Roma, o império infinito - Guido Percu's Notes
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Roma, o império infinito

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

Roma, o império infinito

Kindle Highlights

Assim como “deus” (do grego Zeus).

A liberdade, afinal, muitas vezes dá medo.

Canti di Roma antica [Cantos da Roma Antiga, em tradução livre]

o bis sextus dies ante kalendas martias, de onde vem o “bissexto”.

título do famoso ensaio de James Frazer, precisamente O ramo de ouro.

Naquela época, não era possível ir à Turquia para fazer um transplante.

“Audentes fortuna iuvat”, “a sorte favorece os audazes”, é uma frase da Eneida.

O palácio tem origem no Palatino, a colina de Roma onde se situava o palácio real.

O que hoje chamamos de Ocidente é uma estrutura construída sobre os alicerces da Roma Antiga.

“arma”, “exército”, “militar”, “general”, “soldado” (de solidarius: aquele que recebe um salário).

Responsabilidade — outra palavra de origem latina, que vem de res pondus: saber carregar o peso das coisas.

O ano de 46 a.C. foi o mais longo da história, tendo durado quinze meses. Os ponteiros do tempo foram redefinidos.

Eneias é o herói escolhido, pois nele os romanos veem as qualidades que mais prezam: lealdade, responsabilidade e senso de dever.

Outro antepassado havia nascido por sectio caesarea, cesariana, mas essa expressão parece não ter relação direta com nosso herói.

A partir daquele dia, César sempre usaria um anel com a imagem de Vênus armada, que na mão direita segurava uma estatueta da Vitória

Anquises também profetiza a conquista da Grécia, e então, no momento em que os descendentes dos troianos subjugarem os dos aqueus, Troia será vingada.

Por fim, despediu-se em grego, com a frase que encerrava os espetáculos teatrais: “Se tudo correu bem, com uma grande salva de palmas paguem-me tributo”.

Desta vez, os inimigos foram afugentados para além do rio Tâmisa, numa área que os romanos chamariam de Londínio — até Londres é um nome de origem latina.

Em todas as línguas do Ocidente, os nomes dos dias da semana (exceto o sábado, que vem do hebraico) e dos meses, de janeiro a dezembro, são de origem latina

Os limites do mundo romano foram definidos a oeste pelo Atlântico, a sul pelo deserto, a norte e a leste pelos grandes rios: o Reno, o Danúbio e o Eufrates.

Bizâncio. Moscou, a “Terceira Roma”. O Sacro Império Romano de Carlos Magno. O Império Austro-Húngaro e o Alemão, que se proclamaram sucessores do Sacro Império Romano.

Com o mesmo orgulho com que os romanos diziam Civis Romanus sum, os cristãos declaravam Christianus sum. E milhares enfrentaram a morte para permanecerem fiéis a seu Deus.

E vale lembrar que os romanos, por mais que tivessem plena convicção da própria superioridade, não eram racistas; exceto em relação aos godos, ridicularizados por serem altos e loiros demais.

invenção dos fasces lictoriae (feixes dos lictores). Mal sabia ele que acabariam se tornando o símbolo de um movimento político, o fascismo, fundado em Roma 25 séculos depois e exportado pelo mundo.

A mesma loba reproduzida em bronze e conservada nos Museus Capitolinos, que veio a se tornar o símbolo do time de futebol AS Roma, ao qual os descendentes de Rômulo dedicam os mais belos pensamentos.

Ainda hoje, na cidade de Roma, Castor e Pólux são homenageados com estátuas da era clássica que adornam a fonte do Quirinal, antiga residência do papa e do rei e, agora, casa do presidente da República.

O próprio nome Homero parece ter sido inventado. Significa “aquele que não vê” — muitas vezes, no mundo grego, os poetas e videntes são cegos, pois veem com os olhos da mente coisas que nos são negadas.

Santo Agostinho confessa que, quando leu o livro de Dido, não conseguiu conter as lágrimas, que a força dramática da história foi capaz de afastá-lo da missão que se propôs: o distanciamento das coisas terrenas.

O retrato de Lúcio Sérgio Catilina que Salústio nos deixou é para a literatura o que a Mona Lisa é para a pintura. Representa, talvez, o mais belo retrato já escrito e o modelo de como um retrato deveria ser feito.

“Gallia est omnis divisa in partes tres”, toda a Gália é dividida em três partes. Assim começa um dos livros mais famosos de todos os tempos, os Comentários sobre a Guerra Gálica, o diário de guerra de Júlio César.

Paradoxalmente, terminaria bem assim: seus sucessores teriam o título de césar, que também seria reivindicado por muitos imperadores na história. Mas César, o verdadeiro, nunca teria o título de rei ou de imperador.

