Latim em pó - Guido Percu's Notes
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Latim em pó

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

Latim em pó

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quedo zero

regionais.Um

(Algarve, o nome da região sul de Portugal, vem de Al-gharb: “o oeste”)

Como afirmar que Cícero, tantas vezes citado aqui, era chamado de Kíkerus por seus conhecidos?

E mais: adolescentes, hoje, ontem e sempre, não falam, não falavam e nunca falarão a língua dos pais.

(Pois é. Já pode acrescentar ao seu currículo profissional a capacidade razoável de leitura em um novo idioma.)

Um negro crioulo, nascido na fazenda, tinha uma posição diferente da de um preto mina, ou áfrica, trazido de fora.

O português, então, não “vem do latim” diretamente. Vem do galego, que — este, sim — veio do latim. Mais um desvio de trajetória.

latim tardio episcopu (de origem grega, com o sentido de “supervisor”) gerou em português a palavra obispo, por sua vez reinterpretada como o bispo.

Por acreditarem no poder e na permanência da palavra escrita (verba volant, scripta manent, diziam: as palavras ditas voam, as escritas permanecem),

Desde o surgimento dos registros escritos, alguém reclama que os jovens estão acabando com a língua, seja ela o fenício, o tailandês ou o português.

“Quantas línguas existem hoje no mundo?” (mais de sete mil), precisamos começar pela discussão do que é uma língua. E tudo fica ainda mais difícil se,

Alá, que por vezes pensamos ser o nome de uma divindade, é apenas a palavra árabe que corresponde ao grego Théos, ao latim Deus, ao alemão Gott e ao romeno Dumnezeu.

oxalá, derivado do wa xa ‘llah [e queira Deus], variante do in xa’llah que aparece dezenas de vezes ao dia nas conversas entre muçulmanos em qualquer lugar do mundo.

num ponto mais ou menos identificável com o joelho da bota da Itália, numa região ainda hoje chamada de Lácio (Latium em latim, Lazio em italiano), um povo que entrou para a história como “latino”.

(Esse fenômeno continua vivo: você fala bãnãna ou bánãna, mas nunca bánána; a tônica seguida de consoante nasal vai ser sempre pronunciada com um som nasal pelos falantes nativos, e era essa pronúncia que restava quando a consoante caía.)

E o que dizer dos ditongos nasais, essa coisa ainda mais estranha e aparentemente única do nosso idioma? Só nós sabemos dizer não. E tanto essa pronúncia quanto sua representação levaram algum tempo até se uniformizar. Tivemos nam, non, nõ…

(É a mesma tendência que ainda opera em nosso português, que nos faz dizer xicra em vez de xícara ou óclos em vez de “óculos”, e que marcou tão fortemente a palavra abóbora — ou abobra — que hoje nós nem estranhamos mais o nome “abobrinha”.)

Nosso verdadeiro problema é que por muito tempo tentaram nos convencer de que as mudanças que operamos no idioma eram todas ilegítimas, tentaram nos fazer acreditar que somente as alterações do nobre passado eram aceitáveis, nunca as nossas.

Na verdade, este é um fato que os linguistas consideram há muito irrefutável: qualquer bebê neurologicamente típico parece capaz de aprender qualquer língua do mundo (e muitas vezes mais de uma ao mesmo tempo) numa velocidade mais ou menos padrão

Em latim (clássico), vulgus queria dizer “povo”. É isso, somado àquele sistema que alterava o final da palavra conforme sua função, que explica o nosso uso de vulgo antes de um apelido. É como se disséssemos: fulano, para o povo (vulgo): fulaninho.

Linguisticamente, não deixa de ser curioso, por exemplo, que a nossa palavra esquerdo (izquierdo em espanhol) seja bastante parecida com a palavra basca ezker e diferente das palavras que o latim e outros idiomas românicos empregam com o mesmo sentido.

