Teogonia: Trabalhos e dias - Guido Percu's Notes
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Teogonia: Trabalhos e dias

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

Teogonia: Trabalhos e dias

Kindle Highlights

guerra destruidora de homens,

GIRARD, René. A violência e o sagrado. São Paulo: Paz e Terra, 1998.

HAUSER, Arnaud. História social da literatura e da arte, vol. I. São Paulo: Mestre Jou, 1972.

HARVEY, Paul. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1987.

Cérbero, o cão do Hades38, de brônzea voz, carnívoro cruel, poderoso e inexorável, com suas cinquenta cabeças.

Hespérides, que além do glorioso Oceano guardam os ricos pomos de ouro e as árvores em que nascem esses frutos.

Circe, a filha de Hélio Hiperiônida85, em amor com o prudente Odisseu gerou Ágrio e Latino, irrepreensível e poderoso86

E Citereia, a de bela coroa, unida em desejado amor ao herói Anquises, gerou Eneias nos cumes do abrupto Ida84 açoitado pelos ventos.

submetida a Peleu, por obra da dourada Afrodite, a deusa Tétis de argênteos pés gerou Aquiles de ânimo leonino, o destruidor de hostes.

Depois ela pariu as Moiras, a quem o prudente Zeus outorgou a máxima honra: Cloto, Láquesis e Átropos, que concedem felicidade ou infortúnios aos homens mortais.

Eros, o mais belo dos deuses imortais, aquele que enfraquece os membros, dominando o espírito e a vontade prudente no íntimo de todos os deuses e de todos os mortais.

153] E ainda de Geia e Urano nasceram três outros filhos gigantescos e poderosos, aos quais não se deve nomear21: Cotos, Briaréu e Giges, arrogantes e cheios de soberba.

Nix gerou a odiosa Moira, a negra Quere e Tânatos27. Também engendrou Hipno e a linhagem dos Sonhos28. Sozinha, a deusa, a negra Nix, os concebeu a todos, sem deitar-se com ninguém.

Teia uniu-se amorosamente a Hiperíon, gerando o grande Hélio, a brilhante Selene e Eos, reluzentes sobre tudo o que há na terra e sobre os deuses imortais que vivem na amplidão do céu44

Convida para comer aquele que te ama e afasta quem te odeia. Sobretudo, convida o que mora próximo a ti, porque se algum imprevisto acontece no lugar, os vizinhos acorrem sem atar o cinto, o que não ocorre com os parentes

Por causa das Musas e de Apolo, o que desfere golpes16, há aedos e citaristas sobre a terra. Os reis, porém, esses existem por graça de Zeus. E feliz é aquele a quem as Musas amam, pois de sua boca as palavras fluem com doce voz.

Ceto uniu-se a Fórcis e concebeu as Greias, de formosas faces, grisalhas desde o nascimento e por isso chamadas Velhas pelos deuses imortais e pelos homens que caminham sobre a terra: Penfredo, a de bem-talhado manto, e Ênio, de manto cor de açafrão33

e as Moiras: Cloto, Láquesis e Átropos, que dão aos seres, desde o seu nascimento, tanto o bem como o mal, perseguindo as transgressões de homens e deuses. Essas deusas jamais descansam de sua cólera terrível, até levar a punição dolorosa àquele que erra.

O homem virtuoso é aquele que pensa por si mesmo, refletindo sobre o que será melhor mais adiante e no final. Também é bom o homem que atende aos conselhos dos homens sábios. Porém, quem não pensa por si mesmo, nem retém em si os bons conselhos, esse é um homem inútil

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. vol. I, Petrópolis: Vozes, 1990. __________. Mitologia Grega. vol. II, Petrópolis: Vozes, 1988. __________. Mitologia Grega. vol. III, Petrópolis: Vozes, 1990. __________.Dicionário mítico-etimológico. Petrópolis: Vozes, 1993.

Também gerou as Górgonas, que habitam além do glorioso Oceano, nas fronteiras da noite, onde se erguem as vozes das Hespérides. São elas: Esteno, Euríale e Medusa, a que sofreu triste destino. Ela era mortal, enquanto as outras duas permanecem imortais e jamais envelhecem.

Nessa pequena fábula, Hesíodo retoma o tema do embate entre Diké, a justiça das leis humanas, e Hýbris, a desmedida, o excesso que leva à soberba e à violência. Hýbris é a confiança excessiva nas próprias forças, a presunção que ignora as limitações pessoais e os direitos dos outros.

guarda isto em teu peito: ouve o que é justo e esquece definitivamente os excessos. Esta lei foi dada aos homens pelo filho de Crono: devorem-se entre si os peixes, as feras e as aves que voam, pois não existe justiça entre eles, mas aos homens foi dada a justiça, que é o maior dos bens.