A seu lado, o que se destaca é um jovem tenente, rústico e corpulento, corajoso e cruel: Marco Antônio. E ainda hoje se diz na Itália que um homem grande e robusto é um “marcantonio”. O massacre é terrível. Vercingetórix

Já Tito, chamado de “a delícia do gênero humano”, é o carrasco do povo judeu e o destruidor do templo de Jerusalém. No Talmude está escrito que, como punição, um mosquito entrou em seu nariz e lentamente roeu seu cérebro.

Assim como, quinze séculos mais tarde, os castelhanos, na batalha de Clavijo, viram São Tiago cavalgar para dizimar soldados muçulmanos, e então o agradecem enchendo as igrejas da Espanha de estátuas e retratos de Santiago Matamoros.

O novo senhor de Roma fazia questão de demonstrar que queria restaurar a República, e não a derrubar. Além disso, reconciliou-se com Cícero, a quem escreveu uma carta muito bonita: “Venha a mim com seus conselhos, seu nome, sua glória”.

Homens como César são raridades em cada geração. Antes dele houvera Alexandre, oito séculos depois viria Carlos, e ambos foram chamados de Magno, o Grande. Mas homens extraordinários atraem grande ódio e, muitas vezes, têm fins terríveis.

A violência é a parteira da história — ao menos da história de Roma. Os momentos fundamentais são marcados pela força, pela agressão, por uma morte dramática. Por um assassinato, um estupro ou um suicídio — ou por todos esses crimes juntos.

Ainda mais depois de um verso da Eneida ter sido escrito no memorial do 11 de Setembro, em Nova York, retirado da história de Euríalo e Niso: “No day shall erase you from the memory of time”. Nenhum dia deve apagar vocês da memória do tempo.

Aristocrático, afeminado, culto, amante das artes, usa a toga quase solta, mais até do que César. Chama-se Caio Cílnio Mecenas, e seu nome ressoará no decorrer dos séculos como uma figura de protetor e patrocinador dos artistas: justamente, um mecenas.

Os gauleses falaram-lhe de uma ilha na costa norte, e César quis levar a guerra até lá. Era fascinado pelos homens que viviam “nos confins do mundo” e, assim, invadiu a terra que os romanos chamaram de Bretanha — e que ainda hoje chamamos de Grã-Bretanha.

Muito tempo depois, Napoleão, que sempre viu em César um modelo, escreveria que ele havia salvado os gauleses ao expulsar os germânicos e estabelecer uma fronteira entre o mundo germânico e a futura França. Havia lançado as bases da civilização galo-romana.

O povo interpretou isso como um mau presságio, e ele se viu forçado a subir as escadas do Capitólio de joelhos, em um gesto de humildade e reconexão com os deuses. Curiosamente, durante séculos, gerações de cristãos fariam o mesmo em Roma, na Escada Santa, no Latrão.

Recebeu em Roma os judeus exilados de Jerusalém. Também tinha planos de reunir todos os grandes livros gregos e latinos em uma imensa biblioteca pública, seguindo o modelo da biblioteca de Alexandria, que havia sido destruída justamente na guerra que ele levara ao Egito.

a Itália. Terra de origem de Dardano — cujos descendentes fundaram Troia —, portanto, um retorno ao lugar de origem dos troianos. Para Virgílio, o Lácio é um território que Eneias conquista com luta, esforço e sofrimento, mas é também um retorno ao lar, à sua terra ancestral.

“Civis Romanus sum”, sou um cidadão romano, repetiu John Kennedy. Diversos líderes norte-americanos sentiram que compartilhavam com os romanos o “destino manifesto” de liderar e governar o mundo. E o símbolo do poder dos Estados Unidos é o mesmo de Napoleão e de Roma: a águia.

Além disso, mesmo na coluna que celebra as proezas de um homem “bom” como Marco Aurélio, há a representação de um massacre de prisioneiros: germânicos enfileirados com as mãos para trás, à espera de serem decapitados. Uma barbárie que o imperador filósofo não esconde, pelo contrário, reivindica.

Os italianos tiveram que esperar pela Constituição de 1948 para estabelecer que todos os cidadãos são iguais, sem nenhuma distinção de raça, sexo, língua, religião e opiniões políticas, mas apenas em 1975 foi abolido o “poder conjugal” e a obrigação da esposa de se mudar para onde o marido decidisse.

Em 313 d.C., foi promulgado o Édito de Milão, que dizia que o cristianismo era uma fé legítima. As perseguições acabaram. Os cristãos são livres. Mais do que isso, estão prestes a tomar o poder, porque a religião que os outros imperadores queriam erradicar está prestes a se tornar a religião oficial do Estado.

Em Arezzo, Piero della Francesca não representa somente o sonho de Constantino. Ele conta a história da Verdadeira Cruz, conforme imaginada pelo monge Tiago de Voragine — que seria Varazze, na Ligúria —, num capítulo de um livro extraordinário, a Lenda dourada, a coletânea da vida dos santos, o long-seller da Idade Média.

