Leia para Investir e Prosperar - Guido Percu's Notes
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Leia para Investir e Prosperar

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

Leia para Investir e Prosperar

Kindle Highlights

“Saber envelhecer seguido de A amizade”

O desejo de status tem uma capacidade excepcional de inspirar sofrimento.

preservar a humildade, evitando a soberba, é importante ao longo da vida.

“Aprendendo a viver” – uma compilação de cartas de Sêneca para seu amigo Lucílio,

“Da tranquilidade da alma” revela: “Confesso que tenho um grande amor pela parcimônia

O medo de perder algo conquistado é pior do que o sentimento de nunca ter atingido uma meta planejada.

“A arte de viajar” (2002) e “A arquitetura da felicidade” (2006), mas foi com “Desejo de status” (2004)

“A volúpia corrompe o julgamento, perturba a razão, turva os olhos do espírito e nada tem a ver com a virtude.”

“É muito melhor comprar uma empresa espetacular a um preço moderado que uma empresa moderada a um preço espetacular.”

E o último, fazer em toda parte enumerações tão completas, e revisões tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir.”

O segundo, dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas possíveis e que fossem necessárias para melhor resolvê-las.

“Conhece-te a ti mesmo, conhece teu inimigo. Tua vitória jamais correrá risco. Conhece o lugar, conhece o tempo. Então, tua vitória será total.”

Todo investidor bem-sucedido tem pelo menos um arrependimento, que é não ter começado a investir mais cedo. Por isso, conversar sobre investimentos e

Buffett foram moldados a partir da influência de quatro baluartes do investimento em valor: Benjamin Graham, Philip Fischer, John Burr Williams e Charlie Munger.

“Que ninguém se demore a buscar a sabedoria quando for jovem, nem se canse na busca dela quando envelhecer. Pois nenhuma idade é muito cedo ou muito tarde para a saúde da alma.”

Marco Túlio Cícero (106 – 43 a.C.) foi um dos maiores juristas e políticos da República Romana, onde foi cônsul, tendo se destacado pela oratória e pelos textos de caráter filosófico.

“Devemos lembrar que o futuro não é totalmente nosso nem totalmente impedido a nós, de modo que não devemos contar tão certamente com ele, nem nos desesperar tanto temendo que não venha.”

Se você perguntar para um investidor veterano sobre seu maior arrependimento com relação ao mercado de capitais, muito provavelmente ele responderá que foi não iniciar sua carreira mais cedo.

esnobismo, termo surgido na Inglaterra no começo do século 19 para designar alunos plebeus de Oxford e Cambridge sine nobilitate. Ao lado de seus nomes nas listas de seleção era escrita a sigla “s.nob.”.

Da mesma forma, se você repetir a questão para um leitor voraz, pode ser que ele transforme o arrependimento em angústia, ao supor que não viverá tempo suficiente para ler todos os livros e autores que julga necessário.

Ele afirma que os empregados ganham dinheiro, pagam os impostos e depois gastam. Nas sociedades anônimas as pessoas ganham dinheiro, gastam, e somente depois pagam os impostos, de modo descontado, pois o montante é diminuído pelos gastos.

“Você deve analisar exaustivamente uma companhia e a saúde de seus negócios antes de comprar suas ações”; 2) “Você deve deliberadamente proteger-se contra prejuízos sérios”; 3) “Você deve aspirar um desempenho ‘adequado’, não extraordinário”.

“Hoje escapei de todas as circunstâncias difíceis e desfavoráveis; ou melhor, arremessei fora todas as circunstâncias difíceis e desfavoráveis; com efeito, não se achavam fora de mim, mas dentro de mim, nos pontos de vista que eu sustentava.”

Na Mitologia Romana havia uma deusa chamada Fortuna: era uma senhora de olhos vendados que caminhava pela Península Itálica portando uma cornucópia – um tipo de vaso do qual ela tirava dádivas e desgraças aleatoriamente, para distribuir a quem encontrasse pelo caminho.

