Anatomia do estado - Guido Percu's Notes
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Anatomia do estado

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

Anatomia do estado

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Mas há não há nenhuma

Portanto, a principal função dos governantes é sempre garantir a aceitação ativa ou resignada da maioria dos cidadãos29, 30.

Durante boa parte do século XVIII, não passava pela cabeça dos europeus abandonar suas viagens a um país estrangeiro contra o qual seu país estava em guerra

De certa forma, nossa posição é o contrário do dito marxista segundo o qual o Estado é o “comitê executivo” da classe dominante atual, supostamente capitalista.

De um lado, há a produtividade criativa, as trocas pacíficas e a cooperação; do outro, estão a autoridade coerciva e o comportamento predatório sobre as relações sociais.

O homem descobriu que, por meio do processo de trocas voluntárias e mútuas, a produtividade e, assim, o padrão de vida de todos os participantes nas trocas, podia aumentar enormemente.

morte de um Estado acontece de duas formas: a) por meio da conquista por outro Estado; ou b) por meio da derrubada revolucionária por seus próprios súditos – em resumo, por meio da guerra ou da revolução.

Uma constituição escrita certamente tem muitas vantagens, mas é um enorme erro pressupor que a mera criação de leis para restringir e limitar os poderes de um governo, sem dar aos protegidos meios de reforçar a fiscalização

Resumidamente, o Estado é aquela organização social que tenta manter o monopólio do uso da força e da violência em determinada área; mais especificamente, é a única organização da sociedade que não arrecada por meio da contribuição ou pagamento voluntário, e sim por meio da coerção. Enquanto

ou de convivas num country club, o que é o Estado? Resumidamente, o Estado é aquela organização social que tenta manter o monopólio do uso da força e da violência em determinada área; mais especificamente, é a única organização da sociedade que não arrecada por meio da contribuição ou pagamento voluntário, e sim por meio da coerção

Assim, o Estado demonstra um incrível talento para a ampliação de seus poderes além dos limites impostos. Como o Estado necessariamente vive do confisco compulsório do capital privado, e como a expansão dele necessariamente envolve violações cada vez piores ao indivíduo e à iniciativa privada, devemos dizer que o Estado é profunda e inerentemente anticapitalista.

O grande sociólogo alemão Franz Oppenheimer (1864-1943) disse haver duas formas mutualmente excludentes de enriquecer; uma é o caminho descrito anteriormente, de produção e trocas, que ele chamou de “meios econômicos”. A outra forma é mais simples, visto que não requer produtividade; é o caminho da tomada dos bens e serviços alheios pelo uso da força e da violência.

O Estado é um canal legal, ordeiro e sistemático para a predação da propriedade privada; ele transforma a tábua de salvação da casta parasitária da sociedade em algo certo, seguro e “pacífico”26. Como a produção sempre deve ser anterior à predação, o livre mercado é anterior ao Estado. O Estado nunca foi criado por um “contrato social”; ele sempre nasceu da conquista e da exploração.

Outro método conhecido de sujeitar o povo à vontade do Estado é apelar para a culpa. Qualquer aumento no bem-estar privado pode ser considerado “ambição desmedida”, “materialismo” ou “excesso de riqueza”; os lucros podem ser atacados como “exploração” e “usura”; trocas mutuamente benéficas podem ser chamadas de “egoísmo”, de alguma forma sempre com a conclusão de que mais recursos deveriam ser canalizados do setor privado para o público.

Se a “Ruritânia” estava sendo atacada pela “Waldávia”, a primeira função do Estado e seus intelectuais era convencer as pessoas da Ruritânia de que o ataque era contra elas, e não apenas contra a casta dominante. Desta forma, a guerra entre governantes se transformava numa guerra entre povos, com cada um dos povos saindo em defesa de seus governantes, na crença equivocada de que os governantes estavam defendendo os povos. O artifício do “nacionalismo” só foi bem-sucedido, na Civilização Ocidental, nos séculos mais recentes; não faz muito tempo que as massas de súditos consideravam as guerras batalhas irrelevantes entre grupos de nobres.

A aliança entre Estado e intelectuais foi simbolizada pelo desejo dos professores da Universidade de Berlim, no século XIX, de formar o “corpo de guarda-costas intelectuais da Casa de Hohenzoller”. Nos dias de hoje, deixe-me destacar o revelador comentário de um importante estudioso marxista sobre o fundamental estudo do professor Karl A. Wittfogel (1896-1988) sobre o despotismo no Oriente Antigo: “A civilização que o professor Wittfogel tanto ataca foi a que possibilitou que poetas e eruditos se tornassem autoridades”33. Entre inúmeros exemplos, podemos mencionar a recente criação da “ciência” da estratégia a serviço do principal braço armado do governo, as Forças Armadas34. Outra instituição venerável é a do historiador oficial ou “da corte”, dedicado a consagrar entre os súditos as opiniões do governante ou as ações de seus antecessores

os mercadores e burgueses ricos da Itália medieval estavam ocupados demais ganhando dinheiro e aproveitando a vida para se envolver nas dificuldades e perigos da guerra. Assim, eles adotaram a prática de contratar mercenários para lutar por eles e, por serem inteligentes e empreendedores, eles demitiam os mercenários assim que não precisavam mais dos serviços. As guerras, portanto, eram travadas por exércitos contratados para cada campanha […]. Pela primeira vez, a função de soldado se tornou uma profissão sensata e comparativamente segura. Os generais da época empreendiam manobras uns contra os outros, geralmente com muita habilidade, mas, assim que um deles demonstrava vantagem, o oponente costumava ou se retirar ou se render. Uma regra conhecida era a de que uma cidade só podia ser saqueada se oferecesse resistência: podia-se sempre comprar imunidade pagando-se um resgate […]. Como consequência natural disso, nenhuma cidade resistia, porque era óbvio que um governo fraco demais para defender seus cidadãos tinha abdicado da lealdade deles. Os civis não temiam os perigos de uma guerra que dizia respeito apenas aos soldados profissionais61.