Eros a acompanhou, e também o gracioso Hímero, logo que ela nasceu e se encaminhou para a morada dos deuses. E desde o início foi esta a honra que obteve, o que lhe coube entre os homens e os deuses imortais: os sussurros das jovens, os sorrisos e os enganos, o doce prazer, o amor e a ternura.

a Zeus, o portador da Égide4, e à venerável Hera de Argos, que calça sandálias douradas; Atena de olhos brilhantes5, filha de Zeus, portador da Égide; Apolo, o luminoso, e Ártemis lançadora de flechas; Posídon, o que sustenta e faz tremer a terra6; a veneranda Têmis; Afrodite de olhares ligeiros

Se alguém carrega uma dor recente na alma e consome seu coração em grandes aflições, quando ouve o aedo, servidor das Musas, louvar os feitos gloriosos dos ancestrais e dos venturosos deuses que habitam o Olimpo, logo esquece o sofrimento e as preocupações, já que os dons das deusas afastam seus pesares.

Depois, ela gerou a Hidra de Lerna, de intentos malignos, que a deusa Hera de alvos braços alimentou, movida por intenso rancor contra o forte Héracles. E o filho de Zeus, Héracles da casa de Anfitrião, auxiliado por Iolau, o guerreiro, matou-a com duro bronze a conselho de Atena, a que captura sua presa.

Quando tiveres idade adequada, nem muito perto, nem muito longe dos trinta, conduz uma mulher à tua casa, visto que essa é a melhor idade para o casamento. A mulher deve ficar na puberdade por quatro anos, casando-se ao quinto92. Desposa uma virgem, pois assim poderás lhe ensinar a ter um comportamento adequado.

Quem me dera não ter de viver entre os homens da quinta raça. Melhor seria se houvesse morrido antes ou nascido depois, porque agora é a raça de ferro. Nunca deixarão de trabalhar e de sofrer durante o dia, definhando à noite. Os deuses lhes darão pesadas angústias, e para eles os bens virão misturados aos males.

Guarda isto em teu íntimo: que a Éris malévola não afaste o teu ânimo do trabalho, levando-te para acompanhar com ouvido atento as discussões na ágora. Pouco interesse há em ouvir discursos para aquele que não tem em casa, armazenada no tempo certo, abundante colheita daquilo que a terra oferece: o grão de Deméter.

Não há nenhuma desonra em trabalhar; não fazer nada é que é desonroso. Se trabalhares, logo te invejarão por tua prosperidade. A riqueza é sempre acompanhada de mérito e glória. E seja qual for a tua sorte29, trabalhar é o melhor para ti. Desvia tua mente leviana dos bens alheios e, com trabalho, cuida do teu sustento como te aconselho.

E Héracles, o destemido filho de Alcmena, a de belos tornozelos, depois de cumprir seus dolorosos trabalhos fez de Hebe — filha do poderoso Zeus e de Hera de douradas sandálias — sua venerável esposa, sobre o nevado Olimpo. Concluída sua grande empresa, ele habita feliz entre os imortais, sem sofrimentos e sem velhice para todo o sempre.

Ao se unir a Ortro, Équidna engendrou a mortal Esfinge, ruína dos cadmeus39, e também o Leão de Nemeia40, um flagelo para os homens, que Hera, a nobre esposa de Zeus, alimentou e abrigou nas colinas de Nemeia. Ali ele destruiu as aldeias dos homens e manteve o poder sobre Treto e Apesanta, em Nemeia, até sucumbir ao vigor e à força de Héracles.

Estige, a filha de Oceano, uniu-se a Palas na mansão dos deuses, gerando Zelo e Nique, de belos tornozelos. Ela também gerou Crato e Bias, filhos admiráveis46. Não está distante de Zeus a sua morada, e eles não percorrem espaço algum ou caminho além daqueles pelos quais o deus os conduz. E sempre se sentam ao lado de Zeus, o que troveja gravemente.

O infortúnio pode ser adquirido facilmente, tanto quanto quiseres, pois reside bem próximo de nós, e o caminho para ele é plano. Mas diante da virtude, em troca, os deuses imortais colocaram o suor. É longa e íngreme a trilha que a ela conduz, e árduo o seu começo. Porém, quando se chega ao cume o caminhar se torna fácil, por mais difícil que antes houvesse sido.

Musas Piérias1, vós que glorificais com vosso cantar, vinde honrar a Zeus, exaltando com hinos o vosso pai. Pela graça do grande Zeus, por sua vontade, os homens mortais são obscuros ou famosos, sábios ou ignorantes. Facilmente ele dá força ao fraco e facilmente ao forte enfraquece; facilmente rebaixa o ilustre e engrandece o ignorado; facilmente ergue o curvado e facilmente verga o arrogante.