Assim, antes de chegar a Alexandria, visita as ruínas de Troia. E, em Troia, faz algo que lhe é incomum: reza. Espalha incenso. Confia nos deuses, sobretudo em uma deusa, Vênus, que, por ser mãe de Eneias e avó de Iulo, é vista por ele como sua progenitora. Seu êxtase místico é tanto que ele promete reconstruir Troia. Depois,

Não apenas Dante, também Petrarca, Ariosto e Tasso olham para Virgílio. A Eneida é o modelo do romance e do poema de cavalaria, desde os primeiros versos: “Arma virumque cano”, canto as armas e o homem; “Canto as mulheres, os cavaleiros, as armas, os amores / as cortesias, os empreendimentos audaciosos” é o início de Orlando Furioso.

Conta-se que Crasso foi decapitado e que, para zombar de sua avareza, o rei dos partos, Orodes, derramou ouro derretido na sua boca, dizendo: “Aurum sitisti, aurum bibe”, você tinha sede de ouro, agora beba ouro. Tal história impressionou Dante. No Purgatório, as almas gritam: “Crasso, diga-nos, pois você sabe: qual é o sabor do ouro?”.

Depois da pandemia, Gates sugeriu a criação de uma força-tarefa mundial, aos moldes de Augusto, que estabeleceu o corpo de bombeiros após o incêndio de Roma em 6 d.C. Ele avaliou um livro de Vaclav Smil, Why America Is Not a New Rome [Por que os Estados Unidos não são uma nova Roma], cuja tese é ap <Você alcançou o limite de recortes para este item>

Zuckerberg se sentir uma espécie de Augusto contemporâneo. Não por acaso, corta o cabelo como o dele; se tem que aparecer numa conversa virtual com a Itália, seu avatar se move e fala como Augusto; por muito tempo concluiu suas reuniões com o grito de “Domínio!”; e deu às três filhas nomes que evocam a vida do fundador do Império, Maxima, August e Aurelia.

Para surpreender a todos, não apenas os britânicos, mas também o Senado, atravessou a Gália em seis dias, ditando cartas continuamente, até mesmo a cavalo, e dormindo poucas horas em uma carruagem em movimento. Escreveu até um livro, De analogia, a respeito de questões linguísticas e dedicado a um homem a quem muito estimava, apesar de ser seu oponente: Cícero.

Gostaria de escrever suas memórias, mas sabe que não tem o dom da escrita como César. Em compensação, mantém um diário, onde anota todas as obras que encomendou: as bibliotecas, os aquedutos, as ruas — mandou reconstruir por sua conta a via Flaminia, de Roma a Rimini —, a restauração de 82 templos. “Encontrei Roma feita de tijolos e a deixo feita de mármore”, anota.

A posteridade será mais generosa com o jovem rebelde. Na tragédia Catilina, Alexandre Dumas o retrata como uma vítima da esposa, que por ciúmes mata o filho que ele teve com a vestal. Outro escritor francês, Prosper de Crébillon, imagina que Catilina se vingou de Cícero seduzindo sua filha Túlia (já Voltaire, por sua vez, fica ao lado de Cícero em sua tragédia Roma salva).

A ideia de igualdade entre os homens surge em 4 de julho de 1776, com a declaração de independência dos Estados Unidos: “Todos os homens são criados iguais e são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis. Entre esses direitos estão a Vida, a Liberdade e a busca pela Felicidade”. No entanto, para abolir a escravidão foi necessário mais um século e uma sangrenta guerra civil.

Bona Dea era o símbolo da virtude feminina, celebrada exclusivamente pelas mulheres. Todos os homens eram banidos. Moças e matronas aproveitavam a oportunidade para se soltar em rituais que lembram nossas despedidas de solteira: músicas, danças, cantos e copos de bebida que oficialmente continham leite, mas que, na realidade, eram enchidos de vinho, como nos Estados Unidos nos tempos da proibição.

Segundo a tradição, Roma foi fundada em 21 de abril do terceiro ano após a sexta Olimpíada, que para nós é 753 a.C. No entanto, Troia é conquistada e Eneias desembarca no Lácio quase cinco séculos antes. Um vácuo que os antigos romanos preenchiam imaginando que o filho de Eneias, Iulo, tivesse fundado Alba Longa, onde a história havia começado. E, de Iulo, teria descendido a gens Iulia: a família de Júlio César.

Horácio também estava em Filipos, mas sobreviveu, para a sorte da literatura universal, e viria a escrever um poema no qual conta ter descartado o escudo para fugir mais rápido. São versos que lembram os do grego Arquíloco, que também havia sobrevivido a uma derrota e zombava dos poetas que exaltavam a morte gloriosa, escrevendo: “Que importa se na fuga joguei fora meu escudo? Comprarei outro, certamente não pior”.