Na vida real, o problema acaba sendo contornado com construções como “Eu amo a Sandra”, que não ofendem nem os ouvidos nem o repressivo professor de gramática que a escola por vezes consegue implantar para sempre na parte mais primitiva do nosso cérebro.

Outras palavras bantas também parecem, como vimos em certos vocábulos de origem tupi, ter uma ligação afetiva muito direta com a nossa língua. É certamente o caso de caçula e cafuné, que, mais do que carregarem afeto, estão bastante associadas à infância.

O mesmo vale para o grande problema por trás da velha questão de decidirmos chamar ou não de brasileiro o idioma que falamos. Os franceses, por exemplo, já se referem desse modo à nossa língua quando nos traduzem, e mal perguntaram nossa opinião a respeito.

E o caso do árabe, idioma difundido como língua de religião e de cultura de forma razoavelmente uniforme através de um território gigantesco, mas separado em incontáveis formas regionais por vezes bastante diferentes, a ponto de nem serem tão inteligíveis entre si?

Temporalmente, é uma verdade constante que todo padrão de hoje foi o erro de ontem. Espacialmente, é uma verdade constante que o padrão daqui é o erro dali. Socialmente, é uma verdade constante que o padrão alto e o padrão baixo se equivalem em termos de validade. E,

Já entre nós… Pense nas palavras céu, seu, exceto, caça, nascer, exsudar, osso, cresça, próximo. Em cada uma delas o mesmo som (s) é escrito de maneira diferente. Por outro lado, a humilde letra x pode representar sozinha quatro sons da língua (xepa, exato, táxi, próximo).

O mais elevado discurso renascentista francês, o sofisticado italiano da Divina comédia, bem como Dom Quixote, Os lusíadas e os romances contemporâneos de Mircea Cărtărescu — tudo isso deriva da língua dos pobres, dos analfabetos. Dos vulgares falantes desse latim popular.

Mas para ficarmos com um exemplo de fato radical, vamos pegar o archi, língua falada na antiga república soviética do Daguestão. Só para você ter uma ideia, estima-se que em archi um único verbo possa assumir mais de um milhão de formas diferentes em situações reais de uso.

Por isso se encontra um vocabulário germânico numa área grande da România; a palavra “guerra” (do germânico werra, que também levaria ao inglês war) em toda parte substituiu o latim vulgar bello (exceto, como você já pode ter percebido, em formas eruditas como bélico, beligerante etc.).

Pense no caso de fetiche, que chegou ao português como empréstimo do francês, mas isso só depois de ter chegado ao francês, pasme, como um empréstimo do português! A palavra feitiço foi alterada pela pronúncia dos franceses, virou fétiche e retornou à nossa língua com um sentido diferente.

Apesar das adversidades, foi a língua falada por negros e mestiços que dominou o Brasil. Somos um país que fala português como fruto direto da presença negra. Talvez caiba deixar de lado por um momento a bela ideia da “última flor do Lácio”. O português brasileiro foi um broto africano, flor de Luanda.

Em nosso caso, no que ia se tornando a terra dos portugueses, foram necessárias algumas adaptações especiais, como a cedilha, representação subscrita de uma letra z, o til, representação sobrescrita de um n, bem como os dígrafos ch, nh e lh, provavelmente importados do provençal, língua românica do sul da França.

Afinal, porque temos dor, mas doloroso? Cor, mas colorido? Quente, mas calor? A explicação desse fenômeno, de por que a forma mais corrente sofreu mais desgastes (assim como qualquer peça de uso cotidiano), enquanto a forma um tanto mais elevada, de uso mais restrito, acabou se mantendo mais próxima dos sons do latim

As regras de uso de uma língua não podem ser mais determinantes do que o coletivo de seus usuários. Se uma maioria expressiva de falantes se comporta de forma contrária ao que a regra prevê, isso aponta para a necessidade, sim, de alterar a regra e fazer com que ela expresse mais adequadamente os usos da língua na sociedade.