Raras vezes a filha de Taumas, Íris, a de velozes pés, vai a esse lugar como mensageira, sobre o largo dorso do mar. Mas quando surgem brigas e discórdias entre os imortais, ou se algum dos que habitam as moradas olímpicas proferir mentiras, Zeus envia Íris para que traga de longe, em um jarro de ouro, a água gelada de muitos nomes, que verte de uma rocha alta e escarpada: o grande juramento dos deuses.

Équidna também engendrou a Quimera, terrível criatura que expelia um fogo invencível. Era grande, de pés ligeiros, e tinha três cabeças: uma de leão, com assombrosos olhos, outra de cabra e outra de serpente, uma víbora cruel. Na frente, a cabeça de leão, atrás, a de serpente, e, no meio, a de cabra, todas expeliam com grande ímpeto as terríveis rajadas de fogo. Foi morta por Pégaso e pelo destemido Belerofonte.

termo Πανελλένεσσι (panelênico) foi traduzido por “todos os helenos”, já que os gregos chamavam a si mesmos de helenos, e à sua pátria, Hellás, nome de uma tribo que se estabeleceu em uma parte da Tessália, na época das migrações. Foram os latinos que deram o nome Graii aos colonos de Cumas e, desse termo, derivou Graeci. Em seguida, os romanos chamaram de Graecia à Hélade e estenderam o termo “grego” a todos os helenos.

Uma bigorna de bronze, precipitada do céu, cai durante nove noites e nove dias, chegando à terra somente no décimo dia. Da mesma forma, da terra ao tenebroso Tártaro, uma bigorna de bronze cai durante nove noites e nove dias, e apenas no décimo dia atinge o Tártaro, que é cercado por um muro de bronze. Em sua entrada, ao redor, três vezes a noite verte sua escuridão, e acima crescem as raízes da terra e do mar infecundo.

Medusa se deitou em um campo macio, dentre as flores da primavera, com aquele de cabeleira azul34. E quando Perseu cortou-lhe a cabeça, de seu pescoço surgiram o grande Crisaor e o cavalo Pégaso. Este é assim chamado por ter nascido próximo às nascentes do Oceano, aquele, por levar nas mãos uma espada de ouro35. Pégaso, lançando-se aos ares, abandonou a terra, mãe de rebanhos, e foi até onde habitam os deuses imortais, na morada de Zeus, o sábio, para quem transporta o trovão e o raio.

Não busques maus ganhos, porque aquilo que é mal ganho só atrai desgraças. Ama a quem te ama e frequenta a quem te frequenta. Dá a quem te dá, mas a quem nada te dá, nada dês. Àquele que doa, outros lhe doarão, a quem nada doa, tampouco outros lhe doarão. Doar é bom, enquanto a rapina é má e dispensadora de morte. O homem que oferece de boa vontade grandes doações alegra-se com sua dádiva e, em seu íntimo, se compraz. Porém, daquele que cede caminho à desonestidade e rouba para si próprio, mesmo que seja pouco, desse homem torna-se duro o coração.

E outro mal Zeus lhes enviou em troca de um bem, pois aquele que desejar fugir do matrimônio e das obrigações com mulheres, se não se casar, chega à funesta velhice sem ter quem o ampare. Vive sem que lhe faltem alimentos, mas ao morrer são os parentes distantes que repartem seus bens. Em troca, aquele que tem como destino o matrimônio, mesmo com uma boa esposa, cuidadosa e prudente, terá sempre, durante toda a sua vida, o bem com o contrapeso do mal. Mas se ele encontrar uma mulher de linhagem perversa, viverá com dor incessante afligindo-lhe as entranhas, o íntimo e o coração. E seu mal não terá remédio

é um grande tormento para os deuses, pois aquele, entre os imortais habitantes dos cumes do nevado Olimpo, que cometer perjúrio ao vertê-la jaz inerte durante um ano inteiro e não pode se aproximar da ambrosia nem do néctar para se alimentar. Permanece sem alento e sem voz, estendido sobre o leito, e um horrível torpor o envolve. Mas quando termina esse mal, depois de se completar um ano, outra prova, ainda mais dura, segue a primeira: por nove anos ele fica afastado dos deuses eternos. Não frequenta o conselho nem os banquetes até que se completem esses nove anos, e apenas no décimo ele volta a participar das assembleias dos imortais que habitam as moradas olímpicas.

