O melhor do Cortella: Trilhas do Pensar - Ideias, Frases e Inspirações - Guido Percu's Notes
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O melhor do Cortella: Trilhas do Pensar - Ideias, Frases e Inspirações

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

O melhor do Cortella: Trilhas do Pensar - Ideias, Frases e Inspirações

Kindle Highlights

Bons propósitos são aqueles que elevam o indivíduo e a comunidade na qual ele está inserido.

A sensação de tempo desperdiçado resulta da falta de conexão entre o que fazemos e os nossos propósitos.

Vale ressaltar que essa produção autoral de 37 livros resulta em grande medida da leitura de mais de 10 mil obras.

Desde sempre, e mais ainda nestes tempos, nossos grandes medos vêm do escuro. O homem não teme o que vê, mas o que não vê.

O que queremos todos, aquilo que vale a pena, é vida longa e boa. Porque só vida longa pode ser uma experiência de agonia inútil.

Isso exige estudo e leitura. Por isso, esses 10 mil livros compuseram essa trajetória de seis décadas desde a minha alfabetização.

Costumo dizer que não é a morte que me importa, porque ela é um fato. O que me importa é a vida que eu levo enquanto minha morte não vem.

Os gregos cultivavam duas expressões para se referir ao tempo: chronos, no sentido de passagem ou contagem do tempo; e kairós, para indicar o momento oportuno, aquele em que algo relevante acontece.

A palavra não é casual: “desanimar”, que vem do latim, significa perder a anima, “perder a alma”. Desanimar é ficar sem o espírito de vitalidade. Desanimar é também desesperar, ou seja, perder a esperança.

O tédio cria um ambiente absolutamente fértil para a criatividade vir à tona. A arte seria impossível com a ocupação contínua. Só existe arte, Filosofia, inovação, digamos, por conta da desocupação eventual.

Há uma diferença entre ser idoso e ser velho. Idoso é aquele que tem bastante idade, velho é aquele que acha que já está pronto, que acha que não precisa mais aprender, que acha que não conseguirá mais aprender.

O indivíduo é dono de si quando é dono do seu tempo. Como para nós, humanos, nosso tempo coincide com a nossa vida, ou seja, o meu tempo é a minha vida, para eu ser dono da minha vida, tenho que ser dono do meu tempo.

Assumir a responsabilidade, ou não, pelo que vai acontecendo em nossa própria vida é uma decisão pessoal, intransferível. É uma questão de cada um buscar o que realmente quer, de reconhecer quem deseja no comando de sua vida.

Eu tenho esta frase: “Uma pessoa é tão mais feliz quanto menos chaves ela tiver”. Porque quanto mais chaves você tem, mais está atrelado a coisas que, em vez de você possuir, elas te possuem, pois precisa tomar conta delas o tempo todo.

Epicuro que, já no século 3 a.C., entendia não ter o humano nenhuma relação com a morte. O ateniense, pregando a calma felicidade, disse não temer a morte porque nunca iria encontrá-la, pois “enquanto sou a morte não é; e desde que ela seja, não sou mais”.

Toda vida é composta por erros e acertos, por dores e delícias. A maioria das pessoas acredita piamente que aprende com os erros. Cautela com isso. Na minha opinião, aprendemos é com a correção dos erros; se aprendêssemos com os erros, o melhor método pedagógico seria errar bastante.

Há pessoas que têm pensamentos diversos do nosso e isso nos auxilia a refinar os nossos pensamentos e nos ajuda também a buscar maior certeza ou até dificuldade naquilo que temos de encontrar. Uma das coisas mais complicadas é respeitar a convicção religiosa que as outras pessoas carregam.

Há pessoas que acabam tendo a sua finitude ainda em vida, isto é, deixam de viver. E o deixar de viver não é aproveitar a vida no sentido da luxúria, do gasto, do consumo exagerado. Mas deixar de viver é não repartir afeto, amizade, competência, dedicação, tudo aquilo que nos dá força vital.

O que podemos constatar é que acabou se invertendo o conceito original de idiota, pois a expressão idiótes, em grego, significa aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política. No cotidiano, o que se fez foi um sequestro semântico, uma inversão do que seria o sentido original de idiota.

A minha tese de doutorado foi orientada por Paulo Freire. A defesa estava marcada para maio de 1997 e, no segundo dia desse mês, o professor Paulo faleceu. Obviamente, a defesa foi postergada. Ela aconteceu em junho e com Ana Maria Araújo Freire, viúva de Paulo Freire, no lugar dele. Mais conhecida como Nita Freire, ela também é doutora em Educação. Eu fui o último e o único orientando de Paulo Freire na década final da vida dele, de 1987 a 1997.