50 ideias de Economia (Coleção 50 ideias)
Kindle Highlights
as pessoas são previsivelmente irracionais
“O que é roubar um banco em comparação com fundar um banco?” Bertolt Brecht
uma coisa tem o preço perfeitamente adequado quando a oferta é igual a demanda
“Chame do que quiser, mas o que faz as pessoas trabalharem mais são os incentivos.” Nikita Kruschev
“O custo de alguma coisa é aquilo de que você abre mão para obtê-la.” Greg Mankiw, professor de economia em Harvard
“Quando as mercadorias não conseguem cruzar fronteiras, os exércitos o fazem.” Frédéric Bastiat, economista francês do século XIX
A mão invisível destaca o fato de que os indivíduos – e não governos ou administradores – deveriam poder decidir o que produzir e consumir,
“O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual de benesses; a virtude inerente ao socialismo é a distribuição por igual das misérias.” Winston Churchill
Antes, as pessoas presumiam que alguma coisa tinha valor inerente; após a revolução marginalista, ficou claro que as coisas só têm valor na medida em que as pessoas as desejam.
“Como a ciência da economia é basicamente um conjunto de ferramentas e não uma matéria em si, nenhum tema, por mais extravagante que pareça, deve ficar fora de seu alcance.” Steven Levitt
Quase todo cidadão de uma economia importante possui, sem saber, ações de suas principais empresas graças a seu fundo de pensão, o que, teoricamente, significa que todos têm interesse em ver os negócios prosperarem.
A lição que se extrai de tais exemplos é que o interesse pessoal é a força mais poderosa da economia. Ao longo da vida, somos atraídos de um incentivo para outro. Ignorar isso é ignorar a própria essência da natureza humana.
“Antes, achava que se houvesse reencarnação, gostaria de voltar como presidente ou papa, ou um grande jogador de beisebol”, disse James Carville, diretor da campanha presidencial de Bill Clinton. “Mas, agora, quero voltar como o mercado de títulos. Você intimida qualquer um.”
Thomas Sowell em sua obra Basic Economics, “As políticas de proteção trabalhista salvam os empregos dos trabalhadores atuais, mas o preço é a redução da flexibilidade e da eficiência da economia como um todo, inibindo assim a criação de novos empregos para outros trabalhadores”.
“Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos o jantar, mas da consideração que têm por seus próprios interesses. Apelamos não à sua humanidade, mas ao seu amor-próprio, e nunca lhes falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter.”
Onda ou ciclo Kondratiev (45–60 anos) Também conhecido como superciclo, refere-se mais genericamente às fases do capitalismo. A implicação é que a cada 45 ou 60 anos há uma crise no capitalismo que leva as pessoas a questionarem a maneira como a economia é estruturada e a forma como funciona.
A diferença mais realista entre investidor e especulador está na postura diante dos movimentos do mercado de valores. O interesse principal do especulador consiste em antecipar-se às flutuações do mercado, lucrando com elas. O interesse principal do investidor é adquirir e manter valores adequados a preços adequados.
A queda do Muro de Berlim e o colapso do comunismo no antigo bloco soviético foram, sem dúvida, dois dos mais importantes catalisadores do crescimento econômico em todo o mundo. Ficou claro que a economia da antiga União Soviética tinha reprimido o crescimento, empobrecido milhões e deixado muitos russos passando fome e desamparados.
Quando é que você acha que foi feito o último pagamento pelo sistema de pensões da Guerra Civil? Nas décadas de 1930 ou 1940, quando os veteranos mais velhos chegaram ao fim de suas vidas? Na verdade, o sistema só fez seu último pagamento em 2004. Uma jovem astuta de 21 anos casou-se com um veterano de 81 anos no final da década de 1920, o que fez com que o Estado tivesse de lhe pagar pensão até sua morte, aos 97 anos.
O papel do interesse pessoal A “mão invisível” é uma forma sintética de expressar a lei da oferta e da demanda (veja o capítulo 2), e explica como o “puxa e empurra” desses dois fatores serve para beneficiar toda a sociedade. Em termos simples, o conceito é o seguinte: não há nada de errado se as pessoas agem em interesse pessoal. Num mercado livre, a força combinada de todos que lutam por seus interesses individuais beneficia a sociedade como um todo, enriquecendo todos.
[O indivíduo] não tem a intenção de promover o interesse público, nem sabe o quanto o promove… ao dirigir [sua] atividade de maneira a valorizar ao máximo a sua produção, visa apenas seu próprio lucro, e nisto, como em muitos outros casos, é guiado por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte de sua intenção… Ao buscar seu interesse pessoal, frequentemente ele promove o da sociedade de maneira mais eficiente do que quando de fato tem a intenção de promovê-lo. Nunca soube de bons feitos por parte daqueles que afetam as trocas em nome do bem público.