Assim que os genitais foram cortados com a dura pedra, Crono os lançou da terra firme sobre o Pontos agitado pelas ondas, onde por muito tempo flutuaram sobre a superfície das águas. Uma espuma branca desprendeu-se da carne imortal, envolvendo-a completamente. E dessa espuma criou-se uma virgem. Primeiro ela se aproximou da sagrada Citera23, e de lá seguiu para Chipre24, que é cercada pelas ondas do mar. Ali pisou a terra uma deusa bela e sensual. A cada um de seus passos a relva crescia sob os formosos pés, e deuses e homens chamaram-na Afrodite, pois surgiu dentre a espuma. Por ter se aproximado de Citera, ela é Citereia de bela coroa. Também é Ciprogênea, porque nasceu no agitado Mar de Chipre, e, ainda, Filomedea, por ter sido criada do sêmen dos genitais25.

E foi isso o que decidiu Estige, a filha de Oceano, no dia em que o fulgurante olímpico convocou todos os deuses imortais, no alto Olimpo, para afirmar que cada um daqueles que lutassem ao seu lado contra os Titãs não seria privado de honras nem de prêmios por seus bons préstimos. Todos eles conservariam os seus privilégios, e aquele que não obtivera regalias sob o poderio de Crono alcançaria posição justa e honrada. [397-403] Então a imortal Estige foi a primeira a se apresentar ao Olimpo com seus filhos, seguindo as determinações e os conselhos de seu pai. E Zeus a honrou, oferecendo-lhe infinitos dons. Fez dela o mais solene juramento dos deuses47 e decidiu que seus filhos haveriam de habitar com ele para sempre. Zeus cumpriu tudo aquilo que prometeu a todos e, ele próprio, poderosamente, domina e governa.

Não há um gênero único de Éris3, visto que sobre a terra duas elas são. Aquele que as compreendesse, a uma ele louvaria e, em troca, amaldiçoaria a outra, pois elas diferem em sua natureza. Uma delas intensifica os combates da guerra nefasta e cruel. Não é amada por nenhum dos mortais, que só por necessidade, por vontade dos imortais, honram a Éris opressora. A outra foi a primeira gerada por Nix, a tenebrosa. O filho de Crono, que no Éter assenta o seu trono e habita, colocou-a nas raízes da terra e a fez bem melhor para os homens. Ela incita ao trabalho o preguiçoso, que deseja trabalhar quando vê rico a outro que se esforçou em arar, semear e em fazer prosperar sua casa. E assim, o vizinho compete com o vizinho que se empenha em fazer fortuna. Essa Éris é boa e proveitosa para os homens mortais. O oleiro disputa com o oleiro, o construtor com o construtor, o pobre disputa com o pobre, e o aedo disputa com o aedo4.

Logo após ter criado o belo mal em troca de um bem65, ele a levou — admiravelmente adornada pela deusa de olhos brilhantes, filha do poderoso pai — ao lugar onde estavam os outros deuses e homens. E o espanto se apoderou dos deuses imortais e dos homens mortais quando viram o árduo e imbatível ardil destinado aos homens. [590-601] Dela descende a estirpe das femininas mulheres. Dela procede a linhagem funesta das mulheres, que traz grandes sofrimentos para os mortais. Elas vivem com os homens, companheiras apenas na abundância, sem aceitar a pobreza austera. Tal como nas protegidas colmeias, onde as abelhas nutrem os maléficos zangões. Dia após dia, do nascer ao pôr do sol, elas trabalham arduamente, para formar os brancos favos de mel, enquanto eles permanecem abrigados nos alvéolos bem cobertos, recolhendo em seu ventre a fadiga alheia. E assim também Zeus, que estrondeia nas alturas, enviou para os homens mortais um mal igual: criou as mulheres, que se ocupam em obras malévolas.

Ali se levantam as terríveis mansões da tenebrosa Nix, envoltas em escuras nuvens. Diante delas, de pé, o filho de Jápeto sustenta, com seus infatigáveis braços, o amplo céu sobre sua cabeça, sem jamais desfalecer. E é onde Nix e Hêmera se aproximam mais, saudando-se ao cruzar o grande umbral de bronze71. Enquanto uma vai se abaixando para entrar, a outra sai à porta. E nunca a morada abriga as duas, pois sempre que uma delas está fora, percorrendo a terra, a outra permanece dentro, esperando que chegue o momento de começar sua jornada. Uma delas leva a luz de inumeráveis olhos aos homens que habitam a terra; a outra, a funesta Nix, envolta em névoas escuras, em seus braços leva Hipno, irmão de Tânatos. [758-766] Também ali têm sua morada os filhos da escura Nix: Hipno e Tânatos, deuses terríveis. Nunca o fulgurante Hélio os ilumina com seus raios, nem quando se ergue em direção a Urano, nem quando desce. Um deles, doce para os homens, percorre tranquilamente a terra e o amplo dorso do mar. O outro, de coração de ferro no impiedoso peito e implacável alma de bronze, retém consigo os homens que colhe e é odiado até pelos deuses imortais.