A derrota de Teutoburgo é um divisor de águas na história de Roma. Se hoje se fala alemão na Alemanha, e não uma língua neolatina, a responsabilidade é de Armínio. No futuro, os romanos buscarão ajustes de fronteiras, mas desistirão dos projetos de conquista. As legiões destruídas não serão reconstituídas, e começará a se dizer que esses números trazem má sorte. Desde então, no mundo latino, o número 17 é sinônimo de infortúnio.

César declarou não saber nada sobre Clódio e não considerar Pompeia culpada. “Por que a repudiou, então?”, perguntaram-lhe. “Porque quero que os membros de minha família não sejam sequer suspeitos”, foi a resposta, que, com o tempo, ao ser citada e distorcida, tornou-se: “A esposa de César deve estar acima de qualquer suspeita”. (Muitas frases históricas, aliás, nunca foram realmente ditas, ou pelo menos não da maneira como as lembramos

E se o cristianismo deixou de ser o mesmo depois do abraço com o poder, também é verdade que foi esse abraço que fundou a civilização na qual ainda hoje vivemos. A conversão ao cristianismo não salvará o Império Romano, mas será um dos motivos, e não menos importante, de sua longevidade. O Ocidente torna-se cristão porque Roma tornou-se cristã. E também graças ao fato de ter se tornado cristã, Roma sobreviveu nas culturas e nas formas de poder que vieram após sua (aparente) queda.

Coriolano irrompeu em lágrimas, dissolveu o exército e desistiu de guerrear contra Roma. Segundo Cícero, ele se suicidou. Segundo Tito Lívio, porém, ele foi assassinado pelos volscos — e é esta versão que inspirou a tragédia de Shakespeare, Coriolano (“Quem já está decidido a morrer por sua própria mão não teme morrer pelas mãos de outro…”). O certo é que a mãe já era uma figura muito importante até mesmo para os heróis romanos, assim como é para nós. Como era a pátria, ou, se preferirem, a “mátria”: a terra das mães.

Homem de paz, em 42 anos de reinado não travou sequer uma guerra. É Numa que funda a civilização religiosa latina. Não por acaso, institui o cargo de Pontífice Máximo, que chega até o papa através dos imperadores. Numa também é o responsável por criar o primeiro calendário dividido em doze meses (lunares, portanto, mais curtos que os nossos: a cada três anos era necessário adicionar um mês, até a reforma de Júlio César). Setembro era o sétimo mês, outubro era o oitavo e assim por diante, porque o ano começava no mês de março, dedicado a Marte, o deus da guerra.

Antônio, convencido de que ela já estava morta, apunhalou-se, mas descobriu antes de morrer que, na verdade, Cleópatra ainda estava viva. Só mais tarde ela se mataria — após tentar em vão seduzir também Otaviano —, talvez deixando-se morder por uma áspide, empunhada como uma lâmina. A história termina com um duplo suicídio: praticamente como Romeu e Julieta. Talvez Virgílio também pensasse em Cleópatra quando incluiu na Eneida Dido seduzindo Eneias. Dante, por sua vez, coloca Cleópatra e Dido juntas, lado a lado, entre as almas luxuriosas, ao lado de Helena, Semíramis e, claro, Paolo e Francesca.

Depois da pandemia, Gates sugeriu a criação de uma força-tarefa mundial, aos moldes de Augusto, que estabeleceu o corpo de bombeiros após o incêndio de Roma em 6 d.C. Ele avaliou um livro de Vaclav Smil, Why America Is Not a New Rome [Por que os Estados Unidos não são uma nova Roma], cuja tese é apenas aparentemente antitética em relação ao livro que você tem em mãos. Porque é óbvio que a história nunca se repete duas vezes, e nem os norte-americanos nem nós somos os romanos antigos. Mas o que Smil e Gates querem dizer é que não existem automatismos, e o que aconteceu em Roma não necessariamente vai acontecer nos Estados

Ele teve, portanto, duas intuições: mover o centro político e militar do Império para o leste — longe daqueles bárbaros que considerava, àquela altura, temíveis demais — e fazer de Roma o centro religioso, uma vez que era a cidade onde Pedro e Paulo haviam sido martirizados e sepultados — o primeiro sucessor de Cristo e o pregador que havia conciliado o cristianismo com a filosofia e a cultura grega e romana. E essa escolha foi também um reconhecimento póstumo da inteligência, ou da inspiração divina, de Pedro e Paulo, que tinham ido pregar e morrer não numa terra deserta, mas no centro do mundo, na capital do povo que dominava os povos e a história.

