A sutil arte de ligar o f*da-se
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E se eu estiver errado?
A ação não é apenas consequência da motivação; é também a causa.
“Qual dor você quer na vida? Pelo que você está disposto a lutar?”
A realidade é algo simples: se parece que é você contra o mundo, é provável que seja só você contra si mesmo.
“O medo da morte vem do medo da vida. Um homem que vive plenamente está preparado para morrer a qualquer momento.”
de ver a vida. A beleza do pôquer é que, embora a sorte esteja sempre envolvida, ela não determina os resultados a longo prazo.
Quanto maior a liberdade de expressão, maior nosso desejo de nos vermos livres de qualquer um que possa discordar de nós ou nos chatear.
Nem sempre dá para controlar o que acontece conosco, mas sempre podemos definir nossa interpretação dos acontecimentos e nossa reação a eles.
“Você nunca será feliz se insistir em tentar descobrir o que é a felicidade. Você nunca viverá verdadeiramente se estiver procurando o sentido da vida.”
Há certo conforto em saber como a gente se encaixa no mundo. Qualquer coisa que abale esse conforto é assustadora, mesmo que tenha o potencial de melhorar sua vida.
Minha paixão era pelo resultado — eu lá, no palco, colocando minha alma na música, as pessoas aplaudindo, eu arrasando —, mas não pelo processo. E, por causa disso, fracassei.
“Todos vamos morrer, todos nós. Que circo! Só isso deveria nos fazer amar uns aos outros, mas não. Ficamos apavorados e somos esmagados pelas trivialidades da vida; somos consumidos pelo nada.”
se importar com algo maior do que você, acreditar que você é um componente que contribui para um contexto muito maior, que a sua vida não passa de parte do processo de uma grande produção ininteligível.
Nesse estudo, Dabrowski notou algo surpreendente. Uma porcentagem considerável dos sobreviventes acreditava que, apesar de dolorosa e traumática, a guerra os tinha tornado pessoas melhores, mais responsáveis e, sim, até mais felizes.
Essas histórias sugerem que alguns valores e parâmetros são melhores que outros. Alguns conduzem a problemas bons (do tipo fácil e simples de resolver), enquanto outros levam a problemas ruins (do tipo difícil e complexo de resolver).
Nas redes sociais, o compartilhamento público de “injustiças” atrai muito mais atenção e reações emocionais que a maioria dos outros eventos, recompensando com uma quantidade crescente de atenção e simpatia gratuita àqueles que se sentem perpetuamente vitimados.
aí é bom dizer alô para a crise da meia-idade, porque o problema que o motivou a vida toda lhe foi tirado. Daí em diante, não haverá como continuar crescendo e melhorando — só que é o crescimento que gera felicidade, não uma longa lista de conquistas arbitrárias.
O problema é que a onipresença da tecnologia e do marketing está dando um nó nas expectativas de muita gente. A enxurrada do excepcional faz as pessoas se sentirem menores, as faz sentir que precisam ser mais extremas, mais radicais e mais autoconfiantes para serem notadas ou terem valor.
A felicidade está em resolver problemas. Repare que a palavra-chave é “resolver”. Se você evita os problemas ou acha que não tem nenhum, está no caminho da infelicidade. Se acha que não consegue resolver seus problemas, estará no mesmo caminho. O segredo está em resolver os problemas, e não em não ter problemas.
dor faz parte do processo. É importante senti-la. Porque se você só corre atrás de euforias o tempo todo para encobrir a dor, deleita-se em arrogância e em pensamentos positivos delirantes, continua abusando de substâncias químicas ou exagerando a frequência de determinadas atividades, nunca terá motivação para mudar.
Nesse sentido, os objetivos convencionalmente adotados — fazer faculdade, comprar uma casa de praia, perder dez quilos — oferecem uma quantidade limitada de felicidade. Eles podem ser úteis quando buscamos benefícios rápidos e de curto prazo, mas são uma droga como guias para uma trajetória de vida num sentido mais amplo.
mas ter necessidades demais faz mal para sua saúde mental. Você acaba se agarrando demais ao que é superficial e falso, dedicando a vida à meta de alcançar uma miragem de felicidade e satisfação. O segredo para uma vida melhor não é precisar de mais coisas; é se importar com menos, e apenas com o que é verdadeiro, imediato e importante.