Se tivéssemos que explicar a teoria dos juros compostos usando apenas uma música, ela certamente seria o Bolero de Ravel, que podemos apontar também como a trilha sonora perfeita para aqueles que adotam a estratégia dos dividendos para investir na geração de renda passiva.

O terceiro, conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir aos poucos, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros.

De algum modo, Sêneca provou-se imortal. Ele mesmo fazia a recomendação para que a gente se servisse da imortalidade daqueles que vieram antes de nós, lendo seus livros. A filosofia dos antigos é fonte de sabedoria, que por sua vez, é fonte de prosperidade em vários sentidos.

Do livro de Eclesiastes resgatamos uma passagem atemporal da nova tradução na linguagem de hoje (11.1-2): “Empregue o seu dinheiro em bons negócios e com o tempo você terá o seu lucro. Aplique-o em vários lugares e em negócios diferentes porque você não sabe que crise poderá acontecer no mundo.”

Charlie Munger, que reputamos como discípulo de René Descartes. Em 1996, Charlie Munger fez um discurso que ficou conhecido como “Pensamento prático sobre o pensamento prático” no qual ele compartilhou noções simples para a resolução de problemas – e, consequentemente, para a análise de empresas.

Incentivar o hábito da leitura é tão desafiador quanto incentivar o hábito de investir. Quem já pratica as duas atividades sabe o quanto elas podem ser recompensadoras se levadas com um mínimo de curadoria, no sentido de cuidar e selecionar bem o que será lido ou analisado para um eventual aporte.

“Por que olhas para o cofre? A liberdade não pode ser comprada. Assim, é inútil colocar a liberdade em documentos: não pode ser comprada nem vendida. Esse bem deves dar a ti mesmo, peça-o para ti. Primeiro, livra-te do medo da morte, pois ela nos impõe o seu jugo, e, depois, deves perder o medo da pobreza.”

Lúcio Aneu Sêneca (4 a.C. – 65) foi, talvez, o maior dos filósofos estoicos, posto que colocou em prática seus ensinamentos no momento em que foi condenado ao suicídio pelo imperador Nero, de quem havia sido conselheiro. Sua obra é estudada e repercutida por vários autores pós-modernos, entre eles Nassim Taleb.

A fome de status, como todos os apetites, tem lá suas utilidades: incita-nos a fazer valer nossos talentos, incentivando a excelência, coíbe-nos de cometer excentricidades prejudiciais e une os membros de uma sociedade em torno de um sistema de valores comum. Mas, como todos os apetites, em excesso também pode matar.

“Desprezível é a alma obcecada pelo futuro, é infeliz antes da infelicidade, deseja ter para sempre as coisas que lhe causam prazer. Não terá descanso, e a necessidade de conhecer o futuro lhe fará deixar de lado o presente que poderia ser melhor desfrutado. Temer a perda de algo é o mesmo que já não tê-lo mais consigo.”

Ganhar uma fortuna não é, por si só, a solução dos problemas. Existem herdeiros que desperdiçam tudo em menos de uma geração. Há quem ganhe um prêmio na loteria e poucos anos depois está pobre novamente. Antes de ganhar dinheiro, é preciso aprender a conservá-lo e o mais importante: como ele pode ser multiplicado indefinidamente.

“Examina as coisas formais a nu, ou seja, despidas de seus envoltórios; as referências e finalidades das ações, o que é a dor, o que é o prazer, o que é a morte, o que é a reputação, quem é aquele que é causa para si de suas próprias dificuldades, como ninguém constitui uma barreira para outras pessoas, que tudo não passa de opinião.”

“O primeiro era não aceitar jamais alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal: isto é, evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, e nada incluir em meus julgamentos senão o que se apresentasse de maneira tão clara e distinta a meu espírito que eu não tivesse nenhuma ocasião de colocá-lo em dúvida.

