que testar a si mesmo — tentar recuperar informações sem voltar ao texto — superava todas as outras condições. Nas perguntas baseadas diretamente no conteúdo, aqueles que praticaram rememoração livre lembraram-se 50% mais do que os outros grupos.

Meta-aprendizagem: desenhe um mapa primeiro. Comece aprendendo como compreender o assunto ou a habilidade que você deseja dominar. Descubra como fazer uma boa pesquisa e como utilizar as competências que já domina para aprender novas habilidades com mais facilidade.

O programador que aprende sobre um algoritmo em aula pode ter problemas em reconhecer quando usá-lo ao escrever um código. O líder que aprende uma nova filosofia de gerenciamento em um livro de negócios pode continuar usando a mesma abordagem de sempre com sua equipe.

Em todos esses casos, o problema é o mesmo: aprender diretamente aquilo que queremos parece frustrante, desconfortável ou entediante demais, então nos contentamos com um livro, uma palestra ou um aplicativo, torcendo para que isso nos torne mais experientes na coisa em si.

Quando tenho uma leitura complexa pela frente, costumo fazer um esforço para escrever notas que reforcem conceitos que achei difíceis. Faço isso principalmente porque, ao escrever, é menos provável entrar no estado hipnótico de leitura em que imitamos o ato de ler enquanto a mente está de fato em outro lugar.

o que separa os medíocres dos grandes não é a gama de problemas que podem resolver, mas o fato de que os bons costumam conhecer dezenas de maneiras de fazê-lo e podem escolher as melhores para cada situação. Esse tipo de amplitude requer certa quantidade de exposição passiva, que por sua vez tira proveito da prática da recuperação.

Queremos falar um idioma, mas tentamos aprender brincando em aplicativos divertidos em vez de conversar com pessoas reais. Queremos participar de projetos colaborativos e profissionais, mas quase sempre trabalhamos sozinhos. Queremos nos tornar grandes oradores, então compramos um livro sobre o tema em vez de praticar falando em público.

O último método para melhorar a prática direta é aumentar o desafio, de modo que o nível de habilidade necessário esteja inteiramente contido no objetivo definido. Tristan de Montebello, quando se preparava para competir no Campeonato Mundial de Oratória, começou a falar em escolas de ensino médio, apresentando versões preliminares de seu discurso.

Foi a intuição de Franklin que permitiu que ele aprimorasse sua escrita com rapidez: ao identificar os componentes gerais da escrita, descobrir quais eram importantes em seu caso e enfim desenvolver maneiras inteligentes de enfatizá-los na prática, ele foi capaz de se aperfeiçoar mais depressa do que se tivesse apenas passado muito tempo escrevendo.

dedicação foi recompensada. Barone lançou Stardew Valley em fevereiro de 2016. O jogo se tornou rápida e surpreendentemente um sucesso, vendendo mais do que títulos de empresas grandes oferecidos na plataforma de jogos de computador Steam. Barone estima que, um ano depois do lançamento, Stardew Valley havia vendido mais de três milhões de cópias em múltiplas plataformas

A dificuldade e a utilidade das repetições reproduzem um padrão que vai ocorrer ao longo dos princípios do ultra-aprendizado: uma coisa mentalmente extenuante proporciona um benefício maior para a aprendizagem do que uma coisa fácil. Em nenhum lugar esse padrão fica mais claro do que no próximo princípio, recuperação, em que a dificuldade em si pode ser a chave para um aprendizado mais efetivo.

O aprendizado mais tradicional, em sala de aula, privilegia a abordagem oposta: o estudo de fatos, conceitos e habilidades afastados de sua real aplicabilidade. Você domina as fórmulas antes de entender os problemas que elas devem resolver, memoriza vocabulário de um idioma porque as palavras estão listadas, resolve problemas altamente idealizados que nunca mais encontrará depois de receber o diploma.