Um dos poetas do círculo de Mecenas, Virgílio — uma alma sensível e angustiada pelas guerras civis —, profetizou que do casamento entre Otaviano e Escribônia nasceria um puer, um menino, que encerraria a idade do ferro e inauguraria a idade do ouro. O sonho de Virgílio era a palingênese da humanidade, o renascimento do ideal romano e universal após tanto sangue, tanta violência. Na era cristã, pensou-se que o puer fosse Jesus, nascido de fato no tempo de Otaviano Augusto, durante o censo anunciado em todo o Império. Por esse motivo, Dante considera Virgílio um precursor do cristianismo, como o servo que anda para trás com sua tocha para iluminar o caminho do mestre.

Esse é o elemento de modernidade de uma história milenar. As justificativas de Lucrécia podem parecer injustas ou absurdas para a sensibilidade moderna. Mas, durante séculos, uma mulher violada também era vista como desonrada. Na Itália, só na década de 1960 uma jovem siciliana, Franca Viola, recusou-se a se casar com o homem que havia abusado dela, alegando: “A honra é perdida por quem comete tais atos, não por quem os sofre”. Hoje em dia, isso nos parece óbvio. Até pouco tempo atrás, porém, não era. Ainda mais na Roma Antiga. Lucrécia não se deixa persuadir. O marido tenta, em vão, lembrá-la de que ela não tem culpa alguma, já que, embora o corpo tenha sido violado, a mente não consentira.

Há um episódio de Sandman — quadrinho cult na Inglaterra e nos Estados Unidos e adaptado para série da Netflix — em que o protagonista é Augusto. O imperador passa um dia inteiro disfarçado de mendigo para poder refletir a respeito da condição humana e do futuro de Roma sem ser visto pelos deuses. Durante o sono, é visitado por Sandman, o Homem da Areia, o Senhor dos Sonhos, que o coloca diante de uma escolha: o Império Romano poderá se estender infinitamente e durar até a eternidade, ou poderá parar a própria expansão e decair em poucos séculos. Mas Augusto, lembrando-se tanto do mal que cometeu quanto do que sofreu — incluindo a violência por parte de César —, escolhe a segunda opção, condenando sua obra à transitoriedade e Roma ao fim.

O rei de Alba Longa, Numitor, é deposto pelo irmão, Amúlio. Numitor tinha uma filha, Reia Sílvia. Para impedir que Reia Sílvia desse à luz um possível rival, o novo rei a obriga a se tornar sacerdotisa. No entanto, ela engravida mesmo assim. Em sua defesa, ela conta que o pai é o próprio deus Marte. Trata-se, obviamente, de uma desculpa, mas gerações de romanos vão querer acreditar na veracidade dessa afirmação. Nascem dois gêmeos: Rômulo e Remo. O rei ordena a um fiel servo que se desfaça deles, mas o servo é mais piedoso do que fiel: em vez de afogar os recém-nascidos no Tibre, abandona-os às margens do rio. Uma loba os encontra, amamenta-os com seu leite e os salva. Em latim, loba significa prostituta — bordel, de fato, é o mesmo que lupanar.

E a ária do lamento de Dido é considerada a obra-prima de Purcell (“Dido e Eneias”), um final melancólico, mais íntimo e sofredor do que violento e enfático: “When I am laid in earth / May my wrongs create / No trouble in thy breast; / Remember me, but ah! / Forget my fate”. Quando eu estiver na terra, que meus erros não perturbem o teu espírito. Lembre-se de mim, mas esqueça meu destino. Por isso, uma viagem à Roma Antiga e à sua herança deve partir da Eneida. Porque é uma fonte de inspiração sem fim, que fala com todos os homens e pode lhes revelar algo a respeito de si mesmos. O Colombo que chega às Américas é comparado a um novo Eneias, que chega por mar de terras distantes e subjuga povos locais para fundar uma civilização nova e maior. Mas, em outras épocas, os troianos foram

A tática prudente do cônsul Quinto Fábio Máximo “Cunctator”, o procrastinador, que evita o confronto direto para desgastar o inimigo forçado a uma longa guerra na Itália. Em sua homenagem, no fim do século XIX, os reformistas britânicos fundaram a Sociedade Fabiana, argumentando que, assim como o Cunctator, os socialistas também tinham que saber esperar o momento propício e separar um tempo para preparar a classe trabalhadora para gerenciar os meios de produção: “É preciso esperar o momento certo, assim como Fábio fez com paciência enquanto enfrentava Aníbal…”. Na Fabian Society militaram alguns dos maiores expoentes da cultura britânica, como George Bernard Shaw, Virginia Woolf e o marido, a feminista Emmeline Pankhurst e, por um período, também Bertrand Russell e John Maynard Keynes.