Os economistas austríacos enfatizam a importância de dar liberdade ao indivíduo para tomar suas próprias decisões. Esse laissez-faire ideal acabou inspirando algumas das maiores reformas da economia do século XX, pois foram, pelo menos em parte, as ideias da Escola Austríaca que inspiraram tanto Ronald Reagan quanto Margaret Thatcher a buscarem a liberdade de mercado, informando suas reformas baseadas na economia do lado da oferta (veja o capítulo 13). Perceberam que o foco não deveria estar na economia imposta desde o alto, mas nas vontades e desejos dos indivíduos.
De fato, Tim Harford, autor de O economista disfarçado, viu isso pessoalmente quando estava indo com Becker a um restaurante. O ganhador do Prêmio Nobel parou em um local onde podia permanecer por 30 minutos, tempo que excedeu em muito. Como os parquímetros não eram conferidos com frequência, calculou o risco de ser flagrado e considerou-o tolerável, tendo em vista a conveniência da localização. Disse que faz isso sempre, e embora tenha sido multado algumas vezes, a frequência das multas não o impede de estacionar lá. Estava simplesmente se comportando de forma racional.
= SN(d1) – Le-rTN(d1 – σ√T) Pode não parecer, mas esta é a equação mais perigosa desde E=mc2. Assim como a equação de Albert Einstein acabou levando a Hiroshima e Nagasaki, esta tem o impacto financeiro de uma bomba nuclear. Contribuiu para altos e baixos do mercado de valores, para uma sucessão de crises financeiras e para depressões econômicas que privaram milhões de pessoas de parcelas significativas de seus meios de subsistência. É a fórmula Black-Scholes, e no coração dessa história acha-se a maior de todas as perguntas da economia: os seres humanos podem aprender com seus erros?
Nesse caso, se a Inglaterra dedicasse todos os seus recursos à produção de tecidos e Portugal se concentrasse em vinhos, ambos, juntos, acabariam produzindo mais tecidos e vinhos. Então, Portugal poderia trocar o vinho excessivo pelos tecidos ingleses. Isso porque, em nosso exemplo, a Inglaterra tem uma vantagem comparativa na confecção de tecidos, ao contrário do que ocorre com vinhos, área na qual é muito menos eficiente do que os portugueses. O pai da vantagem comparativa, o economista David Ricardo, usou esse exemplo em seu revolucionário livro de 1817, Princípios de economia política e tributação.
O individualismo se justifica? Mas, por que isso é tão importante? Uma escola de pensamento que adverte contra a tendência a suposições sobre o comportamento humano pode parecer menos útil do que a economia ortodoxa, que busca prever resultados e apresentar soluções para legisladores mediante essas mesmas suposições. Porém, o ceticismo da Escola Austríaca foi justificado, entre outras coisas, porque Hayek e seu compatriota Ludwig von Mises foram alguns dos primeiros a prever a queda do regime comunista, argumentando que um Estado planejado desde o centro está fadado ao fracasso, já que os responsáveis pelo planejamento nunca terão informações suficientes sobre o que leva seus cidadãos a tomarem decisões individuais.
O dia que mudou o mundo Em 9 de agosto de 2007, tanto os mercados interbancários quanto os mercados de hipotecas securitizadas paralisaram-se repentinamente no mundo todo. Percebendo que o mercado imobiliário dos EUA estava prestes a sofrer uma queda considerável e que, o que era mais grave ainda, o sistema financeiro ocidental tornara-se excessivamente endividado, os investidores pararam de comprar títulos – noutras palavras, pararam de emprestar dinheiro. Foi um momento de medo que provocou a crise financeira que se seguiu: o momento em que os economistas e financistas, que até então não tinham prestado muita atenção nessa parte complexa do sistema, deram-se conta de sua importância para a saúde da economia mundial.
Entretanto, essa versátil estatística econômica tem algumas limitações importantes. E se, por exemplo, um país abrisse subitamente suas portas para um número muito grande de imigrantes ou exigisse que seus cidadãos trabalhassem mais? Isso poderia aumentar drasticamente o PIB, embora do ponto de vista individual os trabalhadores não tenham sido mais produtivos. Logo, ao avaliar a saúde de uma economia, os estatísticos preferem estudar sua produtividade – calculada dividindo-se o PIB pelo número de horas trabalhadas pelos cidadãos do país. Outra maneira de interpretar o PIB consiste em dividi-lo pela população total, produzindo o PIB per capita, uma cifra que costuma ser usada pelos economistas para ilustrar o nível de vida de um país.
