Histórias do presente
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Citando a obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, o psiquiatra alertou para o perigo de esperar uma oportunidade ideal para tomar uma atitude.
coleções de arte moderna no país têm sido motivo de disputa por originais e mesmo alguns das obras mais icônicas da cultura nacional, como o quadro Abaporu, de Anita Malfatti, pertence ao argentino malba.
A propósito, vale a pena ressaltar que, no livro Por que a democracia brasileira não morreu?, os cientistas políticos Marcus André Melo e Carlos Pereira destacaram que as instituições democráticas cumpriram o seu papel no sentido de garantir a democracia.
Em poucas semanas, para além do trabalho dos profissionais da saúde, os pesquisadores desempenhavam um papel fundamental para entender a dinâmica da doença, como o físico norte-americano Yaneer Bar-Yam, do Instituto de Sistemas Complexos da Nova Inglaterra. Naqueles primeiros dias, Bar-Yam defendia o lockdown como medida de contenção da pandemia.
No Brasil, em meio à pandemia, a discussão ganhou relevo a partir das intervenções de intelectuais públicos, como Lilia Schwarcz e a polêmica em torno de um texto para a Folha de S.Paulo; Silvio Almeida e sua participação no programa Roda Viva, da tv Cultura, falando de racismo estrutural, conceito bastante difundido nos últimos anos; sem mencionar Djamila Ribeiro, uma das principais vozes da intelectualidade, apresentando o controverso tema do “lugar de fala”.
Episódio 677 Juliano Spyer Quem são os evangélicos? E por que eles importam? Em 2020, um livro veio lançar luz sobre o tema, tomando como base uma leitura bastante original. Em O povo de Deus: Quem são os evangélicos e por que eles importam, Juliano Spyer argumenta que o preconceito expressado por muitos brasileiros escolarizados contra o cristianismo evangélico reflete o preconceito contra pobres que não se vitimam e que buscam sua inclusão social via educação e consumo.
Autora de um dos primeiros perfis36 de Bolsonaro na imprensa tradicional, a jornalista Consuelo Dieguez acabara de publicar o livro O ovo da serpente, que narra, no estilo de um thriller, os momentos decisivos para a ascensão do político, começando pelo episódio da facada — ponto de não retorno para a eleição de 2018, que quase se consumou no primeiro turno — e depois detalhando como Bolsonaro foi se consolidando como alternativa política viável num momento de grave crise de lideranças partidárias.
Quando estourou o Zika vírus, Iamarino já havia publicado um paper, em parceria com outros autores, acerca de como se dava a circulação do vírus no continente africano. Publicado em 2014, hoje em dia o paper tem mais de 64 mil visualizações e conta com quase setecentas citações.97 Quem é da área científica sabe que esse alcance é gigantesco. No entanto, esses números não fazem cócegas no vídeo sobre o mesmo tema disponível no YouTube: lançado em 2015, o vídeo conta com mais de 660 mil visualizações.
Na última intervenção da entrevista, a pesquisadora afirmou que era preciso dar o devido relevo a Luiz Gama. “Precisamos entender o destaque que ele teve no século xix. Como brasileiros, precisamos saber disso. Nós temos um grande patrimônio no caso de Luiz Gama, que é o único ex-escravizado que se tornaria abolicionista.” De certa forma, esse reconhecimento apareceu, ainda que tardio. Luiz Gama foi homenageado pela escola de samba Portela no Carnaval de 2024. O samba-enredo foi inspirado no livro Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves. Embora não tenha conquistado o prêmio de campeã do Carnaval, a Portela recebeu o Estandarte de Ouro como a melhor escola do ano.
O título da entrevista, aliás, serve de prenúncio para o que aconteceria nos anos seguintes, quando o argumento liberal retornaria com força e com fôlego para as plataformas de governo dos mais diferentes candidatos. É preciso ressaltar, no entanto, que o próprio Castro Rocha sublinhou que Merquior, como pensador, estava próximo da linhagem liberal social, uma categoria apresentada no livro O liberalismo: Antigo e moderno, publicado primeiramente em inglês e depois lançado no Brasil. Essa anotação é importante porque, tendo morrido muito jovem, no início dos anos 1990, Merquior ficou identificado como ideólogo do governo Collor, o que ajudou a diminuir a presença de sua obra no imaginário intelectual brasileiro.