O psicólogo Robert Haskell afirmou, em sua ótima revisão da vasta literatura sobre o tema: “Apesar da importância[ 43 ] da transferência do aprendizado, as descobertas feitas pelas pesquisas das últimas nove décadas mostram que, enquanto indivíduos e instituições educacionais, falhamos em promover essa troca em de forma relevante.” Ao que acrescentou: “Não é um exagero dizer que esse é um escândalo educacional.”

Feedback é um dos aspectos mais constantes das estratégias usadas pelos ultra-aprendizes. Do feedback simples de Roger Craig, que testava a si mesmo com as pistas de Jeopardy! sem saber a resposta, ao desconfortável da abordagem de Benny Lewis, abordando estranhos a fim de falar um idioma que ele havia começado a aprender no dia anterior, obter um parecer foi uma das táticas mais comuns dos ultra-aprendizes que encontrei.

Certa vez, fora detido pela Polícia Federal brasileira depois que uma oficial da imigração ouviu-o praguejar em português para amigos do lado de fora do prédio quando lhe negaram uma extensão do visto. A ironia: o visto tinha sido negado porque a oficial não acreditou que seu português podia ser tão bom depois de uma estadia tão curta e suspeitou que ele estivesse tentando emigrar ilegalmente, contrariando os termos do seu visto de turista.

Embora pesquisas sobre transferência tenham chegado a descobertas bastante sombrias, há um fio de esperança: alcançar um conhecimento mais profundo o torna mais flexível para uma futura transferência. As estruturas de nosso conhecimento começam frágeis, aferradas aos ambientes e aos contextos em que o aprendemos, mas com trabalho e tempo elas podem se tornar flexíveis a fim de ser aplicadas de maneira mais ampla. É essa a conclusão de Robert Haskell,

um tema intelectual também pode ser a base de um projeto. Um dos ultra-aprendizes que entrevistei, cujo projeto ainda está em andamento, queria aprender história militar. Seu projeto, no caso, era produzir uma dissertação. Uma vez que seu objetivo final era conseguir dominar por completo o assunto, um projeto que propunha produzir uma dissertação original levava a um aprendizado mais direto do que simplesmente tentar ler um monte de livros sem criar nada.

É mais difícil e mais útil reformular como pergunta a ideia principal de um capítulo ou seção. Já que ela muitas vezes está implícita, isso exige uma reflexão mais profunda e não apenas o acréscimo de um ponto de interrogação a algumas anotações copiadas literalmente. Uma regra que considero útil é me restringir a uma questão por seção do texto, forçando-me, assim, a buscar e reformular o argumento principal, em vez de esquadrinhar detalhes que vão ser na maioria irrelevantes mais tarde.

Muitos ultra-aprendizes que se especializaram em um subconjunto menor de campos são mestres em transferência; sem dúvida, isso se deve, em grande medida, à profundidade de seus conhecimentos. Dan Everett, de quem falamos na abertura do capítulo sobre o primeiro princípio, é um excelente exemplo disso. Seu vasto saber linguístico permite que ele aprenda novos idiomas de maneira relativamente fácil, em comparação com alguém que aprendeu apenas um segundo idioma ou teve aulas em sala de aula.

Mas é interessante que estudos em laboratório tendam a mostrar que adiar a apresentação da resposta correta (retorno adiado) é mais efetivo. A explicação mais simples desse resultado é que apresentar pergunta e resposta de novo oferece uma reexposição espaçada da informação. Se essa explicação for correta, significa apenas que o melhor é conjugar retorno imediato com uma revisão adiada (ou com um teste posterior) a fim de produzir uma memorização mais forte <Você alcançou o limite de recortes para este item>

Tática 2: rememoração livre Uma tática simples para recuperação é, depois de ler uma seção de um livro ou assistir a uma aula, tentar escrever tudo que você se lembrar em um papel em branco. Praticar assim costuma ser bem difícil, e você vai deixar passar várias coisas, mesmo se tiver acabado de terminar a leitura do texto. No entanto, essa dificuldade também é uma boa razão para a prática ser útil. Ao se forçar a lembrar os pontos e argumentos principais, você vai conseguir se lembrar melhor deles depois. Enquanto

Tristan de Montebello poderia ter tomado o caminho normal de preparar cuidadosamente seu roteiro e então enunciar o discurso uma vez por mês ou a cada dois meses, como faz a maior parte dos sócios do Toastmasters. Em vez disso, ele se jogou naquilo, falando em público diversas vezes por semana, pulando de um clube para outro a fim de obter perspectivas diferentes a respeito de seu desempenho. Esse mergulho profundo é desconfortável, mas a imersão rápida também o deixou menos sensível a boa parte da angústia causada pelo palco.