Quem investe em renda variável, através da Bolsa de Valores, torna-se sócio de empreendedores que visam lucros. Os lucros, quando divididos entre os sócios, geram renda passiva para estes. Quando a renda passiva for suficiente para custear as despesas do investidor e ainda permitir o reinvestimento parcial, ocorrerá a independência financeira do mesmo.

“Ouvirás a maioria dizendo: ‘Aos cinquenta anos me dedicarei ao ócio. Aos sessenta ficarei livre de todos os meus encargos’. Que certeza tens de que há uma vida tão longa? O que garante que as coisas se darão como se dispões? Não ter envergonhas de destinar para ti somente resquícios da vida e reservar para a meditação apenas a idade que já não é produtiva?”

Que ocorra um turbilhão, cedo ou tarde, é algo inevitável. O grande problema é não estar preparado para enfrentá-lo. A solução é tentar preservar o que é essencial e abrir mão daquilo que é supérfluo. Podemos desfrutar, sem remorsos, de uma vida confortável numa bela casa de campo, desde que saibamos seguir em frente se, por acaso, perdemos esta condição privilegiada.

Ataraxia: o estado mental que pode te ajudar nos investimentos Como a leitura de Epicuro e dos filósofos estoicos, como Sêneca e Epicteto, pode auxiliar o investidor de renda variável a lidar com a angústia relacionada às incertezas e aos riscos inerentes dos mercados de capitais, onde o temperamento é tão importante quanto o repertório técnico dos agentes envolvidos.

“Passe cada dia tentando ser um pouco mais sábio do que você era quando acordou. Desempenhe seus trabalhos bem e de maneira fiel. Sistematicamente você avançará, mas não necessariamente a passos largos. De qualquer forma, você construirá disciplina ao se preparar para os passos largos. Persevere, dando um passo de cada vez, dia após dia. No final, a maioria das pessoas consegue o que merece.”

A anistia e a década perdida Em 1979 o General João Batista Figueiredo foi conduzido à Presidência da República com a missão de promover a lenta abertura política que devolveria o comando do Governo Federal para os civis. Em agosto daquele ano foi promulgada a Lei da Anistia, que permitiu a volta para o Brasil de opositores perseguidos pelo Regime Militar – agentes repressores também foram perdoados.

Epicuro (341 – 270 a.C.) nasceu na Ilha de Samos, mas desenvolveu sua escola de pensamento em Atenas, na Grécia Antiga. Pouco de seus escritos sobreviveu ao tempo, mas o que chegou até nós reflete que o propósito do ser humano é ser feliz. Na “Carta a Meneceu sobre a felicidade” o filósofo helenístico prega os cuidados com a saúde do corpo e a serenidade do espírito, conforme destacado nas seguintes passagens:

Epicteto (55 – 135) passou a maior parte de sua vida em Roma, como escravo de Epafrodito. Após tornar-se cidadão livre, porém, acabou expulso da Cidade Eterna pelo imperador Domiciano, que era avesso aos filósofos. Assim como Sócrates, não escrevia cartas ou livros, transmitindo seus conhecimentos oralmente. Um de seus discípulos, Flávio Arriano, foi quem registrou “O Manual de Epicteto”, cujos aforismos ecoam até hoje:

“Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai.”

Marco Aurélio (121 – 180) foi o imperador romano mais próximo dos filósofos, sendo ele mesmo um adepto do estoicismo, escrevendo suas reflexões numa espécie de diário que foi resgatado por historiadores após sua morte precoce, em função de uma epidemia que assolou toda a península itálica. As “Meditações” de Marco Aurélio tornaram-se um best-seller em pleno século 21, muito em função do teor terapêutico de suas palavras:

“O homem mais rico da Babilônia” e “Pai Rico, Pai Pobre” em relação à cartilha de alfabetização: os dois primeiros livros são fartamente citados por seus leitores como obras que mudaram sua forma de pensar e agir no trato com as finanças pessoais. Mesmo quem já atingiu estágios mais avançados no ambiente de investimentos, reconhece que estas obras se tratam de leituras de iniciação para o tema e, por isso, são best-sellers mundiais.

“Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja ação nossa. Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres, desobstruídas, sem entraves. As que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem.”

Epicuristas e estoicos – a despeito das diferenças básicas entre eles (enquanto os epicuristas querem evitar a dor e valorizar os bons prazeres, os estoicos miram no desenvolvimento das virtudes pessoais) – possuem várias afinidades, entre elas a necessidade de converter sentimentos ditos insalubres em sentimentos saudáveis. Deste modo, o medo pode dar lugar para a cautela, ao passo que a ganância deve ser suprimida em prol de uma vontade sincera de crescimento pessoal.

“Alguns amam mais as riquezas, outros a saúde, outros o poder, outros as honrarias, muitos preferem ainda os prazeres. Essa última escolha é a dos brutos, mas as escolhas precedentes são precárias e incertas, repousam menos sobre nossas resoluções que sobre os caprichos da fortuna. Quanto aos que colocam na virtude o soberano bem, sua escolha certamente é luminosa, já que essa mesma virtude que faz nascer a amizade e a conserva, pois, sem virtude, não há amizade possível!”

A noção de brevidade da vida e da inexorável ocorrência da morte nos coloca numa perspectiva de igualdade perante os demais, que particularmente o cristianismo soube explorar ao longo dos séculos, trazendo conforto psicológico para aqueles que dificilmente alcançarão o sucesso em vida. Diante da imensidão do universo, que para os religiosos está representado pela intervenção divina, as diferenças entre ricos e pobres – vencedores e fracassados – é absolutamente irrelevante.

Em termos biográficos, o livro mais notório sobre Warren Buffett é “A bola de neve: Warren Buffett e o negócio da vida”, de Alice Schroeder – um tijolo de quase mil páginas que esmiúça a trajetória da vida do investidor. Porém, quando o enfoque é sobre o modo com o qual Buffett lida com investimentos – seja em participações, seja em empresas inteiras – o livro mais assertivo é “O jeito Warren Buffett de investir: Os segredos do maior investidor do mundo”, de Robert G. Hagstrom.

O problema central de “Os axiomas de Zurique” é que o livro não faz distinção entre investidores e especuladores. Para Gunther, todos são especuladores, sem exceção. É uma visão diametralmente oposta da expressa por Benjamin Graham em outro livro, bem mais fundamentado: “O investidor inteligente”. Para Graham, o investidor é um analista cético que não faz apostas, pensando sempre no longo prazo. Para Gunther todos são apostadores, seja na Bolsa de Valores, na roleta, na mesa de pôquer, no hipódromo ou ainda nas cartas de tarô –

O livro foi lançado em 1989 com o título original de “One up on Wall Street”, que numa tradução livre seria algo como “Um olhar sobre Wall Street” – referente à rua onde fica a Bolsa de Nova York, a principal do mundo. O título no Brasil (“O jeito Peter Lynch de investir”) cria uma relação artificial com “O jeito Warren Buffett de investir” (“The Warren Buffett Way”), que não foi escrito pelo majoritário da Berkshire Hathaway, mas por um de seus incontáveis admiradores: Robert Hagstrom. Idiossincrasias do mercado editorial brasileiro.

“Afinal, existe alguma coisa que seja indiscutivelmente um bem para o homem? Há, sim: a sabedoria. Somente a sabedoria propicia a verdadeira boa fortuna, pois apenas ela transforma o que acontece aos mortais em bens. A sabedoria possibilitará ao homem desfrutar sua saúde e ser perseverante na doença, fazer bom uso tanto da beleza física quanto da feiura, não ver no ‘status’ social um mérito ou um demérito próprio ou alheio, usufruir o prazer e suportar a dor quando for preciso. A sabedoria, enfim, permitirá ao homem ser livre, viver bem e morrer bem.”

