ECONOMIA NUMA ÚNICA LIÇÃO - Guido Percu's Notes
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ECONOMIA NUMA ÚNICA LIÇÃO

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

ECONOMIA NUMA ÚNICA LIÇÃO

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necessidade torna-se uma consideração subordinada. Tem-se que inventar “projetos”. Em vez de

Quando oferecer emprego constitui um fim, a necessidade torna-se uma consideração subordinada.

Em síntese: bem pesado tudo, as máquinas, os aperfeiçoamentos tecnológicos, a automação, as economias e a eficiência não deixam os homens sem trabalho.

Mas, em qualquer caso, essas consequências a longo prazo estão contidas na política econômica, com a mesma certeza com que a galinha estava no ovo, a flor na semente.

Quando não podemos encontrar um argumento melhor para a manutenção de qualquer grupo de funcionários, que o de manter o poder aquisitivo deles, é sinal de que chegou o momento de nos desembaraçarmos deles.

A arte da economia está em considerar não só os efeitos imediatos de qualquer ato ou política, mas, também, os mais remotos; está em descobrir as consequências dessa política, não somente para um único grupo, mas para todos eles.

Nenhum simples infortúnio, nenhum simples mau governo contribuirá tanto para tornar uma nação pobre, quanto o progresso constante do conhecimento físico e o esforço constante de cada pessoa para progredir na vida contribuirão para tornar uma nação próspera.

Aquele empreendimento tão grande que “o capital privado não teria podido realizar”, foi, na verdade, realizado pelo capital privado— pelo capital expropriado mediante imposto (ou, se o dinheiro foi tomado como empréstimo, acabará sendo expropriado também com impostos).

Economistas clássicos: Adam Smith, Jeremy Bentham, Thomas Mal-thus, David Ricardo, e outros, desenvolveram um sistema de pensamento econômico que defende um mínimo de intervenção do governo, a livre iniciativa e o livre comércio, e que considera o trabalho a fonte de riqueza.

Às vezes, ficam surpreendidos ao perceberem que concordam com o mercantilismo do século XVII. 2 Incorrem, na realidade, (ou incorreriam se não fossem tão contraditórios) em todos os antigos erros que os economistas clássicos,3 como esperávamos, se haviam libertado de uma vez por todas.

Por outro lado, afirmarão os tecnófobos (como de fato afirmam quando se lhes assinala que as profecias de seus predecessores se mostraram absurdas): “Tudo isso poderia muito bem ser certo no passado; mas as condições atuais são fundamentalmente diferentes; não podemos de forma alguma, agora, admitir o desenvolvimento de qualquer outra máquina que venha poupar mão-de-obra.”

Muitas das mais frequentes falácias no raciocínio econômico provêm da tendência, especialmente acentuada hoje, de pensar em termos de abstração—a coletividade, a “nação”—e esquecer ou ignorar as pessoas que a criam e lhe dão sentido. Ninguém que pensou primeiro nas pessoas cuja propriedade foi destruída pela guerra poderia imaginar que a destruição da guerra fosse uma vantagem econômica.

Além desses infindáveis argumentos relacionados ao interesse próprio, há um segundo fator principal que todos os dias semeia novas falácias. É a persistente tendência de os homens verem somente os efeitos imediatos de determinada política ou seus efeitos apenas num grupo especial, deixando de averiguar quais os efeitos dessa política a longo prazo, não só sobre esse determinado grupo, como sobre todos os demais.

Há homens, hoje considerados brilhantes economistas, que condenam a poupança e recomendam o esbanjamento em escala nacional como meio de salvação econômica; e quando alguém assinala quais serão, por fim, a longo prazo, as consequências dessa política, respondem, petulantemente, tal como um filho pródigo ao pai que o estivesse prevenindo: “A longo prazo estaremos todos mortos.” Essas pilhérias vazias passam por epigramas devastadores e sabedoria amadurecida.

Mercantilismo: sistema político econômico que evolui com o estado moderno e que procura assegurar a soberania econômica e política de uma nação em sua rivalidade com outras. De acordo com esse sistema, o dinheiro é considerado um depósito de riqueza; o objetivo de um estado é o acúmulo de metais preciosos obtidos através da exportação da maior quantidade possível de seus produtos e a importação do mínimo possível, assim estabelecendo uma balança comercial favorável.

Enquanto certa política governamental procuraria beneficiar todo mundo a longo prazo, outra política beneficiaria apenas um grupo, à custa dos demais. O grupo que se beneficiasse com esta política, tendo nela interesse direto, achá-la-ia plausível e pertinente. Contrataria os melhores cérebros que pudesse conseguir, para dedicarem todo o tempo na defesa de seu ponto de vista. E acabaria convencendo o público de que o caso é justo ou o confundiria de tal modo, que se tornaria quase impossível formar, sobre ele, um juízo claro.

Tudo o que obtemos fora das dádivas livres da natureza tem, de certo modo, que ser pago. O mundo está repleto de pseudo-economistas que, por sua vez, estão cheios de planos para obter alguma coisa por nada. Dizem-nos que o governo pode gastar e gastar sem absolutamente tributar; que pode continuar a acumular dívidas sem jamais as liquidar, já que “devemos a nós mesmos”. Trataremos dessas extraordinárias teorias mais adiante. Receio que, nisso, tenhamos de ser dogmáticos e assinalar que sonhos tão agradáveis assim foram sempre destruídos pela insolvência nacional ou por uma inflação galopante.

Não é fácil empregar todo mundo, mesmo (ou especialmente) na mais primitiva economia. Pleno emprego— emprego integral, demorado e que requer esforço— é uma característica, precisamente, das nações industrialmente mais atrasadas. Onde ainda existir pleno emprego, novas máquinas, invenções e descobertas não podem— até haver tempo para aumento da população— proporcionar mais empregos. Provavelmente trarão mais desemprego (desta vez estou falando de desemprego voluntário e não involuntário), já que as pessoas podem agora trabalhar menor número de horas, enquanto as crianças e as pessoas de idade avançada não mais trabalharão.

Mais uma vez a falácia resulta do fato de serem encarados os efeitos deste ato somente sobre os funcionários demitidos e sobre determinados negociantes que deles dependem. Mais uma vez nos esquecemos de que, se esses burocratas não forem mantidos nos cargos, será permitido aos contribuintes conservar o dinheiro que, anteriormente, lhes fora tirado para sustentar os funcionários. Novamente nos esquecemos de que o rendimento e o poder aquisitivo dos contribuintes se elevam da mesma forma que os dos antigos funcionários decaem. Se determinados negociantes, que antigamente vendiam a esses burocratas, perdem o negócio, outros negociantes, em outra parte, chegarão a ganhar pelo menos o mesmo. Washington será menos próspera e pode, talvez, sustentar poucas lojas; outras cidades, porém, podem sustentar maior número delas. Mais uma vez, porém, a questão não termina aí. O país não só se sentirá melhor sem os funcionários supérfluos, do que se os tivesse mantido, como ficará em melhores condições, pois os funcionários precisarão procurar empregos particulares ou estabelecer-se por conta própria. E o poder aquisitivo dos contribuintes, assim acrescido, conforme notamos no caso dos soldados, encorajará isto. Mas os funcionários só poderão trabalhar em empregos privados, se oferecerem serviços equivalentes a quem os empregar— ou, melhor, aos fregueses dos empregadores que lhes derem emprego. Em vez de serem parasitas, tornam-se homens e mulheres produtivos.