Por que estudar Filosofia? (Como ler filosofia)
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A filosofia não torna ninguém milionário.
Como afirmou o teórico da comunicação Marshall McLuhan, o meio é a mensagem,
Outras questões tortuosas ainda são enfrentadas pela teologia até hoje. Uma delas é saber se um extraterrestre poderia ser batizado.
A força de uma filosofia está na sua ambiguidade, está em terminarmos a leitura de um livro filosófico com mais dúvidas do que certezas.
Certamente, atacar o comentarismo não significa negar a importância do estudo da história da filosofia. Se não a estudarmos, corremos o risco de “arrombar portas abertas”.
Para fazer filosofia é preciso reverter o uso da razão, que quase sempre está dirigida para fins utilitários, e dar a ela liberdade para pensar sem nenhum objetivo preestabelecido.
A veneração pelo passado é uma forma de desistir de pensar. Quando a interpretação dos textos clássicos se torna uma meta em si mesma, a filosofia se torna apenas uma técnica de interpretação, ou seja, se transforma em uma tecnofilosofia, uma forma emoliente de filosofar, que isenta seus defensores de se confrontar com os problemas contemporâneos.
O inefável não é apenas um dos grandes temas da filosofia, mas está, também, presente na nossa tradição religiosa. No cristianismo, Deus se mostrou na figura de um pregador itinerante. Mas o divino nunca se manifestou de forma a poder ser identificado externamente. Que Cristo era o filho de Deus era algo inefável, dizível, mas não comunicável, talvez o mais íntimo dos qualia que já existiu.
No entanto, a maior mudança em relação à verdade nas últimas décadas é a falta de interesse por ela. A verdade não é mais o que intimida, o que afronta, o que pode ser perigoso quando subitamente revelado para as pessoas ou para as sociedades, e que, por isso, precisa ser ocultado ou censurado. Desmascarar um sistema de crenças como ideológico ou mentiroso já não é suficiente para que ele seja abandonado.
Em uma sociedade na qual só há duas opções, produzir ou consumir, a filosofia não pode ter lugar, pois ela não é um produto. A moda e a gastronomia podem ser consideradas inúteis, mas nunca serão tão rejeitadas como a filosofia, pois delas sempre é possível derivar algum tipo de produto. Não há itens filosóficos à venda ou exibidos em catálogos. Uma grife pode ser algo tão intangível como um conceito filosófico, mas ela nunca deixará de ser um produto para ser consumido.
A verdade perde seu valor intrínseco e é substituída por uma luta pelo convencimento. Os sofistas na Grécia Antiga tentavam, sutilmente, convencer o maior número de pessoas do seu ponto de vista usando meias verdades. Hoje, já não há sequer essa preocupação. Não é preciso converter as pessoas, seduzindo-as, mas apenas cooptá-las a defender um conjunto de proposições promovido por um grupo de pressão, pouco importando se seus participantes de fato acreditam no que defendem.
O materialismo eliminativo é uma das tentativas mais drásticas de suprimir a psicologia e a filosofia. Embora não exista uma filiação histórica, a proposta do materialismo eliminativo se assemelha ao positivismo esboçado por Auguste Comte no século XIX. Comte julgava que a psicologia desapareceria, cedendo lugar à ciência. Na lição 45 de seu extenso e tedioso Curso de Filosofia Positiva, publicado em 1869, Comte defendia que o estudo da mente se tornaria um capítulo da fisiologia.
A desqualificação mútua entre anglo-americanos e franco-alemães continua até hoje. Há filósofos anglo-americanos que sustentam que a história da filosofia não é relevante e franco-alemães que afirmam que a filosofia da mente, a lógica e a bioética sequer podem ser consideradas filosofia. Essa atitude paradoxal, típica do fundamentalismo filosófico é uma inversão da própria natureza da filosofia, que se transforma numa luta pela preservação de uma cidadela, na pregação de uma religião laica.
filósofo, descrito por Platão no diálogo Hípias Maior como um homem mal-educado, grosseiro e sem nenhuma preocupação, exceto com a verdade, era um provocador. Ele testou os limites da tolerância dos cidadãos de Atenas e acabou sendo condenado à morte após um julgamento pífio. Quando foi preso, recusou-se a corromper seus carcereiros e fugir. Com isso, ele driblou seus adversários, pois, por sacrificar sua própria vida, entrou para a história como um mártir da ética que jamais será esquecido.
Desde o início do século XX há um campo de batalha na filosofia no qual a discordância leva à desqualificação. É a famosa luta entre as tradições anglo-americanas e a franco-alemã, caracterizada por alguns historiadores apressados como o conflito entre o continente e a ilha, como se preferências por diferentes estilos de filosofar refletissem um confronto geopolítico. Os anglo-americanos reivindicam uma filosofia com temas voltados para o presente, e os franco-alemães privilegiam a história e a tradição.