A máquina do ódio - Guido Percu's Notes
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A máquina do ódio

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

A máquina do ódio

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“Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp”.

preciso descrever da forma mais transparente possível como foram obtidas as informações. Mesmo em

Ou seja, as pessoas acham que a mídia tradicional mente e tendem a acreditar em conteúdo enviado por WhatsApp pela família e os amigos desde que tais conteúdos confirmem suas crenças.

Mais do que nunca, não basta se apoiar na “autoridade” do jornalista ou do veículo de imprensa para respaldar uma reportagem — é preciso descrever da forma mais transparente possível como foram obtidas as informações.

Cabe aqui uma autocrítica. A revolta contra os ditos experts, o desprezo pelos acadêmicos, especialistas ou jornalistas, é uma das características de nosso mundo tecnopopulista, para empregar um termo que aprendi com Giovanni Da Empoli.

transformar uma reportagem em opinião paga pela esquerda, escrita por jornalistas “comunistas”. E fazer da Folha de S.Paulo um “jornal financiado pelo PT”. Logo a Folha, que revelou a existência do sítio de Atibaia de Lula, o mensalão, e causou a queda do então ministro Antonio Palocci por faturar milhões ilegalmente com uma consultoria.

Esse vídeo, postado em fevereiro de 2020, teve mais de 278 mil visualizações no canal Hipócritas do YouTube, com 803 mil inscritos. Em uma das dezenas de páginas bolsonaristas no Facebook, a do Movimento Conservador, foram 615 mil visualizações. Um dos donos do Hipócritas, Augusto Pires Pacheco, foi secretário parlamentar da deputada Carla Zambelli, uma das mais ferrenhas defensoras do governo Bolsonaro.

Foi o próprio WhatsApp, ao lado de Facebook, InternetLab e SaferNet, que pediu que a legislação contivesse um veto expresso aos disparos em massa. “A maior contribuição que o WhatsApp quer dar a essas eleições se relaciona ao artigo 34, que veda a propaganda eleitoral via telemarketing. Nossa sugestão é que se estenda [a proibição] a ferramentas que ofereçam mensagens eletrônicas em massa automatizadas ou através de spam”,

muito ou um pouco, nas notícias que chegavam pelo aplicativo, contra 44% dos que votavam em Haddad.14 Uma pesquisa da Ipsos Mori realizada em 2018 ouviu mais de 19 mil pessoas em 27 países e mostrou que, no Brasil, 62% das pessoas afirmavam já ter acreditado em uma notícia para depois descobrir que era falsa — o mais alto índice entre as nações pesquisadas.15 Além de predispostas a acreditar nas mensagens que recebiam, 73% das pessoas achavam que já haviam visto reportagens em que veículos de mídia disseram deliberadamente uma inverdade. Ou

Num mundo incompreensível e em perpétua mudança, as massas haviam chegado a um ponto em que, ao mesmo tempo, acreditavam em tudo e em nada, julgavam que tudo era possível e que nada era verdadeiro. […] A propaganda de massa descobriu que o seu público estava sempre disposto a acreditar no pior, por mais absurdo que fosse, sem objetar contra o fato de ser enganado, uma vez que achava que toda afirmação, afinal de contas, não passava de mentira. […] Se recebessem no dia seguinte a prova irrefutável da sua inverdade, apelariam para o cinismo; em lugar de abandonarem os líderes que lhes haviam mentido, diriam que sempre souberam que a afirmação era falsa, e admirariam os líderes pela grande esperteza tática.