Para entender como o ultra-aprendizado pode acelerar a carreira que você já segue, vejamos o caso de Colby Durant. Depois da graduação, Durant começou a trabalhar como desenvolvedora web, mas queria progredir mais depressa, então começou um projeto de ultra-aprendizado para aprender escrita. Ela tomou a iniciativa e mostrou para o chefe o que era capaz fazer, anunciando que estava pronta para uma promoção. Ao escolher uma habilidade valiosa e focar em tornar-se proficiente depressa, é possível acelerar o progresso normal numa carreira.

Uma das aulas a que assisti, por exemplo, era Lógica Modal. Como não planejo me tornar especialista em lógica, posso dizer, honestamente, oito anos depois, que não conseguiria resolver um teorema dessa matéria hoje. No entanto, consigo dizer para que serve a lógica modal e quando é usada. Então, se surgir uma situação em que as técnicas que aprendi na aula devam ser aplicadas, sei que teria muito mais facilidade em identificá-la.[ 62 ] Sempre existirão coisas que você escolhe dominar e outras que basta saber que poderá buscar se necessário.

Steve Pavlina é um ultra-aprendiz. Ele otimizou seu horário na universidade e pegou o triplo da carga de matérias para completar a graduação em ciência da computação em três semestres. O desafio de Pavlina é muito anterior a meu experimento com o MIT e foi uma das minhas primeiras inspirações ao demonstrar como era possível uma aprendizagem concentrada. Na época não existiam[ 11 ] aulas online gratuitas e Pavlina frequentou a Universidade do Estado da Califórnia em Northridge, obtendo diplomas verdadeiros, em ciência da computação e matemática.

se você não tem conhecimento armazenado suficiente para reconhecer o momento em que deve usar determinada função para resolver certo problema, nenhuma consulta vai ajudá-lo. Levemos em conta a quantidade gigantesca de conhecimento que se tornou acessível nos últimos vinte anos por meio de uma rápida busca online. Praticamente qualquer fato ou conceito hoje está disponível a qualquer pessoa que tiver um smartphone. Ainda assim, apesar desse avanço incrível, isso não significa que uma pessoa mediana seja milhares de vezes mais inteligente do que as pessoas eram uma geração atrás.

No mundo das grandes realizações intelectuais, a capacidade de se concentrar rápida e profundamente é quase onipresente. Albert Einstein concentrava-se tão intensamente quando estava formulando a teoria geral da relatividade que desenvolveu problemas estomacais. O matemático Paul Erdős era um usuário contumaz de anfetaminas para melhorar a concentração. Quando um amigo apostou que ele não conseguiria largá-las, mesmo que por pouco tempo, ele fez exatamente isso. Mais tarde, no entanto, reclamou que o único resultado foi ter a matemática como um todo atrasada durante um mês devido a esses períodos sem atenção.

Se vou tentar aprender algo que é ensinado em uma faculdade, como ciência da computação, neurologia ou história, preciso olhar os currículos desses cursos. Pode ser a ementa de uma única disciplina ou, como no meu Desafio MIT, de todas as disciplinas da grade. Quando quis aprender mais sobre ciência cognitiva, encontrei uma lista de manuais que o programa de doutorado em ciência cognitiva da Universidade de San Diego recomendava para novos alunos sem formação prévia no tema. As universidades costumam ser fontes boas para essa abordagem (MIT, Harvard, Yale e Stanford são bons exemplos, mas estão longe de ser os únicos).

