Pense como um imperador
Kindle Highlights
O valor potencial do estoicismo me impressionou imediatamente quando me deparei com os livros do estudioso francês Pierre Hadot O que é a Filosofia Antiga? (1998) e Filosofia como maneira de viver (2004).
No entanto, algo me deixou intrigado. Hadot comparou essas práticas filosóficas aos exercícios espirituais dos primeiros cristãos. Como psicoterapeuta, percebi imediatamente que a maioria dos exercícios filosóficos e espirituais identificados por ele poderia ser comparada aos exercícios psicológicos presentes na psicoterapia moderna.
Tomei a frase “Eu sou o que sou” para me referir à pura consciência da própria existência, que a princípio parecia algo profundamente místico ou metafísico para mim: “Eu sou a consciência da minha própria existência”. Isso me lembrou a famosa inscrição do santuário do Oráculo Delfos: Conhece a ti mesmo. Tornou-se uma das minhas máximas. Cresci obcecado com a busca do autoconhecimento, por meio da meditação e de todas as formas de exercícios contemplativos.
Enquanto devorava a literatura sobre o estoicismo, notei que a forma da psicoterapia moderna mais semelhante a ela era a terapia comportamental emotiva racional (TREC), a principal precursora da TCC, desenvolvida pela primeira vez por Albert Ellis na década de 50. Ellis e Aaron T. Beck, o outro pioneiro da TCC, citaram a filosofia estoica como a inspiração para suas respectivas abordagens. Por exemplo, Beck e seus colegas escreveram em Terapia Cognitiva da Depressão: “As origens filosóficas da terapia cognitiva podem remontar até aos filósofos estoicos”3. De fato, a TCC e o estoicismo têm algumas suposições psicológicas fundamentais em comum, particularmente, a teoria cognitiva da emoção, que sustenta que nossas emoções são determinadas principalmente por nossas crenças.