A Democracia na Armadilha: Crônicas do Desgoverno - Guido Percu's Notes
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A Democracia na Armadilha: Crônicas do Desgoverno

📅 May 21, 2026 📁 books 🌱

A Democracia na Armadilha: Crônicas do Desgoverno

Kindle Highlights

  1. O MEDO CONTAMINA MERCADOS GLOBAIS 28.1.2020

No delírio em que vive o alienado que nos governa,

Manaus é uma parábola dramática do que estamos vivendo. O país não consegue respirar.

As despesas de janeiro serão baixas não por mérito do ajuste e sim por causa desse nó cego.

O papel institucional do bom jornalismo é requisito básico para o funcionamento das instituições democráticas.

Bolsonaro compreende a questão e os riscos. O problema é que ele não se importa com o perigo que estamos correndo.

É mais do que Manaus, é o Amazonas inteiro. É mais do que o Amazonas, é o Brasil que não consegue respirar. A tragédia dos amazonenses é a de todos nós.

“A mentira, diz Arendt, consiste em negar, reescrever e alterar fatos, até mesmo diante dos próprios olhos daqueles que testemunharam esses mesmos fatos”,

“Não acho que aqui seja uma questão entre esquerda e direita, não acho mesmo. Aqui é uma luta entre inteligência e estupidez, entre civilização e barbárie.”

o policial legislativo será o trabalhador que se aposentará mais cedo, apesar de seu trabalho ser ficar andando entre os tapetes azuis e verdes das duas Casas.

O PIB cresceu em média 11,2% de 1968 a 1973, segundo André Lara Resende relata na coletânea 130 anos: em busca da República. Os militares queriam mais que apoio, ambicionavam a unanimidade

A ausência do governo é até um alívio. Se o ministro do Meio Ambiente estivesse presente seria pior. O problema grave, contudo, é a falta de sintonia do Ministério da Economia com essa agenda, que não é apenas moda passageira.

Jair Bolsonaro é o pior presidente que poderíamos ter para nos guiar na travessia desta tempestade sem precedentes. Ele sempre foi menor do que a cadeira que ocupa, mas agora revela, em cada ato, palavra e decisão, que conspira contra a saúde da população.

Em 2020 o mundo entrou em outro clima por causa do surto de coronavírus, que afeta direta e fortemente as cadeias globais de comércio. O Brasil, mais fechado, sofreu um impacto menor, mesmo assim já começou a temporada de revisões para baixo das projeções de crescimento.

O melhor momento foi o discurso da deputada Tábata Amaral (PDT-SP), em que ela resumiu o sentimento: “A sua incapacidade de apresentar uma proposta e saber dados básicos e fundamentais é um desrespeito não só à educação, não só ao ministério, não só ao Parlamento, mas ao Brasil como um todo.”

O cientista político Mark Lilla, professor de Columbia, explica essa corrente do pensamento no livro A mente naufragada. “Os reacionários não são conservadores. Onde os outros veem o rio do tempo fluindo como sempre fluiu, o reacionário enxerga os destroços do Paraíso. Ele é um exilado do tempo.”

Há um momento na trilogia tebana de Sófocles em que Teseu, rei de Atenas, diz a Creonte, governante de Tebas: “Terei de estar atento a essas circunstâncias para evitar que considerem a minha pátria tão fraca a ponto de curvar-se a um homem só.” Será esse o temor que leva tantos a lembrar que o Brasil jamais pode se afastar do texto pactuado há trinta anos?

Joaquim Nabuco era monarquista até na República, Rui Barbosa era republicano desde o Império. Qual dos dois era reacionário? Nenhum deles. Membros do Partido Liberal, eram ambos ferrenhos abolicionistas. Estavam envolvidos na luta pela mudança mais importante daquele tempo. Na época, os clubes da lavoura defendiam a ordem escravocrata como sustentáculo da economia. O escritor José de Alencar, do Partido Conservador, lutava pela manutenção da escravidão, que chamava de “a instituição” nas cartas públicas a dom Pedro II. José de Alencar, nesse ponto, foi um reacionário

Rubens Paiva desapareceu no dia 20 de janeiro de 1971. Sem acusação formada, sem militância, o empresário e ex-deputado foi preso pela Aeronáutica, entregue depois ao Batalhão da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Nunca mais foi visto. Sua mulher, Eunice Paiva, começa então um doloroso, longo e impressionante processo de superação. Ela, uma dona de casa com cinco filhos, sem qualquer envolvimento político, ao sair da prisão, onde esteve por alguns dias, inicia uma luta em várias frentes. Cria sozinha os filhos, volta à universidade, faz Faculdade de Direito, integra-se à luta das famílias de desaparecidos políticos, vira uma das líderes do movimento da Anistia e das Diretas. Eunice morreu na quinta-feira, 13 de dezembro, no dia em que o AI-5 fazia cinquenta anos, numa coincidência simbólica.