Alternar entre prática direta e repetições, até em uma mesma sessão de aprendizado, é uma boa ideia quando se está começando. Mais tarde, quando estiver mais equipado e houver a demanda de um esforço maior para um aprimoramento perceptível do seu desempenho global, será mais aceitável fazer incursões mais longas pelas repetições. Quando estiver se aproximando do domínio do tema, seu tempo acabará praticamente todo concentrado em repetições. A essa altura, você entenderá perfeitamente bem como uma habilidade complexa se divide em componentes individuais e aprimorar cada um deles será uma tarefa cada vez mais dispendiosa.

Judit Polgár é considerada por muitos a melhor jogadora de xadrez de todos os tempos. Aos 7 anos, venceu sua primeira partida contra um mestre enxadrista jogando às cegas. Aos 12, ocupava a posição 55 entre todos os jogadores do mundo no ranking da Fédération Internationale des Échecs (FIDE, Federação Internacional de Xadrez). Aos 15, tornou-se a enxadrista mais jovem a se tornar grande mestre na história, ultrapassando o recorde anterior, do famoso Bobby Fischer, por um mês. No auge, Polgár ficou em oitavo no ranking mundial e competiu no Campeonato Mundial de Xadrez, a única mulher a participar da competição na história.

Cada ultra-aprendiz que encontrei é único. Alguns, como Tamu, preferiam cronogramas punitivos de tempo integral, a fim de dar conta de rigorosos prazos finais autoimpostos. Outros, como Jaunzeikare, tocaram seus projetos enquanto mantinham empregos em tempo integral e suas obrigações. Alguns tinham como meta referências reconhecidas, como testes padronizados, currículos formais e a vitória em competições. Outros pensaram em projetos que desafiavam comparações. Alguns se especializaram, concentrando-se exclusivamente em idiomas ou programação. Outros queriam se tornar verdadeiros polímatas, escolhendo uma ampla gama de habilidades.

Embora estudar latim tenha caído em desuso, muitos especialistas em educação estão dando sobrevida a novas encarnações da teoria da disciplina formal, sugerindo que todo mundo aprenda programação ou pensamento crítico a fim de aprimorar sua inteligência geral. Muitos jogos populares de “treinamento mental” também partem dessa perspectiva a respeito da mente, presumindo que o treinamento profundo em um grupo de tarefas cognitivas se estenderá ao raciocínio diário. Faz mais de cem anos que se chegou a um veredito sobre essa ideia, mas a fascinação por um procedimento geral de transferência ainda lança muitos em busca do Santo Graal.

Ao longo do Desafio MIT, percebi que o recurso mais importante para conseguir passar nos testes não eram as aulas gravadas, mas os conjuntos de problemas. Ainda assim, nos anos que se passaram desde então, quando os estudantes me chamam para ajudar, costumam lamentar a ausência de vídeos em algumas aulas, mas raramente reclamam de conjuntos incompletos ou insuficientes de problemas. Isso me faz pensar que a maior parte dos alunos acha que sentar e escutar as aulas é a principal maneira de aprender uma matéria, e que resolver problemas substancialmente similares àqueles da prova final são checagens superficiais de seus conhecimentos.

Além do conhecimento riquíssimo como linguista, Everett tem outro truque que lhe dá uma vantagem enorme. Aquela apresentação não era uma invenção dele. Chamado de demonstração do “trabalho de campo monolíngue”, esse método foi desenvolvido por Kenneth Pike, professor de Everett, como um meio de aprender idiomas indígenas nativos. O método estabelece uma sequência de objetos e ações que o praticante pode usar para começar a unir as peças de uma linguagem. Esse método recebeu alguma atenção de Hollywood, quando Louise Banks, uma linguista fictícia, usou-o para decodificar um idioma alienígena no filme de ficção científica A Chegada, de 2016.