Eu daqui me despeço e te digo em bom latim clássico (saluare) mastigado pela plebe do Império Romano (salvare), estropiado pelos celtiberos, desentendido pelos germânicos, tingido pelos árabes (salvar), imposto aos indígenas da América (sarvá) e finalmente alterado pelos padrões silábicos dos idiomas de negros africanos: Saravá.

dezenas de outras palavras. Dolor virando dor, calente virando caente e depois quente… Mesmo sem conhecer todo esse processo, você, falante contemporâneo do português brasileiro, podia até imaginar que alguma coisa estranha aconteceu com essas palavras. Afinal, porque temos dor, mas doloroso? Cor, mas colorido? Quente, mas calor?

Linguisticamente, somos todos filhos das camadas mais humildes dos falantes de latim, língua que é rica e complexa exatamente por ter todo esse repertório de formas, níveis, estilos e recursos. Como qualquer grande idioma de uma sociedade complexa, o latim era muitos latins; e o latim da maioria não era exatamente o dos gramáticos.

mencionada por Caetano Veloso: o convívio entre flor do Lácio e sambódromo. Um idioma que gerou inclusive essa coisa maravilhosa que é a palavra sambódromo, mistura de um radical grego que significa “correr” (hipódromo, lugar onde correm os cavalos) com uma palavra africana que, segundo Yeda Pessoa de Castro, originalmente queria dizer oração.

Todas aquelas pessoas que um dia ergueram as vozes que nos deram o “céu” (indo-europeu) “azul” (persa), que nos desejaram “axé” (fon), que nos moldaram o “barro” (ibérico) ou um “carro” (celta) de “boi” (latim), aquelas que por “azar” (árabe) atravessaram “guerras” (germânico), as mães que nos fizeram “pipoca” (tupi) e zelaram por nossos “cochilos” (banto).

Pense nas palavras quitanda e carimbo. Elas provêm do quimbundo e, apesar de terem sentidos muito neutros, singelos em nosso uso cotidiano, têm uma história dolorosamente ligada ao tráfico de gente africana, pois na origem se referiam, respectivamente, aos locais onde os escravizados eram vendidos na África e ao sinete de ferro quente com o qual eram marcados na própria carne.

O Brasil unificado que fala português só começa a se delinear um ano depois da declaração da Independência, em 1823, quando o Estado do Grão-Pará e Maranhão, área que, grosso modo, compreendia a nossa atual região Norte e onde ainda se falava muito nheengatu, decide se unir aos independentistas do Sul. A Amazônia só passaria a ser terra fundamentalmente lusófona lá pelos anos 1920.

Isso está bem marcado na famosa formulação de Olavo Bilac, que chamava o português de “última flor do Lácio”, em referência à região italiana em que se formou a língua latina. (Só para lembrar, na sequência do verso ele faz questão de chamar essa flor de “inculta”.) A mesma lógica se estende até o verso de Caetano Veloso que batiza este livro, que pensa nossa língua como uma espécie de “latim em pó”.

Sem escola, sem livros chamados de gramática, sem dicionários, essas línguas não contavam com os vigorosos mecanismos atuais de controle de velocidade da mudança, que cumprem um papel tão importante nesse processo. Pois desde o momento em que passamos a ter um grande repertório de escritos em determinada língua, é interessante tentar conter a velocidade que irá determinar a obsolescência desses textos.

uma frase como “Os menino caiu”, em que a marca do plural fica apenas no artigo os, com o substantivo e o verbo no singular. Diga-se de passagem, só para eliminar qualquer sombra da ideia de que essa construção é intrinsecamente “inferior”, que o inglês-padrão, dito correto, também é caracterizado por processos dessa natureza; pense numa frase como The boys fell, onde só há marca de plural em um dos elementos.

