Quando acaba o século XX (Breve Companhia)
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O Brasil não é um país pobre, mas é um país de pobres.
Se a humanidade aprendesse com o passado, os historiadores seriam visionários.
No começo do século, em 1903, a expectativa de vida era de 33 anos. O Brasil era chamado de “grande hospital” e tinha todo tipo de doença: lepra, sífilis, tuberculose, peste bubônica, febre amarela. Quando o presidente Rodrigues Alves assume o poder e indica um médico sanitarista para combater a febre amarela, a peste bubônica e a varíola, eles começam exterminando ratos e mosquitos e depois passam a vacinar a população. Mas na época os brasileiros não foram bem informados e reagiram de muitas maneiras. Essa foi a primeira revolta do pós-abolição e a primeira da República que prometeu inclusão, mas entregou muita exclusão social. Aliás, o mesmo Rodrigues Alves estará de volta ao poder no contexto da gripe espanhola de 1918, não como presidente na ativa, mas como presidente eleito. E é dele a ideia de, como Oswaldo Cruz já havia morrido, indicar o herdeiro dele, Carlos Chagas. As autoridades brasileiras já sabiam da propagação da gripe espanhola no mundo, e mesmo assim não agiram a tempo. O vírus entrou a bordo de navios que atracaram no Brasil e então a contaminação explodiu. Mas a atitude sempre foi essa: “Não somos um país de pessoas idosas, nosso clima é quente, aqui a gripe não pega”.