Apesar disso, há esperanças. Mesmo que o trabalho empírico e as instituições educacionais tenham falhado frequentemente em apresentar transferências significativas, isso não significa que a transferência não existe. Wilbert McKeachie, em sua revisão da história sobre o tema, percebeu que a “transferência é paradoxal.[ 48 ] Quando a desejamos, não a conseguimos. Ainda assim, ela ocorre o tempo todo”. Sempre que usamos analogia, dizendo que algo é como outra coisa, estamos transferindo conhecimento. Se você sabe patinar no gelo e depois aprende a andar em patins de rodinhas, você transferiu habilidades. Como observa Haskell, se fosse realmente impossível, não seríamos capazes de funcionar.

A recuperação teve um papel importante na educação matemática de Ramanujan, mas ele está longe de ser o único a ser beneficiado pela tática. Em quase toda biografia de grandes gênios e dos ultra-aprendizes contemporâneos que encontrei, alguma forma de prática de recuperação é mencionada. Benjamin Franklin praticava a escrita reconstruindo artigos de memória. Mary Somerville resolvia os problemas mentalmente quando não tinha velas para ler à noite. Roger Craig praticava questões de conhecimentos gerais sem olhar as respostas. A recuperação não é suficiente para criar um gênio, mas pode ser necessária para tanto. Mas tentar produzir uma resposta em vez de revisá-la é apenas uma parte de um ciclo maior. A

Apesar desses obstáculos, os feitos de Somerville foram vastos. Ela ganhou prêmios de matemática, aprendeu diversos idiomas, que passou a falar fluentemente, sabia pintar e tocar piano. Em 1835, junto à astrônoma alemã Caroline Herschel, foi a primeira mulher eleita para a Sociedade Real de Astronomia. O feito, que acabou tornando-a famosa, foi a tradução e ampliação dos dois primeiros volumes do Tratado de mecânica celeste de Pierre-Simon Laplace, um trabalho de peso, em cinco volumes, sobre teoria da gravitação e matemática avançada, aclamado como o maior feito intelectual desde que Isaac Newton escreveu Principia Mathematica. O próprio Laplace comentou que Somerville era a única mulher no mundo que entendia seu trabalho.

DETERMINANDO POR QUÊ, O QUÊ E COMO Acredito ser útil dividir em três perguntas a pesquisa de meta-aprendizagem para um projeto específico: “Por quê?”, “O quê?” e “Como?”. “Por quê?” serve para entender sua motivação para aprender. Se você sabe exatamente por que deseja aprender uma habilidade ou um assunto, pode economizar bastante tempo focando seu projeto exatamente naquilo que importa mais para você. “O quê?” refere-se ao conhecimento e às habilidades necessárias para ser bem-sucedido. Separar as coisas em conceitos, fatos e procedimentos permite mapear os obstáculos e como superá-los mais facilmente. “Como?” refere-se aos recursos, ao ambiente e aos métodos que serão utilizados. Escolher esse ponto cuidadosamente pode fazer uma grande diferença na efetividade do projeto.

O feedback aparece de maneira proeminente nas pesquisas sobre prática deliberada, uma teoria científica sobre aquisição de perícia introduzida por K. Anders Ericsson e outros psicólogos. Nesses estudos, Ericsson descobriu que a capacidade de obter retorno imediato do desempenho é um ingrediente essencial para alcançar altos níveis de perícia. Sem isso, o resultado muitas vezes é a estagnação: longos períodos em que você continua a usar uma habilidade, mas não melhora nela. Às vezes, a falta de feedback pode até resultar em diminuição da habilidade. Muitos médicos pioram[ 64 ] à medida que ganham mais experiência, porque o conhecimento acumulado na faculdade de medicina começa a se apagar e eles carecem de parecer sobre a precisão dos diagnósticos, o que normalmente propiciaria mais aprendizado.

Tática 1: cartões Cartões de respostas são uma maneira incrivelmente simples, e mesmo assim eficiente, de aprender associações casadas de perguntas e respostas. O velho método de escrever em cartões de papel a fim de repetir é poderoso, mas foi amplamente suplantado por sistemas de repetição espaçada, como discutiremos no Princípio 7. Os algoritmos desses softwares podem armazenar dezenas de milhares de “cartões” e também organizar um cronograma de revisão para que você possa dar conta de tudo. A principal desvantagem dos cartões de respostas é que eles funcionam verdadeiramente bem para tipos específicos de recuperação, quando há pareamento entre uma dica específica e uma resposta. Para algumas formas de conhecimento, como memorização de vocabulário de uma língua estrangeira, eles funcionam perfeitamente.

