Como os pobres podem salvar o capitalismo - Guido Percu's Notes
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Como os pobres podem salvar o capitalismo

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

Como os pobres podem salvar o capitalismo

Kindle Highlights

propriedade de pequenas empresas e criação de emprego, uma cultura de criar algo para si, por si.

Estabelecer o acesso a serviços bancários como um direito humano para todos os norte-americanos ao nascer.

O governo federal define os pobres da América como aqueles que ganham aproximadamente US$ 23.050 por ano para uma família de quatro pessoas.1

Construir o bem-estar financeiro e a alfabetização financeira na cultura corporativa e nos departamentos de recursos humanos dos empregadores.

Criar um filho, dirigir um negócio socialmente responsável ou trabalhar para uma organização sem fins lucrativos são exemplos de egoísmo do bem.

Defender a educação em alfabetização financeira custeada pelo governo federal para todas as crianças do país, do jardim de infância à faculdade. Não

Os efeitos emocionais e psicológicos de fazer parte da classe na corda bamba são muitos. Em primeiro lugar, resulta em falta de autoconfiança e autoestima.

Existe uma diferença entre estar quebrado e ser pobre. Estar quebrado é uma condição econômica temporária, mas ser pobre é um estado mental incapacitante e uma condição de espírito deprimida.

os bancos tradicionais estão na promissora posição de intervir e oferecer contas bancárias e alguma educação financeira a esses consumidores, como vimos ser feito recentemente pelo Bank of America e pela Khan Academy.4

Tentamos explicar que nunca se deve financiar capital de longo prazo com dívida de curto prazo porque as pequenas empresas precisam de tempo, paciência, investimento, reinvestimento e flexibilidade para crescer, ao passo que os empréstimos bancários vencem a cada trinta dias.

Como Andrew Young me disse: “Eu e o Dr. King integramos o balcão de almoço, mas nunca integramos o dólar. E viver em um sistema de livre iniciativa, mas não compreender as regras da livre iniciativa, é a definição de escravidão”. Não entender a linguagem do dinheiro hoje em dia é ser um escravo econômico. Nossas

Então, o primeiro mito que precisamos derrubar é a ideia de que os pobres, de alguma forma, não são relevantes para o nosso crescimento econômico. O segundo mito é de que os pobres, de alguma forma, fizeram isso a si mesmos — de que são todos vagabundos e merecem ser pobres porque são preguiçosos, têm maus hábitos ou possuem uma ética de trabalho horrível.

O principal condutor da liberdade no mundo hoje não é o voto, mas o acesso ao capital e conhecimento sobre como o usar (autodeterminação). Isso significa educação em princípios financeiros básicos, capacitação financeira e empoderamento financeiro e econômico. Se as pessoas não entendem o idioma global do dinheiro, se não têm uma conta em banco ou cooperativa de crédito, são simplesmente escravas da economia.

O mundo precisa agora de uma geração dotada de capital humano empoderado para criar seus próprios empregos. Quando fazem isso — quando um bilhão de jovens em todo o mundo descobre como pode acender o rastilho criativo para se levantar pela autodeterminação —, não apenas ajudam a garantir o crescimento do produto interno bruto de que o mundo precisa, mas também obtêm dignidade para si e para todos em torno deles. É assim que os pobres podem salvar o capitalismo.

precisamos de um enorme foco nacional no empreendedorismo e na criação de pequenas empresas, e foco no desenvolvimento ativo do que eu chamo de projetos de autoemprego. Mesmo quando esse foco na verdade não cria empreendedores, pode ter êxito na criação de algo ainda mais valioso em comunidades pobres: uma mentalidade empreendedora, de “dá para fazer”, de “copo metade cheio”, de “vamos descobrir qual é a nossa”. O foco no empoderamento, ao invés de incidir naquilo que é de direito dos cidadãos, seria transformador em si e por si.

Na Operação HOPE, por exemplo, ajudamos clientes a investigar seu histórico de crédito, descobrir acordos que não se refletem em suas avaliações de crédito e contestar erros em seus registros. Isso altera em muito as pontuações de crédito. Também combinamos essas medidas com treinamento gratuito em alfabetização financeira para que os clientes entendam melhor como aumentar sua capacidade financeira. Quando recebe essa educação básica — a habilidade para se movimentar pelo cenário financeiro e gerenciar a pontuação de crédito —, a esmagadora maioria das pessoas não incorre em inadimplência nos empréstimos ou créditos que recebem.