Jack Welch, antigo CEO da General Electric, dizia que “toda fábrica deveria estar sobre uma barcaça” – indicando que, idealmente, as fábricas deveriam poder ir flutuando para onde quer que as despesas com pessoal, materiais e impostos fossem menores. Hoje, pode-se dizer que tal cenário é uma realidade, pois as empresas, não mais presas a nações específicas como na época de Ricardo, levam seus funcionários e seu dinheiro para o lugar que preferirem. Na verdade, segundo alguns economistas, isso faz com que os salários caiam rapidamente, e os cidadãos de alguns países fiquem pior do que os de outros. O contra-argumento é que, em troca, o país que cria empregos no exterior beneficia-se com os lucros elevados dessa empresa, redistribuídos a seus investidores, e com os preços mais baixos nas lojas.
Um dos mais famosos economistas da Grã-Bretanha, A.W. Phillips, detectou uma relação espantosa entre os níveis de desemprego e a inflação. Quando o desemprego fica abaixo de determinado nível, os salários aumentam e, com eles, a inflação, pois as empresas se preparam para pagar mais para preservar o pessoal. O contrário também se aplica: quando o desemprego é alto, força a inflação a cair. Na linguagem econômica, existe uma correlação negativa entre inflação e desemprego. A teoria de Phillips deu origem a um dos mais duradouros modelos da economia – a Curva de Phillips, que ilustra visualmente essa correlação negativa. Se quisermos manter o desemprego a 4%, digamos, então teremos de aceitar uma inflação de 6%. Se quisermos restringir a inflação a 2%, teremos de aceitar uma taxa de desemprego de 7%.
Normalmente, a principal ferramenta empregada pelos bancos centrais para controlar a inflação é a taxa de juros. Entretanto, esta não pode ficar abaixo de zero; por isso, quando os preços caem, não há muito mais a fazer, exceto recorrer a ferramentas pouco convencionais, das quais a maioria se reduz, nas palavras de Ben Bernanke, então presidente da Reserva Federal, a ligar a “máquina de imprimir dinheiro”. Em outras palavras, ao contrário de episódios de inflação, quando procuram manter constante a quantidade de efetivo no mercado, os bancos centrais começam a injetar mais dinheiro na economia. Isso pode ser feito de várias maneiras: comprando diretamente ativos como títulos ou ações ou aumentando a quantidade de dinheiro que os bancos comerciais mantêm em seus cofres – medidas que são conhecidas coletivamente como expansão monetária quantitativa.
Direitos de propriedade nas favelas Os pobres são mesmo tão pobres quanto pensamos? O economista peruano Hernando de Soto alega que muitas das famílias mais pobres do mundo o são só porque não possuem direitos legais sobre sua propriedade. Uma família pode ter vivido no mesmo barraco de uma favela do Rio durante anos, mas como os pobres só têm direitos informais sobre a propriedade, ficam à mercê de criminosos e delinquentes (que podem tentar destruir sua casa ou furtá-la) ou do governo (que pode tentar levar os favelados para outro lugar). Segundo Soto, a solução é dar a essas pessoas direitos legais sobre suas propriedades. Dessa maneira, não só terão um incentivo para cuidar melhor delas como poderão obter créditos usando suas casas como garantia. Estima que o preço total das casas das famílias pobres do mundo em desenvolvimento vale mais do que 90 vezes a ajuda externa total enviada a esses países nos últimos 30 anos.
A curva de rendimento Talvez o sinal mais revelador da importância do mercado de títulos seja o fato de que a forma como os títulos se comportam pode proporcionar excelentes pistas sobre o futuro de determinada economia. A curva de rendimento mede simplesmente as taxas de juros de diversos títulos governamentais no decorrer do tempo. Mantidas as demais circunstâncias, as taxas de juros dos títulos que vencem em breve devem ser mais baixas que as de títulos que vencem daqui a alguns anos; isso reflete o fato de que se espera que a economia cresça no futuro e a inflação vá aumentar. De vez em quando, porém, a curva de rendimento se inverte, o que significa que as taxas de juros de títulos com vencimento próximo são mais altas do que as de títulos que vencem daqui a alguns anos. Esse é um sinal razoavelmente confiável de que a economia está rumando para uma recessão, pois implica que as taxas de juros e a inflação vão cair nos próximos anos – dois fenômenos habitualmente associados às crises econômicas. É mais um exemplo que mostra como o destino econômico de todos está intimamente ligado ao estado do mercado de títulos.