Outro exemplo de etapa determinante da velocidade é a expansão de vocabulário quando se está aprendendo uma língua estrangeira. O número de frases que você consegue enunciar com sucesso depende de quantas palavras você sabe. Se forem muito poucas, você não vai ser capaz de falar sobre muita coisa. Se conseguisse introduzir de repente centenas de novas palavras em sua base de dados mental, expandiria drasticamente sua fluência, mesmo que sua pronúncia, gramática e outros conhecimentos linguísticos permaneçam inalterados. É essa estratégia que está por trás da repetição. Ao identificar a etapa que determina a velocidade de sua relação de aprendizagem, é possível isolá-la e trabalhá-la especificamente. Uma vez que ela comanda sua competência geral naquela habilidade, ao aprimorá-la você vai melhorar mais rápido do que se tentasse praticar cada aspecto da habilidade de uma só vez.

O primeiro enfrentamento do problema foi feito pelos psicólogos Edward Thorndike e Robert Woodworth em 1901, no artigo seminal “The Influence of Improvement in One Mental Function upon the Efficiency of Other Functions” [A influência do aprimoramento em uma função mental sobre a eficiência de outras funções]. No artigo, eles atacavam a teoria educacional dominante na época, chamada teoria da disciplina formal, que sugeria que o cérebro funcionava de maneira análoga a um músculo, contendo capacidades bastante gerais de memória, atenção e raciocínio, e que treinar esses músculos, qualquer que fosse o conteúdo, resultaria em um aprimoramento geral. Essa era a tese predominante por trás do ensino universal de latim e geometria, com base na ideia de que isso ajudaria os alunos a pensar melhor. Thorndike conseguiu refutar essa ideia ao mostrar que a capacidade de transferir era muito menor do que a maior parte das pessoas supunha.

O que faz da recuperação uma prática tão melhor que a revisão? Encontramos uma resposta[ 58 ] no conceito de dificuldade desejável, do psicólogo R. A. Bjork. Recuperações mais difíceis levam a um melhor aprendizado, desde que o ato da recuperação em si seja bem-sucedido. Testes de rememoração livre, nos quais os alunos devem lembrar tanto quanto possível sem receberem sugestões, tendem a resultar em melhor retenção do que de rememoração com dicas, nos quais são fornecidas pistas sobre o que é preciso lembrar. Mas testes de rememoração com dicas são melhores do que testes de reconhecimento, como questões de múltipla escolha, em que a resposta correta deve ser encontrada, mas não produzida. Aplicar um teste imediatamente depois de a pessoa ter aprendido algo torna a retenção mais difícil do que se houver um pequeno atraso, de tamanho suficiente para que as respostas não estejam na mente quando forem necessárias. A dificuldade, longe de ser um obstáculo para a recuperação funcionar, pode ser parte do motivo para que funcione.

A maioria dos especialistas está mais que disposta a oferecer conselhos e fica lisonjeada com a ideia de que alguém deseje aprender com sua experiência. O segredo é escrever um e-mail simples, direto ao ponto, explicando por que você entrou em contato e perguntando se a pessoa poderia separar quinze minutos para responder algumas perguntas simples. Escreva um e-mail conciso, amigável. Não peça mais de quinze minutos nem orientação contínua. Embora alguns especialistas estejam dispostos a fazer isso com prazer, não é uma boa ideia pedir muito no primeiro contato. E se a pessoa com quem você quer conversar não morar na sua cidade? Nesse caso, telefonemas e ligações online são ótimas alternativas.[ 26 ] E-mails podem funcionar como um substituto, mas acho que o texto escrito muitas vezes não traduz o tom do discurso e perde-se a subjetividade que traduz a maneira como a pessoa se sente em relação ao seu projeto. Faz uma diferença gigantesca dizer uma “grande ideia” em tom morno ou entusiasmado, uma nuance que se perde na comunicação exclusivamente textual.