Algum tempo depois, o imperador teve uma visão. Estava no Capitólio quando foi tomado pela sensação de que algo formidável e inexplicável havia acontecido na Judeia. Para os escritores cristãos, não parecia coincidência que Jesus tivesse nascido justamente na época de Augusto. E não apenas porque o censo por ele ordenado havia obrigado José a retornar à sua cidade natal, Belém, de modo que as profecias se cumprissem. O filho de Deus só podia retornar ao mundo e à história em plena Idade do Ouro. No entanto, embora os cristãos tenham atribuído durante séculos a culpa aos judeus, Jesus foi crucificado pelos romanos, que, pouco tempo depois, varreriam seu povo, com a destruição do templo e a diáspora. Coincidências que, como veremos, inspirariam escritores, artistas e diretores nos séculos vindouros.

A história da Roma republicana é cheia de figuras que simbolizam a prevalência do interesse público sobre o privado. Homens incorruptíveis. Como Lúcio Quíncio Cincinato (ou seja, o “Encaracolado”), que, após cada vitória, saía de cena só para depois ser chamado de volta. Os senadores que vieram lhe oferecer os poderes absolutos da ditadura — cargo recorrido apenas em caso de emergência — encontraram-no enquanto ele arava o próprio campo. Cincinato limpou o suor, vestiu a toga, aceitou a incumbência, derrotou o povo inimigo dos équos, distribuiu o espólio entre seus soldados e, depois de dezesseis dias, renunciou à ditadura para voltar ao próprio campo. A posteridade o admirava muito. Dante o menciona duas vezes no Paraíso, Petrarca o inclui no seu catálogo de homens ilustres, a cidade norte-americana de Cincinnati, Ohio, recebe tal nome em sua homenagem e tem um lema latino: Iuncta iuvant, a união faz a força.

No Tate Britain, tesouro da arte e do orgulho britânico, entre diversos quadros de William Turner destaca-se um pela total ausência de figuras no centro da cena. Pode ser considerada uma obra abstrata, pintada quase um século antes de Kandinsky. É uma tela cheia de luz. Uma luz ofuscante, que machuca os olhos de quem a observa. O título do quadro é o nome de um romano antigo: Régulo. No entanto, o espectador não enxerga o protagonista, enxerga através dos olhos — feridos pela luz — do protagonista. Atílio Régulo teve as pálpebras cortadas para que não pudesse fechar os olhos. Em seguida, foi amarrado e exposto ao sol, que ofuscou sua visão e o cegou. Por fim, ele foi fechado dentro de um barril repleto de pregos e lançado colina abaixo. É difícil imaginar um fim mais aterrorizante, que parece reunir todos os medos humanos: claustrofobia, dor física e moral, a consciência do fim inevitável e a impossibilidade de apressá-lo.

Já com Ovídio, o imperador é implacável. Envia-o ao exílio no mar Negro, em Tomis, e ordena que sua Ars Amatoria seja queimada no Fórum. Em Roma, comenta-se que o poeta teve um caso com a filha de Augusto, Júlia. Mas há um rumor ainda mais escandaloso: Ovídio teria presenciado uma brincadeira erótica entre pai e filha, algo inconveniente para qualquer um, especialmente para um moralista como Augusto. O próprio poeta parece fazer alusão a isso ao escrever: “Por que fui ver alguma coisa? Por que tornei meus olhos culpados? Por que quis o destino que eu descobrisse um pecado?”. Ele então faz referência a uma história de suas Metamorfoses, a de Actéon transformado em cervo por ter visto uma cena de amor entre Diana e as acompanhantes: “Actéon viu Diana nua. Viu sem querer, e ainda assim foi devorado pelos cães. Para os deuses, a culpa e a ofensa, mesmo que involuntárias, são um crime — e deve-se pagar por elas”. Augusto como Diana, Ovídio como Actéon: punido sem responsabilidade, por ter violado a intimidade do novo deus de Roma.

Após sessenta dias, César voltou a Alexandria. Estava no Egito havia nove meses e, enquanto isso, o rei do Ponto, Fárnaces, rebelara-se contra Roma. O Ponto, região na costa sul do Mar Negro, era a ligação natural entre o Mediterrâneo e a Ásia Central, portanto, estratégica. Sendo assim, Roma não podia perdê-la de jeito nenhum. César partiu, derrotou Fárnaces em quatro horas, saqueou suas cidades e mandou a Roma ouro, joias, colunas e outros tesouros para serem exibidos no Capitólio com uma placa: “Veni vidi vici”: vim, vi, venci. Três palavras, seis sílabas e doze letras que diziam tudo. Os romanos adoraram. Veni vidi vici tornou-se um slogan, uma expressão, um lema de orgulho destinado a ser repetido inúmeras vezes e que dura até hoje. Um lema que tinha tudo de César: a inteligência, a velocidade, a concisão e também a habilidade de fazer propaganda de si mesmo, o que hoje chamaríamos de autopromoção. Hoje, as redes sociais nos exigem concisão e rapidez todos os dias, mas não consigo pensar em nenhum post, em nenhum tweet tão eficaz quanto veni vidi vici.