Assim como os pobres não são quem podemos pensar que sejam, os ricos também não são. As vantagens de que desfrutam são tanto financeiras quanto o oposto das características incapacitantes que descrevi na nova definição de pobreza. Em comparação com os pobres, os bem de vida possuem níveis incrivelmente altos de autoestima e autoconfiança. Na verdade, esta é a riqueza real deste grupo. Em segundo lugar, possuem exemplos fortes e positivos, começando tipicamente pelos pais, um ambiente comunitário forte e estável e, o mais marcante, acesso a modelos de negócios de importância vital. Por fim, este grupo possui forte e natural acesso às oportunidades em suas vidas — escolas fortes, acesso educacional altamente qualificado e recursos educacionais. Também possuem uma rede natural de relações familiares para os ajudar a transitar pelos círculos de poder e influência.

temos um grupo de pessoas — mais de 30 milhões de afro-americanos — que nunca tiveram uma lição sobre a linguagem global do dinheiro, ou de como o sistema de livre iniciativa e o capitalismo funcionam. Elas não receberam educação financeira. A classe média negra só surgiu quase um século depois, após a Segunda Guerra Mundial, quando trabalhadores negros finalmente conseguiram novo acesso a empregos públicos e carreiras em diversos campos. Essas pessoas não são estúpidas; simplesmente são limitadas no conhecimento dos princípios básicos das finanças. Hoje, o patrimônio líquido dos negros de classe média é uma fração do patrimônio líquido de suas contrapartes brancas,1 que simplesmente tiveram melhores exemplos financeiros e econômicos por muito mais tempo. Experimentaram lições em alfabetização financeira, livre iniciativa e capitalismo. E, quando sabe mais, você tende a fazer melhor.

A Associação Americana de Psicologia informou que o estresse e a pressão no trabalho são as duas causas principais de estresse na América. Os pobres experimentam a maior dose desses dois tipos de estresse e, portanto, são altamente suscetíveis a experimentar estresse relacionado a finanças constantemente, o que na verdade pode impedir a função cognitiva.6 Este efeito psicológico pode fomentar a perpetuação da pobreza num ciclo debilitante. Estatisticamente, os pobres também têm baixo acesso aos cuidados de saúde e habitação. Sua dieta, muitas vezes, é de má qualidade — afinal, frutas e legumes frescos são caros (e até mesmo inacessíveis em alguns bairros, conhecidos como “desertos de alimentos”), mas alimentar uma família de quatro pessoas em um restaurante de fast-food é barato, acessível e fácil. E as pessoas pobres, por definição, têm opções pobres de serviço financeiro. Na verdade, os mais pobres pagam mais por seus serviços financeiros. Esse sentimento de carência e de insegurança financeira, juntamente com o analfabetismo financeiro, começa a vazar também para a via das oportunidades.

Derrick vive na zona central de Detroit e tinha cerca de dez anos de idade quando eu ouvi falar dele em nossa divisão Grupo de Empoderamento Jovem Global HOPE. A escola de Derrick estava participando de nosso curso de seis aulas de alfabetização financeira “Banking on our future” – ‘Serviços Bancários Nosso Futuro’-, conduzido por profissionais voluntários. O voluntário que esteve na turma de Derrick obviamente fez um bom trabalho ao apresentar o capitalismo e explicar a linguagem global do dinheiro, e Derrick em particular ficou encantado. Na terceira aula, o jovem Derrick ficou de mão erguida, fazendo perguntas perspicazes ao banqueiro voluntário. Na quinta aula, usou o único terno que possuía, emulando a aparência daquele exemplo de pessoa bem-sucedida. Claro que, de início, os colegas de Derrick mexeram com ele por causa disto. No entanto, ao concluir a sexta aula, Derrick estava empolgado com uma nova visão de si mesmo. Quando Derrick caminhava pelo corredor da escola depois da aula final, dois de seus “amigos” se aproximaram, mais uma vez mexendo com ele por causa do terno e agora perguntando por que ele andava com “aquela gente”. Por acaso, o banqueiro ouviu. Ele se aproximou do grupo e, com o propósito educativo, ofereceu US$ 70 a cada um e deu três minutos para tomarem uma decisão sobre a empresa Nike. Os dois amigos de Derrick imediatamente decidiram que cada um compraria um par do tênis de basquete Nike Air Jordan, embora fossem precisar de mais US$ 30 para isso. O jovem Derrick, por outro lado, imediatamente decidiu que compraria uma ação da Nike, negociada por cerca de US$ 64 no momento, rendendo-lhe US$ 6 de troco! Pois bem, era bastante incrível que Derrick já soubesse que poderia comprar uma ação da Nike por menos de US$ 70. Até mesmo muitos adultos não sabem esse tipo de coisa. Mas a parte realmente incrível ainda estava por vir. Os amigos de Derrick começaram a zombar dele, dizendo: “Cara, por que você quer comprar uma ação estúpida? Você tem que pegar um Air Jordan bacana. Todos na escola têm Air Jordans”, e assim por diante. Pressão de grupo. Na verdade, foram para cima de Derrick com tanta força que o voluntário adulto perguntou se ele ia ficar bem. A resposta de Derrick foi imediata: “Estou bem, cara. E quero que eles comprem os tênis porque, ao fazer isso, estão fazendo dinheiro para mim”. Bum! É isso. É o graveto em chamas. É aquele momento em que a luz da esperança se acende para não se apagar tão cedo. Pode chegar um momento, em breve, em que o jovem Derrick esteja sem dinheiro no bolso. Talvez sua família também esteja quebrada. Mas Derrick nunca, jamais, será pobre novamente. Ele baniu a mentalidade de pobreza fracassada de sua vida para sempre.