Entre aqueles que nadaram contra a corrente, sobrevivendo ao crash das Bolsas de São Paulo e Rio de Janeiro em 1971, e escreveram sobre os primórdios do moderno mercado de capitais do Brasil, estão Décio Bazin e Gerard Haentzschel. O primeiro é autor de “Faça fortuna com ações antes que seja tarde”, livro lançado na década de 1990 que segue em evidência. Do segundo pouco se sabe, pois sua obra quase caiu no esquecimento: o pioneiro “Ações & precauções” é uma raridade até nos sebos, mas tem um conteúdo de grande valor, dado as condições adversas nas quais foi elaborado. Bazin e Haentzschel reinventaram a roda do Value Investing e da estratégia de focar em renda passiva no Brasil, operando no escuro e sem ter conhecimento profundo do que acontecia fora do país. Isso faz deles pratas da casa que merecem nosso reconhecimento.

Conforme Alain de Botton relata em seu livro “As Consolações da Filosofia”, Sêneca propunha que as pessoas fizessem uma meditação diária logo ao acordar, que ele denominou como “praemeditatio”. Nela, deveríamos pensar, por alguns minutos, no que de pior poderia nos acontecer naquela data. No caso de um terremoto, as pessoas poderiam perder suas casas – o que seria terrível. Ocorre que os terremotos não acontecem todos os dias. Hoje, sabemos que eles não acontecem em todos os lugares. Então, como na maioria dos dias as tragédias não ocorrem, aquele que adota os ditames da filosofia estoica, reconhecendo que a deusa Fortuna não lhe deve nada, tende a colher mais motivos para ser feliz no longo prazo. Nas palavras atribuídas à Sêneca, “nenhuma dádiva da Fortuna nos pertence de fato”. Ele prossegue: “Nada, seja público ou privado, é estável; os destinos dos homens, assim como das cidades, estão sujeitos a um turbilhão.”

Vale lembrar que o conceito original de apatia era diferente no tempo dos estoicos, cuja filosofia pregava a busca pela ausência de sofrimento, no sentido de se atingir a imperturbabilidade – algo que poderia ser conquistado pelo autoconhecimento através de frequentes reflexões. Portanto, ao invés de tratarmos da apatia como algo benéfico para estudantes, trabalhadores e investidores, em função da interpretação errônea que isso poderia causar, vamos adotar um termo mais preciso, pregado pelos epicuristas, cuja escola de pensamento também floresceu na Grécia e na Roma Antiga: a ATARAXIA, que engloba o sentimento de tranquilidade advindo do domínio das emoções, possível de ser alcançado mediante a autocontemplação. O objetivo de atingir o estado de ataraxia não é eliminar as emoções, pois isto, no caso dos investidores, seria como tentar eliminar os riscos dos investimentos. A questão é aumentar a capacidade de controle, tanto dos riscos como das emoções, aprendendo a lidar com ambos de forma serena e equilibrada.

“Take Five” quase sete minutos e meio de duração, e começa com a bateria de Joe Morello. Trata-se do único instrumento que toca em toda a execução. A bateria representa a renda obtida por um ofício. Então, que o investidor novato não se engane: sem a dedicação a um ofício, dificilmente ele será vencedor no mercado financeiro, especialmente nos primeiros anos. Na sequência entra o contrabaixo de Eugene Wright. Em nenhum momento este instrumento é o grande destaque da música (feito um ativo de renda fixa na carreira de um investidor arrojado), mas é ele que ajuda a sustentar o ritmo e a harmonia do conjunto, ofertando proteção (hedge) entre as variações de solo dos demais instrumentos. Sem o contrabaixo, “Take Five” ficaria seca e contrastante demais. Dave Brubeck adiciona o piano logo em seguida, estabelecendo a toada que será a chave para música como um todo, sem ser o instrumento protagonista da peça. O piano atua como os fundos imobiliários, adicionando renda passiva na composição, preparando a introdução do instrumento que faltava na receita: as ações. Quando se fala em investimentos na Bolsa de Valores, a associação imediata é feita com as ações de grandes empresas de capital aberto. É como o saxofone no Jazz e “Take Five” é reconhecida entre os entusiastas deste estilo musical pelas inserções do saxofonista Paul Desmond.