Por que, então, os cristãos foram perseguidos durante três séculos, antes que seu culto fosse tolerado e, por fim, imposto a todos como religião oficial? Especialistas sempre se perguntaram isso. A estudiosa inglesa Mary Beard oferece uma resposta interessante: porque o Deus cristão não tinha pátria. Os romanos presumiam que as divindades viessem de algum lugar: Ísis do Egito, Mitra da Pérsia, Javé da Judeia. E, de fato, os judeus, apesar de serem um dos poucos povos a se rebelar contra Roma, espalharam-se pelo mundo e habitaram muitas cidades do Império, convivendo com outras crenças sem muitos problemas. O Deus cristão, por outro lado, era anunciado como universal. E os cristãos faziam prosélitos. Não se contentavam em ser tolerados, queriam converter os outros. Estavam convencidos de ter uma missão. Certos de trazer a verdade e a salvação. Os cristãos queriam mudar o mundo. Talvez não tenham sido os primeiros a querer isso, mas foram os primeiros a entender que, para mudar o mundo, era preciso primeiro mudar o homem. UM DEUS CIUMENTO E UNIVERSAL Além do mais, os cristãos não estavam dispostos a reconhecer outros deuses. Nem mesmo o imperador.

Há uma igreja em Arezzo, no coração da Toscana, dedicada a São Francisco. Aparece em um filme de grande sucesso, O paciente inglês. Um soldado indiano, um sikh de turbante, leva a namorada, uma enfermeira canadense — a doce Juliette Binoche —, para ver afrescos que o haviam impressionado. É noite. Ele a prende com cordas, entrega-lhe uma lanterna e, depois, com um sistema de roldanas, a faz girar, de modo que ela possa ver as figuras olho no olho. É uma cena mágica, cheia de poesia. Juliette pode, assim, admirar Salomão, a rainha de Sabá, Adão, a rainha Helena e outros personagens. E pode contemplar o primeiro e grande noturno da história da arte: o sonho de Constantino. O autor dos afrescos, Piero della Francesca, um dos mestres do Renascimento fascinado pela pintura dos romanos antigos, retrata o imperador adormecido em sua tenda. A escuridão é cortada por uma luz vinda de fora, em um jogo de luz e sombra que inspirará Rafael e Caravaggio, o mestre da pintura noturna. Um anjo surge e mostra a Constantino uma pequena cruz. A noite é estrelada, e as estrelas não estão dispostas ao acaso. Piero della Francesca estudou astronomia e representou as constelações não como são vistas da terra, mas como seriam vistas do céu. Ele pintou o céu como Deus o teria visto se naquela noite desejasse falar aos homens.

Começa a guerra. Tarquínio pede ajuda a outro rei etrusco — Porsena, soberano de Clúsio, uma cidade 150 quilômetros ao norte. O exército etrusco sitia Roma. Os defensores tentam bloquear o caminho derrubando a ponte Sublício, porém o inimigo avança. Horácio Cocles, descendente dos heroicos Horácios, controla os etruscos, com a ajuda de outros dois soldados, para que os companheiros tenham tempo de cortar a ponte. Quando resta somente a última prancha, ele ordena que os dois se retirem e enfrenta, por conta própria, os invasores. No último momento, enquanto o que restava da ponte desaba, Horácio Cocles se joga no Tibre, de armadura e tudo. Segundo Políbio, ele se afoga. Mas, segundo Tito Lívio, ele chega à margem nadando e é recompensado pelos compatriotas com o mais precioso dos bens: a terra. Terá dela o máximo que puder arar num só dia. E, no imaginário dos povos, Horácio Cocles viveu como um exemplo de resistência quando tudo parece perdido. Não por acaso, é mencionado no maravilhoso filme sobre Winston Churchill, O destino de uma nação, em que se fala da solidão, mas também da força moral do primeiro-ministro britânico no momento em que o mundo parecia se ajoelhar diante do nazismo. Além disso, a batalha do abismo de Helm, em O senhor dos anéis, é inspirada na versão de Tito Lívio da façanha de Horácio Cocles.