Rosa Parks catapultou o Dr. King para a liderança do movimento dos direitos civis e, o que foi menos óbvio, tornou possível o primeiro grande momento “eureca” do movimento no período subsequente. Foi um momento de direitos de prata. Após a prisão de Parks, os negros recusaram-se a andar de ônibus com o argumento de que, se não podiam se sentar onde queriam, preferiam não sentar num ônibus de forma alguma. Por um tempo, até mesmo criaram serviços próprios de transporte e táxi para deslocar a população negra pela cidade. Infelizmente para a empresa de ônibus, a maioria de seus usuários em Montgomery era negra, e a recusa deles em utilizar o serviço por fim faliu a companhia. De início, os manifestantes não evitaram os ônibus em um esforço para prejudicar a empresa, mas não ficaram cegos para o fato de que, quando, como grupo, evitaram as políticas de negócios imorais e antiéticas da empresa de ônibus, prejudicaram-na muito. Foi uma lição de economia básica e um lembrete de que a população negra era a maioria simples — e a maioria dos clientes — na maior parte daquelas cidades pequenas. Essas constatações assentaram-se na mente ágil do Dr. King como uma lição de vida, e, nove meses depois, esse “plano moral” se tornou um plano de negócios de verdade para o movimento. Mais tarde, sempre que o Dr. King entrava numa cidade para marchar pela verdade, por justiça e liberdade, ele tinha algumas regras organizacionais somadas às emoções do plano. Por exemplo, ele proibiu a violência por parte de manifestantes, que de preferência incluíam muitas mulheres e crianças bem-vestidas e respeitáveis. Ele também tinha experiência com os meios de comunicação; por isso, todas as marchas eram realizadas antes das 14 horas, o que permitia a cobertura do evento nos noticiários das 18 horas, naqueles tempos antes do ciclo de notícias 24 horas por dia. Mais importante, no entanto, era que, semanas depois da marcha e de uma retração geral dos consumidores negros no comércio local de uma cidade, o Dr. King discretamente enviava seu principal representante e estrategista, Andrew Young, para se encontrar com a elite empresarial do lugar. A teoria era simples: o congelamento dos gastos dos consumidores prejudicava os negócios, e, se Young conseguisse que uma centena de líderes empresariais locais de qualquer uma daquelas cidades pequenas concordasse com alguma coisa, a liderança política local recalcitrante, por fim, viria junto a reboque. Young, de fato, nunca foi visto liderando marchas nem foi preso porque o Dr. King não queria nada disso. Young era mais valioso como um calmo negociador em reuniões de empresários a portas fechadas do que como mais um guerreiro dos direitos civis ferido, espancado e sentado em uma cela de prisão. A estratégia funcionou repetidas vezes, e por isso, a comunidade empresarial, e não o governo local ou instituições públicas como faculdades e universidades locais, foi quem primeiro aboliu a segregação no Sul. Pense no balcão de refeições da Woolworth ou nos protestos contra as placas “Só Brancos” em outros estabelecimentos comerciais e varejistas em todo o Sul. Tudo isso aconteceu primeiro, antes da reforma política. A comunidade empresarial aboliu a segregação no Sul, e os governos relutantes vieram atrás. Direitos civis nas ruas acompanhados por direitos de prata nos gabinetes — foram necessários os dois, atuando em conjunto e dentro de uma estrutura ética, para o plano funcionar.