Kluger e DeNisi argumentam que a discrepância está no tipo de resposta obtida. O feedback funciona bem quando proporciona informações úteis que possam guiar o futuro aprendizado. Se ele disser em que você está errando ou como consertar o erro, pode ser uma ferramenta potente. Mas, por vezes, isso se torna um tiro pela culatra quando apontado para o ego da pessoa. Elogio, um tipo comum de feedback usado frequentemente pelos professores (e apreciado pelos alunos) costuma ser prejudicial ao aprendizado. Quando o retorno descamba para avaliações da pessoa enquanto indivíduo (por exemplo, “Você é tão inteligente!” ou “Você é preguiçoso”), o aprendizado sofre um impacto negativo. Além disso, mesmo um feedback que inclua informações úteis precisa ser processado corretamente como um motivador ou uma ferramenta de aprendizagem. Kluger e DeNisi perceberam, em alguns dos estudos que apresentavam impactos negativos do feedback, que isso se dava porque os pesquisados escolhiam não usá-lo de maneira construtiva. Rejeitavam-no, diminuíam a expectativa que tinham de si mesmos ou desistiam de uma vez da tarefa de aprendizagem.

De muitas maneiras, escrever este livro foi em si um projeto de ultra-aprendizado. Embora pesquisar para um livro não seja algo inédito, nem todos os projetos precisam ser os únicos da espécie para ter relevância para a pessoa envolvida. No meu escritório em casa agora existem pilhas de pastas com artigos de jornais. Minha estante tem dezenas de monografias obscuras, fora de catálogo, com fragmentos de questões sobre como as pessoas aprendem. Gravações de conversas com diversos pesquisadores me ajudaram a entender quanta nuance há em perguntas simples como: “O feedback é algo útil?” e “Por que esquecemos?” Analisei atentamente inúmeras biografias de intelectuais, empreendedores e cientistas famosos para tentar entender como abordavam a aprendizagem. De muitas maneiras, o processo de escrever foi um reflexo do tema: um projeto de ultra-aprendizado para escrever um livro sobre ultra-aprendizado. Embora eu tivesse um forte interesse no tema da aprendizagem e tenha buscado manuais, artigos e biografias antes de começar a pesquisar para o livro, foi só depois que iniciei este projeto estruturado que realmente me aprofundei.

O conceito de fluxo, desenvolvido pelo psicólogo Mihály Csíkszentmihályi, costuma ser usado como modelo para a concentração ideal. Esse estado mental costuma ser descrito como estar “em transe”. Você não é mais distraído por ideias que surgem em sua mente, uma vez que ela está completamente absorvida pela tarefa em questão. O fluxo é um estado prazeroso exatamente entre o tédio e a frustração, quando uma atividade não é nem difícil nem fácil demais. Esse retrato cor-de-rosa, no entanto, tem seus detratores. O psicólogo K. Anders Ericsson, pesquisador da prática deliberada, argumenta que o fluxo tem características “inconsistentes com as exigências de prática deliberada para monitorar objetivos e retornos explícitos e oportunidades de corrigir erros. Assim, praticantes hábeis[ 32 ] podem ter prazer e buscar experiências de fluxo como parte das atividades relacionadas ao que dominam, mas elas não ocorreriam durante a prática deliberada”. O ultra-aprendizado, com seu foco similar na aprendizagem direcionada ao desempenho — do mesmo modo como Ericsson argumentou que não combina com a prática deliberada — também parece não combinar com o fluxo.