Diocleciano desencadeou uma perseguição violentíssima contra o cristianismo. Será a última, mas também a mais cruel. O imperador está convencido de que a causa das derrotas dos exércitos romanos é justamente a devoção que se espalha a esse estranho Deus crucificado, que não exige sacrifícios, mas não permite que o sejam feitos a ninguém, nem ao imperador. Na época de Diocleciano foi decapitado o padroeiro de Nápoles, São Januário, cujo sangue que se liquefaz e coagula ainda hoje representa um mistério, um prodígio, talvez um milagre. Santa Inês, uma jovem romana que defendia sua virgindade, é degolada. Foi trancada em um bordel, mas um anjo a protegeu e nenhum homem ousou tocá-la, exceto um, que foi cegado. Inês devolveu-lhe a visão. Foi enviada à fogueira, mas as chamas se afastaram dela. Então, cortaram-lhe a garganta, como se faz com os cordeiros. Por isso, o cordeiro — em latim, agnus — é seu símbolo. Em todo o Império, pelo menos vinte mil mártires caíram durante a perseguição de Diocleciano. Na Frígia, uma comunidade inteira é trancada numa basílica que é incendiada, onde setecentos fiéis morrem de maneira terrível. Entre os soldados também há muitos cristãos. O mais famoso, Sebastião, foi torturado com flechas, mas, segundo a lenda, sobreviveu graças aos cuidados de uma mulher piedosa. Assim, tiveram que martirizá-lo uma segunda vez, no Palatino. E a Igreja é como são Sebastião, que ressurge das próprias cinzas, fortalecida pelo sangue dos mártires. Nenhum imperador jamais conseguiu erradicá-la.

César seguiu para a Ásia com as tropas de Marco Minúcio Termo e participou da tomada de Mitilene, capital de Lesbos, a ilha grega de onde viera Safo, a poeta. O comandante o favoreceu e lhe confiou uma missão: ir à Bitínia cobrar do rei Nicomedes IV, aliado dos romanos, os navios prometidos. Nicomedes logo se entendeu com o jovem encantador. Confiou-lhe a frota, e César a conduziu a Mitilene. No entanto, logo depois, partiu novamente para a Bitínia, com a desculpa de cobrar um empréstimo. Dizia-se que a missão de César tinha sido tão prontamente bem-sucedida porque ele se entregara a Nicomedes — daí o apelido de “rainha da Bitínia”. Seus soldados se lembrariam disso, zombando dele durante o triunfo sobre os gauleses: “César subjugou as Gálias, mas Nicomedes o dominou”, e também: “Aperite portas regi calvo et reginae Bitiniae!”, abram as portas ao rei calvo e à rainha da Bitínia. Cícero se lembraria disso quando em uma carta escreveu que, na Bitínia, César “perdera a flor da juventude” — e até ousaria jogar isso na cara dele no Senado. Quando César, para apoiar a causa da filha de Nicomedes, Nisa, relembra os benefícios recebidos do rei da Bitínia, é interrompido por Cícero: “Esqueça, porque ninguém ignora o que ele lhe deu e o que você deu a ele”. E até Dante se lembrará disso, quando no Purgatório, ao falar da alma dos sodomitas, escreve que eles se macularam pelo mesmo pecado pelo qual César foi chamado de rainha: “Os que não se juntam a nós se ofendem / pelo motivo que fez César, ao triunfar, / ser apelidado de ‘Rainha’; / por isso, retiram-se gritando ‘Sodoma’ […]”. Vale notar que Dante não dava crédito à acusação; caso contrário, teria posto César entre os sodomitas, e não no limbo, entre os grandes espíritos.

Certa noite, ele decidiu aparecer em público. Assistiu a um combate de gladiadores. Depois, ofereceu um jantar a magistrados e comandantes militares. Levantou-se do triclínio, convidando a todos a prosseguirem o banquete: “Volto já”. Mas, em vez disso, partiu para o sul, com a vanguarda de seu exército. Ao amanhecer, chegou à margem de um pequeno rio que chamavam de Rubicão, pela cor avermelhada de suas águas. Do outro lado estava a Itália. Foi um momento solene. Não por acaso, cada escritor o reconstruiu à sua maneira. Lucano imagina que o fantasma da Pátria apareceu para César. Mas quem o teria convencido foi um amigo, Escribônio Curião, que teria lhe dito: “Você não pode dividir o mundo, deve ser seu e de mais ninguém”. Na verdade, foi uma decisão tomada sozinho. César sentia-se militarmente invencível. Pompeu, apenas seis anos mais velho, parecia-lhe um velho que ainda vivia das glórias de triunfos fáceis no Oriente, onde não havia enfrentado bárbaros gigantes como os que ele havia dominado. Claro, Pompeu tinha o apoio das grandes famílias e do Senado, mas a nobreza pouco valia em batalha. Os veteranos adoravam César, assim como o povo. Atravessar o Rubicão, no entanto, significava declarar guerra civil e enfrentar as incertezas que todo conflito traz. Por isso, César, mais do que na razão, confiou na sorte. E disse a famosa frase “alea iacta est”, que traduziríamos no colégio como “a sorte está lançada” — expressão que, na verdade, não significa muito. Mais do que um desafio, César pretendia expressar o sentido de um risco, de uma aposta, de confiar no destino, algo como “ou vai ou racha” ou “Deus nos ajude”. Mas César era um homem de pensamentos elevados e acreditava ser, de fato, descendente de Vênus — e Vênus era a deusa da sorte.