Desejar sentimentos positivos é um sentimento negativo; aceitar sentimentos negativos é um sentimento positivo. É a isso que o filósofo Alan Watts se refere como “lei do esforço invertido”: a ideia de que quanto mais tentamos nos sentir bem o tempo todo, mais insatisfeitos ficamos, pois a busca por alguma coisa só reforça o fato de que não a temos.
Ser “comum” se tornou o novo padrão de fracasso. O pior lugar em que se pode estar é no meio do bando, no topo da curva de Gauss. Quando o padrão de sucesso de uma cultura é “ser extraordinário”, acaba sendo melhor estar no pior extremo da curva de Gauss do que no meio, porque pelo menos ali você é especial e merece atenção. Muita gente escolhe essa estratégia: prova para todos que é o mais infeliz, o mais oprimido, o mais sofrido.
perpetua essas reações, porque, no final das contas, dá lucro. O escritor e comentarista Ryan Holiday se refere a isso como “pornografia do ultraje”: em vez de reportar histórias e problemas reais, a mídia acha muito mais fácil (e lucrativo) encontrar algo levemente ofensivo, transmitir o caso para uma ampla audiência, criar a sensação de ultraje e depois transmiti-la de um jeito que também cause ultraje a outra parcela da população.
O sofrimento que você passa na academia lhe dá mais saúde e energia. Os erros que você comete no trabalho permitem que você compreenda melhor o que é preciso para ser bem-sucedido. Paradoxalmente, lidar abertamente com suas inseguranças torna você mais confiante e carismático. O incômodo de um confronto honesto é o que gera maior confiança e respeito. Enfrentar seus medos e suas ansiedades é o que vai fazer você criar coragem e perseverança.
A vítima cria cada vez mais problemas para serem resolvidos — não porque surjam novos problemas reais, mas porque assim ela ganha atenção e afeto. E o salvador só resolve e resolve sem parar — não porque realmente se importe com os problemas, mas porque acredita que fazendo isso vai ganhar atenção e afeto. Ambos os comportamentos têm motivações egoístas e condicionais e, portanto, são autossabotagem. Nesses cenários, pouco se vivencia o amor genuíno.
Ninguém pode resolver os seus problemas para você. E nem deveria tentar, porque isso não vai fazê-lo feliz. Da mesma forma, você não pode resolver problemas alheios, porque isso não vai ajudar a fazer as pessoas felizes. Um relacionamento não saudável é quando duas pessoas tentam resolver os problemas um do outro para se sentir bem consigo mesmas. Um relacionamento saudável é aquele em que cada um resolve seus problemas para se sentir bem com o outro.
Não é incomum um livro ser retirado do currículo de uma turma apenas porque um aluno se sentiu mal com a leitura. Palestrantes e professores são destratados e banidos do campus por pecados tão banais quanto sugerir que talvez determinadas fantasias de Halloween não sejam tão ofensivas assim. Orientadores educacionais observam uma quantidade maior do que nunca de alunos exibindo sinais graves de abalo emocional após experiências comuns da vida acadêmica, como discutir com o colega de quarto ou tirar uma nota baixa.
Para os salvadores, a coisa mais difícil de se fazer neste mundo é parar de tomar problemas alheios para si. Eles passaram a vida toda sendo valorizados e amados quando ajudavam alguém, e abrir mão dessa necessidade de ser recompensados por boas ações também é assustador. Se você faz um sacrifício por alguém de quem gosta, isso deve ser feito por vontade própria, não por obrigação ou por temer as consequências de não fazê-lo. Se seu parceiro faz um sacrifício em seu nome, que seja um gesto altruísta, e não porque você manipulou o sacrifício por meio de raiva ou culpa. Atos de amor só são válidos se livres de condições ou expectativas.