Repetição: ataque seu ponto fraco. Seja impiedoso no aperfeiçoamento dos pontos mais fracos. Separe habilidades complexas em partes menores, domine-as e volte a uni-las. Recuperação: teste para aprender. Testar não é apenas uma maneira de avaliar o conhecimento, mas de criá-lo. Teste a si mesmo antes de se sentir confortável no assunto e se force a rememorar ativamente informações em vez de revisá-las passivamente. Feedback: não se esquive dos golpes. Receber um feedback é sempre difícil e desconfortável. Saiba como aproveitá-lo sem deixar que seu ego atrapalhe. Extraia o sinal em meio ao ruído e assim vai aprender no que prestar atenção e o que ignorar. Retenção: não encha um balde furado. Entenda aquilo que você esquece e por quê. Aprenda a se lembrar das coisas não apenas naquele momento, mas para sempre. Intuição: cave fundo antes de construir. Desenvolva sua intuição partindo para o jogo e explorando conceitos e habilidades. Analise como funciona o entendimento e não recorra a truques bobos de memorização que evitam o aprendizado profundo. Experimentação: saia da zona de conforto. Todos esses princípios são apenas pontos de partida. O verdadeiro domínio não vem de simplesmente seguir os passos traçados por outras pessoas, mas de explorar as possibilidades que elas não imaginaram.

Então Franklin, “determinado a se esforçar para melhorar”, fez uma série de exercícios para praticá-la. Um dos documentados consistia em pegar uma de suas revistas favoritas, a The Spectator, e fazer anotações dos artigos publicados. Depois ele abandonava as notas por alguns dias e voltava a elas, tentando reconstruir o argumento original de memória. Quando terminava, “comparava a minha Spectator com a original, descobria alguns dos meus erros e os corrigia”. Quando percebeu que seu vocabulário era limitado, desenvolveu outra estratégia. Reescrevia a prosa em versos, de modo que pudesse substituir palavras por sinônimos que encaixassem na métrica ou na rima. Para aprimorar sua percepção do fluxo retórico de um ensaio, tentou sua abordagem imitativa de novo, mas dessa vez embaralhando as notas, de modo que precisasse, ao escrever, determinar a ordem correta da sequência de ideias. Depois que desenvolveu um pouco a mecânica da escrita, partiu para uma tarefa mais difícil: escrever em estilo persuasivo. Lendo uma gramática da língua inglesa, ficou sabendo do método socrático, que consistia em questionar a ideia de alguém por meio de perguntas investigativas e não por contradição direta. Ele então começou a trabalhar, evitando cuidadosamente “a contradição abrupta e a argumentação afirmativa”, concentrando-se em se tornar um “inquiridor humilde e cético”. Esses

Na primavera de 1913, o matemático G. H. Hardy recebeu uma carta que mudaria para sempre o curso de sua vida. Enviada por um assistente de contabilidade que trabalhava no Escritório Portuário de Madras, na Índia, a carta continha um bilhete humilde de apresentação junto a algumas asserções surpreendentes. O autor alegava ter descoberto teoremas para problemas que as melhores mentes da época não haviam encontrado solução. Como se isso não bastasse, afirmava[ 54 ] que não tinha “instrução universitária” e que havia solucionado a partir de suas próprias investigações solitárias. Receber cartas de malucos amadores que afirmavam ter resolvido problemas famosos era frequente para alguém com a importância de Hardy no campo matemático, então seu primeiro impulso foi ignorar a carta como mais uma entre muitas. Mas ele havia folheado as várias páginas de anotações anexadas a ela e as equações não saíam da sua cabeça. Quando percebeu, horas depois, que ainda estava pensando nelas, Hardy levou a carta para seu colega, John Littlewood. Por diversão, os dois começaram a tentar provar aquelas asserções e descobriram que, com muito esforço, isso era possível em algumas. Outras, no entanto, permaneciam, nas palavras de Hardy, “quase impossíveis de acreditar”. Talvez aquela não fosse a carta de um maluco, mas algo bem diferente, pensou Hardy. As fórmulas escritas eram tão estranhas que o matemático observou: “Elas devem ser verdadeiras porque, se não fossem, ninguém teria imaginação para inventá-las.” Naquele momento, ele entendeu apenas vagamente que havia acabado se der apresentado a um dos matemáticos mais brilhantes e bizarros de todos os tempos, Srinivasa Ramanujan.