Comentando essa situação, Lotufo lembrou que o Supremo Tribunal Federal77 havia reconhecido a competência de estados, do Distrito Federal e de municípios no combate à covid-19. “Essa medida teve um intuito óbvio de que o governo federal acabasse com qualquer medida efetiva dos Estados. Por outro lado, concedeu autonomia indevida aos governadores e aos prefeitos.” Como exemplo, o epidemiologista citou o caso do shopping localizado entre Votorantim e Sorocaba, no estado de São Paulo. Metade do centro comercial ficou aberta e a outra metade, fechada. “Não é possível uma decisão municipal e outra estadual. Nós padecemos porque não temos uma estrutura de Estado de vigilância epidemiológica. Há uma necessidade imensa para que exista esse tipo de instituição.”
o escritor Martim Vasques da Cunha apresentava, no livro A poeira da glória, uma inesperada história da literatura brasileira ao promover uma interpretação singular da nossa cultura, com base na história intelectual de alguns dos principais autores nacionais. Em sua entrevista ao Podcast Rio Bravo, o escritor detalhou os pontos de contato entre a visão convencional da literatura brasileira, com seus heróis para sempre elogiados, e a análise a respeito desses mesmos escritores. Assim, logo no início ele justificou por que a obra de Machado de Assis, embora de notável talento estilístico, é um exemplo singular da “poética da dissimulação”. Para chegar a essa conclusão, o autor de A poeira da glória argumentou sobre o fato de os escritos machadianos espelharem determinados comportamentos bastante comuns à mentalidade nacional.
Anos mais tarde, Flavio Dino, que tomou posse como ministro do Supremo em fevereiro de 2024, disse em um evento para alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo que “é falsa a ideia de que o Supremo, quando se abstém de decidir alguma coisa, fez o certo”. Para ilustrar o seu argumento, o ministro citou como exemplo o caso de Olga Benário Prestes, a judia comunista que foi deportada na década de 1930 na antessala da Segunda Guerra Mundial, quando a perseguição contra os judeus já havia começado. Nas palavras de Dino, “Quem tiver dúvida, olhe o julgado do Supremo sobre a deportação de Olga Benário. Uma cidadã alemã, é verdade, casada com um brasileiro, grávida de um bebê e que foi para a Alemanha e morreu no campo de concentração. Ela buscou evitar essa deportação onde? No Supremo Tribunal Federal. E o que foi que meus colegas da época disseram? Isso é ato político. Não é algo de importância. É certo entregar uma mulher grávida para morrer no campo de concentração?”.27
O autor do Poema sujo foi categórico quanto à proposta das manifestações artísticas contemporâneas: uma arte sem linguagem, lamentou, destacando que muitos artistas buscam o novo pelo novo. Diferentemente do que acontece com outros observadores, a opinião de Gullar se fundamenta numa avaliação que remete às vanguardas europeias do início do século xx. Para o poeta, uma tendência niilista das artes começou com Marcel Duchamp, que nomeou o urinol de Fontaine. Ao agir assim, explica Gullar, Duchamp embaralhou o estatuto das criações artísticas, privilegiando a releitura que, no limite, dá a entender que tudo o que o artista disser que é arte será arte. A crítica de Gullar encontrava eco em outros autores de sua geração, como o também poeta Affonso Romano Sant’anna. Fora do Brasil, nomes como o do filósofo Roger Scruton e o do historiador Paul Johnson igualmente denunciavam as questões da arte contemporânea. Essa posição não reservou os melhores predicados ou aceitação a Gullar, que era percebido como uma figura com posição conservadora, conforme se lê no artigo do jornalista Marcos Augusto Gonçalves para a Folha de S.Paulo, “Paranoia ou mistificação?”.69 Marcos Augusto Gonçalves alude aqui ao célebre artigo de Monteiro Lobato, que, nos primeiros anos do modernismo, deu esse título a uma contundente crítica a propósito da obra de Anita Malfatti.