Como os vírus e as pandemias evoluem - Guido Percu's Notes
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Como os vírus e as pandemias evoluem

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

Como os vírus e as pandemias evoluem

Kindle Highlights

Os vírus são basicamente um pedaço de material genético (DNA ou RNA) envolto em uma capa formada por proteínas e, às vezes, por cima dessa capa, um “envelope” de lipídios (moléculas de gordura).

Clássico sobre as zoonoses que podem se tornar pandemias, com um toque aventuresco à la Indiana Jones QUAMMEN, David. Spillover: Animal Infections and the Next Human Pandemic. Nova York, W.W. Norton & Company, 2012.

Excelente introdução à ciência da epidemiologia, incluindo não só doenças infecciosas como também outras coisas que se espalham como epidemias (tecnologias, modismos etc.) KUCHARSKI, Adam. The Rules of Contagion: Why Things Spread — and Why They Stop. Londres: Wellcome Collection, 2020.

“Não é uma sina estranha termos de sofrer tanto medo e tanta dúvida por causa de uma coisa tão pequena?”, pergunta um dos personagens de O Senhor dos Anéis, ao meditar sobre a ameaça trazida pelo Anel demoníaco do romance de J.R.R. Tolkien. Em 2020, o mundo inteiro se pôs a fazer uma pergunta muito parecida acerca de algo ainda mais diminuto que o Anel do livro: o coronavírus conhecido como Sars-CoV-2, causador da doença respiratória Covid-19.

E vale lembrar que, em 2019, mais de uma centena de brasileiros morreu de micose pulmonar devido ao consumo de carne de tatu. Exatamente, amiguinhos, o Brasil não tem um mercado de tudo quanto é bicho para consumo como o de Wuhan, primeiro epicentro do coronavírus na China, mas brasileiros também têm o hábito de comer muitos animais selvagens cheios de doenças potenciais, como pacas, cutias, capivaras, bugios (macacos) etc. Ao fazer arminha com a mão, lembre-se de que, ao mesmo tempo que se aponta o indicador acusatório na cara dos chineses, todos os outros dedos apontam para você.

Veja, por exemplo, o caso do vírus Nipah, também oriundo dos mamíferos alados, que causou mais de cem mortes de seres humanos e levou ao sacrifício de 1 milhão de porcos infectados ou suspeitos de carregarem o vírus na Malásia, no fim dos anos 1990. O que aconteceu nesse caso foi que a criação de suínos na região era combinada com o plantio de pomares, com mangas e outras frutas que atraíam morcegos, com cada vez menos hábitat, às fazendas. Resultado: morcegos mordiscam mangas e fazem cocô nos chiqueiros; porcos comem manga mordida e fezes; porcos ficam com uma tosse bizarra que podia ser ouvida a quilômetros de distância; humanos são contaminados pelos suínos e morrem de encefalite. Ninguém precisou comer um único morceguinho para que tudo isso acontecesse.