Um dos critérios mais interessantes para determinar as fronteiras de um idioma no tempo e no espaço é pura e simplesmente interrogar seus usuários. Se dois indivíduos de comunidades próximas, que utilizam formas muito semelhantes de uma mesma língua-mãe, deram nomes diferentes aos seus idiomas e se identificam como falantes de A ou B, esse critério pode, afinal, ser o melhor. Língua é, assim, aquilo que se considera uma língua.

Questões como essas aparecem em todos os idiomas usados por sociedades urbanas complexas: acusações de erro e de ilegitimidade são tentativas de caracterizar os falantes das variedades populares (especialmente os que não tiveram acesso à variedade escolar) como inferiores, ignorantes, limitados. Com uma pitada a menos de preconceito e duas a mais de curiosidade, no entanto, essa diversidade se torna absolutamente fascinante em qualquer idioma.

A língua dos sonetos de Camões pareceria uma barbaridade para um usuário da forma clássica da língua de Roma. Isso porque, como dizia o próprio Camões, uma das maiores verdades da condição humana é que tudo muda o tempo todo. Mas é bom não esquecer que no mesmíssimo poema Camões termina reclamando que na época dele essas mudanças machucavam mais, pois “não se muda já como soía”. A mudança que acontece diante dos meus olhos é aquela que me agride.

Quando a Índia se tornou independente da Inglaterra em 1947, e logo depois se dividiu em três países (Índia, lar sobretudo da população hindu, e os Estados gêmeos mas separados Paquistão e Bangladesh, que acolheriam a população muçulmana), o hindustâni, grande língua franca de toda a região, se viu definido como urdu nos países muçulmanos. Assim, como que da noite para o dia, o que era uma língua que até ali podia atender pelos dois nomes tornou-se duas.

Mas ao contrário da escrita, que hoje sabemos ter sido inventada de maneira independente em ao menos quatro lugares (inclusive na América Central) e em momentos diferentes, por enquanto temos alguma clareza de que a linguagem surgiu de uma única vez, por mais que esse processo tenha se dado ao longo de um período extenso e se espalhado por uma região ampla — na África subsaariana, no mínimo 100 mil anos antes da Era Comum, antes da difusão definitiva dos hominídeos modernos pela Europa e além dela.

Aposto que o nosso índice de “desobediência” do emprego da preposição de numa frase como “Você é alguém de que eu gosto” é muitíssimo maior do que a taxa diária de sinais vermelhos ignorados pelos motoristas. Isso acontece porque a determinação de uma norma culta do idioma não é um sinal vermelho. A violação dessa regra não põe em risco a segurança de ninguém, não pode ser realmente policiada nem originar a aplicação de uma multa. As leis da gramática escolar não são leis de verdade e nem deveriam ser.

Primeiro é preciso falar sobre o termo crioulo, de uso estabelecido na linguística, mesmo em idiomas não românicos como o inglês (creole), o alemão (kreol) e até o suaíle (krioli). A palavra tem origem românica e certamente se popularizou a partir do francês créole. Como a nossa palavra criança, ela deriva do verbo criar. É nesse sentido que até hoje no Brasil se fala em cavalo crioulo ou em queijo crioulo: nascidos ou feitos ali mesmo, não importados. É assim que cabe pensar nas línguas ditas crioulas. Elas, num sentido muito forte, não vieram de fora, nasceram onde são faladas.

A prolongada presença dos suevos no noroeste da península também pode explicar por que, em português, temos chuva a partir do latim pluvia (de novo, lembre que em nossa língua existe um adjetivo pluvial). É um caso semelhante ao do número oito, em que cada língua românica produziu um resultado diferente e regular para um mesmo som latino. O italiano tende a resolver esse pl vertendo-o em pi (pioggia); o francês, o catalão e o romeno o mantêm (pluie, pluja, ploaie); já o espanhol termina com um lá (lluvia), mas este estranho ch do português (que de início era pronunciado tch) pode ter sua origem no domínio suevo.