O problema é o seguinte: a sociedade atual, através das maravilhas da cultura do consumo e do exibicionismo de vidas incríveis nas redes sociais, produziu uma geração inteira que enxerga esses sentimentos negativos (ansiedade, medo, culpa etc.) como problemas. Veja bem, quando você abre o Facebook, vê todo mundo chafurdando em felicidade até não poder mais. Caramba, oito pessoas se casaram essa semana! E uma garota de dezesseis anos ganhou uma Ferrari de aniversário num programa de TV. E um moleque acabou de faturar dois bilhões de dólares por ter inventado um aplicativo que resolve imediatamente o problema quando o papel higiênico acaba.
A longo prazo, terminar uma maratona nos deixa mais felizes do que comer um bolo de chocolate. Criar um filho nos deixa mais felizes do que ganhar uma partida de videogame. Abrir uma pequena empresa com amigos e vencer dificuldades financeiras nos deixa mais felizes do que comprar um computador novo. São atividades estressantes, árduas e muitas vezes desagradáveis, além de trazer consigo inúmeros problemas, mas, ao mesmo tempo, são as que nos proporcionam os momentos mais marcantes e constituem nossas maiores alegrias. Atividades como essas envolvem dor, cansaço, raiva e até desespero — mas, depois de concluídas, olhamos para trás emocionados. É o que contaremos aos nossos netos.
O guitarrista se chamava Dave Mustaine, e seu novo projeto era a lendária banda de heavy metal Megadeth. Venderam mais de vinte e cinco milhões de discos e fizeram várias turnês mundiais. Hoje, Mustaine é considerado um dos nomes mais brilhantes e influentes da história do gênero musical. Infelizmente, a banda que o expulsou se chamava Metallica, que vendeu mais de cento e oitenta milhões de discos em todo o mundo e que muitos consideram uma das melhores bandas de rock de todos os tempos. Por causa disso, uma rara entrevista íntima em 2003 revelou um Mustaine choroso admitindo que ainda se sentia um fracassado. Apesar de tudo que conquistou, em sua mente ele sempre seria o cara que foi expulso do Metallica.
No entanto, Best se deu melhor que Mustaine em muitas áreas. Numa entrevista de 1994, ele declarou: “Sou mais feliz do que teria sido com os Beatles.” Como assim? Pete Best explicou que a expulsão dos Beatles foi o que o levou a conhecer a esposa, com quem veio a ter filhos. Seus valores mudaram: ele passou a avaliar sua vida segundo outros parâmetros. Fama e glória teria sido ótimo, é claro, mas Pete compreendeu a dimensão maior do que tinha conquistado: uma família grande e amorosa, um casamento estável, uma vida tranquila. Ele não deixou de tocar bateria, fez turnês pela Europa e gravou discos até o final dos anos 2000. Então, o que ele realmente perdeu? Apenas muita atenção e adulação, embora tenha ganhado algo muito mais significativo.
Certa noite, enquanto lia um texto do filósofo Charles Peirce, William decidiu fazer um pequeno experimento. No diário, escreveu que passaria um ano acreditando ser cem por cento responsável por tudo que ocorria em sua vida, fosse o que fosse. Durante esse período, ele faria tudo que estivesse ao alcance para mudar sua situação, mesmo que as chances de dar certo parecessem nulas. Se nada melhorasse naquele ano, ficaria claro que ele realmente era impotente diante das circunstâncias da vida, e, diante disso, William James se mataria. O resultado? William James se tornou o pai da psicologia norte-americana. Sua obra foi traduzida para uma cacetada de idiomas, e ele é considerado um dos intelectuais/filósofos/psicólogos mais influentes de sua geração. Posteriormente, ele se tornou professor de Harvard e cruzou Estados Unidos e Europa dando palestras. Casou-se e teve cinco filhos (um dos quais, Henry, foi um famoso biógrafo e ganhou o Prêmio Pulitzer). William James chegou a se referir ao pequeno experimento como seu “renascimento”, a causa de tudo que conquistara na vida.