O cultismo mácula, como boa proparoxítona, é um item importado nesse período (o dicionário Houaiss registra sua presença na língua apenas em 1568), mas suas formas populares (sim, no plural), que evoluíram de modo diferente em regiões e circunstâncias diferentes, são muito mais antigas. Malha aparece no século xiii, mágoa no xiv e mancha no xv. É um belo exercício tentar entender a migração de sentidos entre esses termos: afinal, uma mágoa é uma espécie de mancha, seja no coração ou na canela (na minha infância ainda se dizia que uma pancada que não tirou sangue só magoou), e um animal malhado tem máculas claras na pelagem escura, ou vice-versa.

Aliás, só a história dessa palavra já bastaria para demonstrar o tamanho da explosão que representou a expansão daquele povo pelo continente europeu, e depois mundo afora. De início, o termo “latino” serviu para identificar apenas essa pequena civilização num lugar qualquer da Europa, mas com o passar do tempo começou a nomear conjuntos e mais conjuntos de povos latinizados, chegando depois ao Novo Mundo com as grandes navegações europeias, até se tornar, atualmente, uma das bandeiras das guerras identitárias norte-americanas, em que a grafia latinx virou um dos grandes símbolos da luta contra preconceitos de gênero que estariam embutidos na língua. Roma é um mundo.

Não custa lembrar que aquele conjunto de signos tinha sido imaginado para dar conta de maneira mais do que satisfatória dos sons de um único idioma, o latim, e hoje é usado pelas mais variadas línguas. Com isso, esse abecedário teve que passar por estranhos processos de adaptação. Riscos, pingos, traços, bolinhas, letras dobradas, encontros de consoantes para representar um único som (o que na linguística se chama de dígrafo), tudo foi sendo improvisado para permitir que sons inimagináveis para um Sêneca ou um Virgílio pudessem ser escritos com aquelas mesmas letras. Para poder reproduzir sons desconhecidos do latim, chegamos até a inventar letras novas, como o j (originalmente um i mais longo) e o v (derivado da forma angular do u, usada em inscrições monumentais).

Trata-se do fato de que (como o japonês, e também o tupi) as línguas bantas tendem a aceitar apenas sílabas compostas de uma consoante seguida de uma vogal. Nada de encontros consonantais, nada de sílabas que se fechem com outra consoante. É uma linha de pesquisa interessante averiguar quanto isso pode ter determinado, por exemplo, nossa preservação mais plena do vocalismo latino (que é mastigado pelos portugueses), a inserção de vogais para desfazer certos encontros consonantais (como em rítimo, téquinico), o apagamento do r dos infinitivos (catá, fazê, medi) e mesmo nossa dificuldade em lidar com palavras que apresentam dois encontros consonantais seguidos (própio, poblema, dible). Assim, estaríamos, talvez, diante de um quadro que mal pode ser tratado como simples influência: ele indicaria que nosso português parece ter sido estruturalmente alterado por esses falantes de línguas africanas.

Os romanos chamavam de mauri (singular maurus) os habitantes berberes do norte da África, o que deu origem ao nome da Mauritânia atual e aos nomes próprios Mauro, Maura e Maurício. Foi como mouros, ou moros, formas derivadas daquela primeira, que esses povos foram inicialmente conhecidos na Ibéria. Com o tempo, a palavra passou a se referir a toda a cultura islâmica da região (árabe-berbere, portanto), e no uso comum dos dias de hoje ela às vezes se refere apenas aos árabes. Outra derivação, também baseada num choque de alteridades, foi a que fez com que se chamasse alguém de mouro por causa da cor da pele. Ainda hoje se pode usar o adjetivo mourisco com o sentido de “escuro” em português. E é daí que tiramos a nossa brasileiríssima palavra (e, de novo graças a Caetano Veloso, que batizou assim seu primeiro filho, também o nome próprio) “moreno”, que veio do latim para se referir aos berberes, passou pelo árabe e pela Ibéria e descreve como poucas a nossa terra: palavra que é ela mesma uma história de convívio, preconceito, exclusão e sobrevivência.